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EDITORIAL (pg. 2)
João Ladislau Rosa - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pg. 3)
Miguel Srougi


POSSE (pg.4)
COSEMS e Ministério da Saúde


ESCOLAS MÉDICAS (pg. 5)
Instituições de ensino na mira do MEC


MAIS MÉDICOS (pg.6)
Fiscalização na Atenção Básica de Saúde


CARREIRA DE ESTADO (pg. 7)
Projeto é avaliado na ALESP


ENSINO MÉDICO (pgs 8-9-10)
Resultados continuam preocupantes


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Cremesp marca presença em eventos relevantes para a classe


CFM (pg.12)
Artigos dos representantes de SP no Federal


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Novo canal de comunicação e informação para os médicos jovens


BIOÉTICA (pg. 16)
Maior interação com os médicos


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Edição 311 - 01-02/2014

ENTREVISTA (pg. 3)

Miguel Srougi


“Recém-formados em Medicina são vítimas de um enredo perverso”

 

“Sociedade permissiva, escolas médicas deficientes e governantes incapazes transformam esperanças incontidas em sonhos frustrados”

 

 

Com a experiência de quem leciona Medicina desde 1996 – inicialmente na Unifesp e atualmente na USP — Miguel Srougi afirma que nunca viu um recém-formado que não acalentasse o sonho de se tornar um profissional respeitado. Com isso, ele faz uma reflexão sobre a abertura de novas escolas médicas sem qualidade de ensino e também sobre as perspectivas para a Saúde no Brasil. Médico formado em 1970, ele é doutor e livre-docente em Urologia, autor e co-autor de 461 trabalhos científicos e autor ou editor de 21 livros. Fora da atividade médica, é articulista do jornal Folha de São Paulo e presidente do Conselho Consultivo da Fundação Criança é Vida.


 

Como avalia a política do governo de trazer milhares de médicos estrangeiros sem revalidação do diploma, com o Programa Mais Médicos?
O governo federal reagiu de forma disparatada aos clamores das ruas em 2013. Propuseram um conjunto de medidas falaciosas; a principal delas, importar médicos cubanos. Ideia com grande apelo aos mais distraídos, mas que afronta as leis, a soberania e os valores da sociedade brasileira. Medida que logo se provará inócua, já que a saúde pública vai mal no Brasil. O governo produziu, nos últimos cinco anos, o fechamento de 286 hos­pitais ligados ao SUS. O Ministério da Saúde deixou de utilizar R$ 17 bilhões na Saúde, com os quais teriam sido construídas e equipadas cerca de 18 mil Unidades Básicas de Saúde. O que esperar dos profissionais cubanos que para cá vieram sem sequer provarem que são realmente médicos e dizendo que aceitaram essa missão para prover uma assistência mais humanizada aos desvalidos brasileiros? Discurso suspeito, já que ganharão um salário bem maior do que recebiam em seu país. Pior que tudo isso, nossas autoridades desencadearam uma campanha de demonização dos médicos brasileiros.

Quais as maiores dificuldades que os médicos estrangeiros devem enfrentar no Brasil?
Total incapacidade para exercerem algum papel médico-social verdadeiro e eficiente porque o Brasil tem um sistema de saúde pública arruinado. E porque a Medicina exercida condignamente pressupõe equipes qualificadas, instalações minimamente equipadas e apoio de far­mácias que forneçam medicações essen­ciais, sem ônus aos necessitados.  Trabalhando em condições próximas à escravidão no Brasil, o que farão os médicos cubanos nas áreas remotas do País, sem equipes de apoio, apenas com termômetros e estetoscópios nas mãos? Frustrados e encerrada a encenação, migrarão para as metrópoles brasileiras ou retornarão ao seu país.

Se fosse aplicado o Reva­lida a esses médicos, acredita que o programa conseguiria suprir a falta de médicos em áreas periféricas de difícil provimento por médicos brasileiros?
Em todos os países do mundo faltam médicos, sobretudo para atuar em saúde básica. Calcula-se que nos Estados Unidos exista um déficit atual de 15.200 médicos. É óbvio que um exame de qualificação não resolve o problema da carência. O que contornaria essa defi­ciência, de forma parcial, seria propiciar condições minimamente dignas de trabalho para os médicos migrarem. O Canadá enfrenta as mesmas dificuldades do nosso País e as autoridades aceitam médicos estrangeiros sem exames de proficiência se eles forem graduados em faculdades estrangeiras bem ranqueadas pelo governo. Caso contrário, têm de realizar uma prova para demonstrar competência. Além disso, os médicos e suas famílias são recebidos com privilégios que lhes permitem viver com dignidade e ter contato com centros universitários, para aprimoramento profissional.

O Exame do Cremesp 2013 reprovou 60% dos alunos recém-formados em Medicina e as escolas particulares foram responsáveis por 70% desse resultado. Como vê a criação de mais vagas de graduação?
Essa promessa do governo seria auspiciosa se envolvesse a criação de faculdades de elevada qualidade, bem equipadas e com corpo docente qualificado. Nas atuais circunstâncias, essa proposta é surrealista. Co­mo acreditar em novas vagas em escolas médicas, quando esse mesmo governo criou apenas 180 delas em instituições federais nos últimos quatro anos? Muitas outras vagas para Medicina foram abertas por faculdades privadas, mas a maioria visando apenas o lucro e quase nunca a formação adequada.

Até que ponto a má formação desses alunos po­de ser creditada a eles? Qual o papel das escolas e do governo?
Julgo que profissionais ina­ptos devem ser impedidos de exercer a profissão e que uma legislação impondo um exame de capacitação dos novos médicos já deveria ter sido promulgada. Contudo, nunca me deparei com um médico recém-formado que não acalentasse o sonho de se tornar um profissional respeitado. Reconheço que as inquietações expressas sobre a falta de aptidão dos recém-formados são justificadas, mas, ao invés de algozes, a imensa maioria dos novos médicos da nação são vítimas de um enredo perverso. Sociedade permissiva, escolas médicas deficientes e governantes incapazes transformam esperanças incontidas em sonhos frustrados.

Que soluções seriam eficazes para amenizar os problemas no sistema de Saúde brasileiro?
Temos que fazer brotar na sociedade, com a credibilidade que carregamos como médicos, a consciência crítica e os sentimentos da cidadania e da indignação, pedindo a substituição dos inaptos que dirigem a Saúde no País. Ao lado dessa luta, algumas sugestões emergenciais seriam: alocar recursos substanciais na Saúde; delegar a gestão dos hospitais públicos a organizações sociais sem fins lucrativos; aperfeiçoar e aumentar a abrangência das equipes de Saúde da Família; atualizar as tabelas de ressarcimento do SUS; criar um plano de cargos e salários condignos para os médicos e condições de vida digna para suas famílias; legalizar e contratar equipes multiprofissionais para atendimento, alijar os corruptos que se locupletam na Saúde;  e inserir os médicos brasileiros nesse processo de reconstrução da saúde nacional.

 

 


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