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Cremesp na Mídia

11-01-2010

Ensino médico, um cenário intolerável


Jornal da Tarde, 11/01/2010 - Opinião -

Desiré Carlos Callegari *

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) promoveu em 2009, pelo 5.º ano consecutivo, o Exame do Cremesp, que avalia o desempenho dos estudantes do 6.º ano de Medicina das escolas médicas do Estado de São Paulo.

O número de participantes na 5.ª edição do Exame do Cremesp foi significativo, pois correspondeu a aproximadamente 25% do universo de 2.600 egressos de 25 escolas. Mas o alto índice de reprovação no exame de 2009 confirma a precariedade do ensino médico.

Há uma deterioração progressiva da qualidade da graduação em Medicina, lembrando que a situação pode ser pior. Por causa do caráter facultativo do exame, supostamente os alunos mais bem preparados demonstram maior interesse em participar da avaliação.

O Exame do Cremesp mede o desempenho dos participantes conforme áreas do conhecimento. E mais uma vez ficou evidente que é ruim a formação dos estudantes em campos essenciais do conhecimento médico.

Questões com índices baixíssimos de acertos revelaram a falta de conhecimento dos futuros médicos na solução de problemas com grande demanda da população. Muitos desconhecem a solução de situações comuns, como algumas relacionadas ao atendimento em urgência e emergência, à assistência a gestantes e crianças, ao diagnóstico, tratamento adequado ou definição de meningite, hepatite e gripe suína, dentre outros exemplos.

Depois de 5 anos de aplicação do Exame do Cremesp, passado o tempo de observação e análise, agora é crucial a tomada de posições. Queremos dizer às autoridades da educação, da saúde e ao Poder Legislativo que estamos diante de um cenário intolerável.

O fato é que muitas escolas médicas mantêm cursos medíocres, os graduandos não adquirem a competência mínima necessária e, com isso, colocam em risco a vida e a saúde da população.

Assim, o Cremesp defende a aprovação, pelo Congresso Nacional, de lei que estabeleça a obrigatoriedade de exame nacional, como condição para a obtenção do registro profissional de médico nos Conselhos Regionais de Medicina.

Ao mesmo tempo, solicitando ao MEC que “congele” o processo de abertura de novos cursos de Medicina até que seja concluída a avaliação criteriosa das escolas já existentes, com diminuição do número de vagas e até mesmo fechamento das instituições de ensino sem condições de funcionamento. E, por fim, devem ser incentivados e apoiados processos permanentes de avaliação, realizados pelas próprias escolas médicas, ao longo da graduação.

* Médico anestesiologista, conselheiro do Conselho Regional de
Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e Primeiro-secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM)