





Resultados de uma pesquisa recém-publicada no São Paulo Medical Journal, realizada com 484 alunos da graduação da FMUSP, mostraram que a homeopatia e a acupuntura, disciplinas curriculares eletivas desde 2002, estão atraindo a atenção de um número maior de estudantes a cada ano:
56% dos entrevistados mostraram-se bastante interessados no aprendizado dessas práticas;
85% consideraram que as duas especialidades deveriam fazer parte do currículo do ensino médico, de forma opcional (72%) ou obrigatória (19%).
A pesquisa, coordenada por Marcus Zulian Teixeira, médico homeopata e doutorando do Departamento de Clínica Médica da FMUSP, procurou avaliar as atitudes dos acadêmicos frente as práticas da homeopatia e acupuntura, no momento de sua inserção no currículo. Os entrevistados, alunos do primeiro ao sexto ano (59% do sexo masculino e 40% do sexo feminino), responderam a um questionário auto-aplicável que avaliou:
- o interesse no aprendizado dessas práticas
- forma de ensino
- nível de conhecimento e forma de aquisição
- experiência da terapêutica em si próprios ou em pessoas próximas
- principais indicações e eficácia geral
- possibilidade de oferecimento e integração das especialidades junto aos serviços públicos de saúde
Apesar de 76% dos entrevistados terem nenhum ou pouco conhecimento sobre homeopatia e acupuntura, 67% atribuíram algum grau de eficácia às terapêuticas, tendo como principais indicações as doenças crônicas, isoladamente (37%) ou englobando também as doenças agudas (29%). Uma parcela dos entrevistados (35%) defendeu a incorporação da homeopatia e da acupuntura nos serviços públicos de saúde, enquanto que 34% defenderam a disponibilização também em hospitais, com 60% acreditando na possibilidade de integração com a prática médica convencional.
Teixeira explica que o levantamento confirma estudos semelhantes aplicados em outros países, evidenciando o interesse dos estudantes de Medicina no aprendizado de práticas não-convencionais em saúde: “no Brasil, apesar da Homeopatia e da Acupuntura serem especialidades médicas desde 1980 e 1995, respectivamente, elas não são ensinadas na maioria das faculdades de Medicina, privando os futuros médicos do conhecimento de práticas médicas de baixo-custo, isentas de efeitos colaterais importantes e que podem ser empregadas em inúmeras doenças crônicas modernas, ampliando o espectro de atuação da medicina moderna”. Na opinião do coordenador do estudo, os resultados apontam para a necessidade de incorporar essas disciplinas aos currículos das faculdades de Medicina brasileiras.
Fonte: Serrano & Associados - Assessoria de Imprensa da FMUSP