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CAPA

EDITORIAL (JC pág. 2)
Dilema bioético da atualidade: a autonomia de pacientes terminais


ENTREVISTA (JC pág. 3)
Ben-Hur Ferraz Neto, presidente da ABTO


ATIVIDADES 1 (JC pág. 4)
PEMC inclui cidades do interior em seu roteiro de atualização


ATIVIDADES 2 (JC pág. 5)
I Fórum de Comunicação Integrada dos Conselhos de Medicina


ATIVIDADES 3 (JC pág. 6)
O exercício da Pediatria no país, segundo análise da SPSP


EXAME DO CREMESP (JC pág. 7)
As avaliações estão programadas para setembro e outubro


XII ENEM (JC págs. 8 e 9)
Carta de Brasília divulga propostas aprovadas pelas entidades médicas


ARTIGO (JC pág. 10)
Sistemas público e suplementar de saúde na visão de Bosi Ferraz


GERAL 1 (JC pág. 11)
Educar para Paliar: evento internacional está recebendo inscrições


GERAL 2 (JC pág. 12)
O reajuste dos honorários médicos está determinado pela RN/ANS 71/2004


CFM (JC pág. 13)
Representantes do Estado no CFM se dirigem aos médicos e à sociedade


ALERTA ÉTICO (JC pág. 14)
Análises do Cremesp ajudam a prevenir falhas éticas causadas pela desinformação


GERAL 3 (JC pág. 15)
Acompanhe a participação do Cremesp em eventos relevantes para a classe


ESPECIALIDADES (JC pág. 16)
Sociedade Brasileira de Cardiologia: 12 mil sócios e 25 entidades estaduais


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Edição 273 - 08/2010

ENTREVISTA (JC pág. 3)

Ben-Hur Ferraz Neto, presidente da ABTO


“Os resultados dos transplantes realizados no Brasil se comparam aos dos países de primeiro mundo”

O número de transplantes de órgãos no Brasil cresceu 16,4% em relação ao mesmo período de 2009. Porém, algumas regiões do país sofrem com a escassez de doadores e médicos. Sobre essa questão, o Jornal do Cremesp ouviu o presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Ben-Hur Ferraz Neto. Ele também é chefe do Programa de Transplante de Fígado do Hospital Albert Einstein, professor titular de cirurgia da PUC-SP e livre docente pela USP.


Quais os principais desafios para a realização de um transplante no Brasil atualmente?
O principal desafio atual do transplante no Brasil é a redução da heterogeneidade que existe no país quanto à doação de órgãos, o que influencia diretamente sobre a oportunidade que cada um dos pacientes que aguardam por um transplante de órgãos, ou mesmo de tecidos, tem de recebê-lo. Existem Estados da federação, especialmente na região Norte, que não apresentaram nenhum doador neste primeiro semestre de 2010. Além disso, outro desafio grande é a manutenção do aumento das taxas de doadores falecidos de múltiplos órgãos e, certamente, isto depende diretamente da cons¬cientização da classe médica e dos profissionais da área da saúde. São estes que, no dia-a-dia de suas atividades, podem, além de identificar os potenciais doadores, propagar os benefícios da doação de órgãos e garantir a lisura de todo o processo.

Em média, quantos transplantes são realizados no país por ano?
O Brasil é o segundo país do mundo no quesito número absoluto de transplantes de órgãos sólidos e vem apresentando um crescimento constante ano a ano. Para que possamos ter uma ideia da dimensão do que estamos falando, em 2010 o país deve realizar aproximadamente 4,5 mil transplantes de rim, 1,5 mil de fígado, 200 de coração, 170 de pâncreas e 70 de pulmão, somados a cerca de 13 mil transplantes de córnea.

Em termos de recursos tecnológicos, o Brasil se compara a outros grandes centros de transplantes no mundo?
Os resultados dos transplantes realizados no Brasil se comparam aos encontrados nos países de primeiro mundo. Isto é obtido pelo excelente treinamento que os profissionais da saúde, dedicados a esta área, desenvolveram em nosso meio, além dos recursos tecno¬lógicos utilizados. Outra característica do Brasil é que temos aprendido a fazer transplante de órgãos com mais simplicidade, uma vez que nem sempre os recursos estão disponíveis na sua totalidade. Acredito que o nosso custo x efetividade, pelos resultados que temos colhido por meio do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT – publicação trimestral da ABTO), é bastante positivo, embora tenhamos a necessidade de uma avaliação mais aprofundada sobre este aspecto.

Quais são os países mais avançados nesses procedimentos?
No que diz respeito à captação de órgãos, a Espanha lidera, muito à frente. Para que possamos ter uma real noção do que falamos, a Espanha apresenta taxas de aproximadamente 35 doadores por milhão de pessoas por ano (pmp), enquanto o Brasil bateu seu recorde em 2010, com uma taxa de 10 doadores pmp. A Europa apresenta, em média, uma taxa de 15 a 20 pmp e os EUA, entre 20 e 25 pmp. Vale a nota de que alguns Estados da federação vêm apresentando resultados excelentes, como é o caso de São Paulo, com 22,5 doadores pmp, Santa Catarina e Distrito Federal, com 16 pmp e o Ceará, com 15 pmp.

O sistema público recebe financiamento suficiente para a realização de transplantes?
O financiamento dos transplantes no Brasil é basicamente feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, aproximadamente, 90% dos transplantes de órgãos sólidos são realizados pelo SUS. Os recursos vêm de um fundo especial do Ministério da Saúde e atingiu, em 2009, a cifra de cerca R$ 930 milhões.

Como está a fila de espera para transplante de determinados órgãos no sistema público?
A fila do sistema público é a mesma do sistema privado ou da saúde suplementar. O Sistema Nacional de Transplante (SNT) conta com a conhecida “fila única” e, podemos garantir que não existe qualquer possibilidade de alguém ser contemplado com um órgão de doador falecido para transplante se não for o primeiro da fila compatível. Por outro lado, pela escassez de doadores, as filas ainda são muito longas e a mortalidade daqueles que esperam ainda é alta. São mais de 60 mil pessoas aguardando por um transplante em todo o território nacional.

Temos especialistas capacitados suficientemente para atender à demanda de transplantes?
Sim, temos. Mas enfrentamos um problema já conhecido pela realidade médica brasileira: estes profissionais não estão distribuídos homogeneamente pelo país. Isto dificulta a implantação de novos programas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.

As faculdades estão preparando adequadamente os estudantes de medicina para a realização de transplantes?
Infelizmente, não. Raros são os cursos de Medicina que abordam os aspectos voltados à doação de órgãos e aos transplantes. Por mais incrível que pareça, as escolas médicas e seus professores ainda não se atentaram da importância deste ensinamento no curso de graduação. Devemos lutar para que estas discussões façam parte obrigatória da formação de um médico generalista do século XXI.

De que forma a ABTO pode contribuir para o aprimoramento do sistema de transplantes no Brasil?
A ABTO se pauta pelo desenvolvimento da transplantação no país e vem, há anos, defendendo políticas e ações que promovam, de forma cada vez mais segura, esta especialidade em nosso meio. Um dos esforços da ABTO nos últimos anos tem sido realizar atividades que tragam o crescimento no número de doadores no país.

Isto vem sendo feito com a formação de profissionais especializados e com a conscientização sobre a importância dessa discussão. A ABTO realizou, apenas nos últimos três anos, mais de 200 cursos de formação de especialistas, nas mais diversas áreas do atendimento médico, e de outros profissionais da saúde.



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