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CAPA

EDITORIAL (pág. 2)
Bráulio Luna Filho, presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 3)
Álvaro Nagib Atallah


INSTITUIÇÕES DE SAÚDE (pág. 4)
Hospital Estadual Pérola Byington


FORMAÇÃO MÉDICA (pág. 5)
Medicina para o paciente


EXAME DO CREMESP (pág. 6)
11ª Edição


ENSINO MÉDICO (Pág. 7 a 9)
Escolas de Medicina


EPIDEMIA (pág. 10)
Aedes aegypti


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (pág. 11)
Parceria Cremesp


EU, MÉDICO (pág. 12)
Paulo Sérgio Brasil Júnior


VIOLÊNCIA (pág. 13)
Campanha conjunta


CONVOCAÇÕES (pág. 14)
Informações úteis ao profissional de Medicina


BIOÉTICA (pág. 15)
Ernesto Lippman*


GALERIA DE FOTOS



Edição 328 - 08/2015

EDITORIAL (pág. 2)

Bráulio Luna Filho, presidente do Cremesp


A marcha da insensatez

“A exigência da boa formação é nossa prioridade, seja quando defendemos o Revalida ou realizamos o Exame do Cremesp”
 

O Governo Federal autorizou a abertura de mais 36 escolas de Medicina no Brasil, 13 delas no Estado de São Paulo. Em visita ao Cremesp, em julho, o ministro da Saúde, instado a explicar os motivos, argumentou – “com a política de criar novas faculdades médicas, o governo visa chegar à meta de 600 mil profissionais daqui a dez anos”. Reduziu a questão da formação e distribuição dos médicos a um viés quantitativo. Olvida a experiência mundial – que também lida com o mesmo problema de escassez de médicos em áreas remotas e pequenos aglomerados –, e assume uma visão economicista, “achando’ que graduando médicos a granel, esses transbordarão dos centros urbanos para os rincões do Brasil!

Desconhece ou despreza que a criação de estruturas para formar médicos são complexas e demandam cabedal humano, não disponível facilmente. Ser um professor de Medicina não é a mesma coisa que ser médico. Para o primeiro, não basta conhecimento técnico, mas domínio em técnicas de transmissão de conhecimento, avaliação cognitiva, comportamental, capacidade de liderança modelar etc. Em contraposição à criação de base sólida na formação de recursos humanos na Saúde, o MEC e o MS não investem na excelência da formação nem na qualidade do atendimento. Seguem promovendo a abertura indiscriminada de escolas médicas sem garantia da qualidade, prática com potencial nefasto­ para a saúde dos brasileiros.

Só para ter uma ideia dessa insensatez, muitos dos 36 municípios que terão cursos de Medicina não dispõem de estrutura básica e recursos humanos mínimos para o ensino adequado.

Em São Paulo, essas instituições estarão próximas de cidades que já contam com escolas médicas e o principal problema não é falta de médicos, mas de estrutura física e apoio à boa prática profissional. Como nenhuma dessas 36 faculdades é pública, certas perguntas tornam-se inevitáveis – não estaria o MEC cedendo ao lobby de empresários que veem a Saúde como fonte de lucro fácil e não estão preocupados com o bem-estar dos cidadãos?

O Cremesp entende que enfrentamos uma marcha da insensatez, alvejando o futuro da Medicina. E tomará todas as medidas judiciais cabíveis. Temos convicção que um médico mal formado significa risco às pessoas, sem falar nos prejuízos que impõe ao SUS.

A exigência de boa formação é prioridade para o Cremesp. Pensamos nisso quando defendemos o Revalida para quaisquer profissionais diplomados no exterior, ao nos opormos à banalização da Residência e ao realizarmos o Exame do Cremesp.

O compromisso em defesa da Medicina, da boa formação médica e de condições adequadas para o exercício profissional é nossa razão de ser. Portanto, não transigiremos nessa luta, por mais árdua ou desfavorável que possa parecer.
 


Opinião

Fim da Residência Médica?

Nívio Lemos Moreira Junior
Conselheiro do Cremesp


A Residência Médica sempre foi considerada a melhor maneira de formar um especialista. Muitas coisas mudaram desde que William Stewart Halsted a criou, em 1889, no Departamento de Cirurgia da John Hopkins University, mas o conceito foi aprimorado como método de treinamento nas mais diversas áreas de Medicina. No Brasil também era assim.

A história da Residência Médica no Brasil foi pautada em conquistas que culminaram na formação qualificada de especialistas. Com a criação da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), ficou estipulado o tempo mínimo de 60 horas semanais, mais preceptoria, local adequado para treinamento e uma bolsa digna para o bom aprendizado, que acontece, muitas vezes, de dois a seis anos e exige dedicação intensa do residente.

E tudo ia bem, com a ampliação dos serviços, de maneira a comportar mais residentes e assegurando a qualidade da formação. No entanto, o governo federal decidiu que era necessário o aumento das vagas de forma emergencial, como já vinha fazendo com as faculdades de Medicina. Priorizaram-se os números – importantes para a propaganda eleitoreira  – e esqueceu-se o principal: a qualidade da formação do profissional. Para expandir as vagas para todos os estudantes de Medicina não existe mágica: é necessário estrutura, preceptoria, bolsas e investimento. Não parece ser esse o objetivo do governo federal.

Para atingir a meta, foi alterada a composição da CNRM, diminuindo a participação das entidades médicas e suas críticas. Em seguida, veio a lei do Mais Médicos e, por fim, o Decreto 8.497/2015, que pode implodir a Residência Médica ao equiparar cursos de curta duração (ou de fim de semana, como alguns dizem) à mesma categoria de formação. Em vez de tratar o problema, busca-se outra alternativa, paliativa e danosa. Vários serviços de Residência já entraram em greve devido à falta de condições mínimas de formação, o que pode culminar em mais uma paralisação reivindicatória, liderada pela ANMR.

Os mais prejudicados são os pacientes, que de uma só vez perdem o avanço da Medicina, construído duramente pela Residência Médica. Essa é a hora de as entidades médicas reagirem e defenderem nossa formação de especialista, antes que seja tarde demais.

 

 


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