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Edição 335 - 04/2016

ENTREVISTA (Pág. 3)

Jorge Kalil



Vacina brasileira contra dengue está em última fase de testes

“A vacina é fundamental para combater a doença de maneira ampla”

 

A primeira vacina brasileira contra dengue, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o National Institutes of Health (EUA), está em sua última fase de testes. Os estudos clínicos promovidos pelo Butantan, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, contarão com o apoio de instituições parceiras em todo o País, como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, onde a fase atual da pesquisa vem sendo realizada até o momento. A previsão é que cerca de 17 mil voluntários participem da pesquisa em todo o Brasil. Nesta entrevista ao Jornal do Cremesp, Jorge Kalil, diretor do Instituto Butantan, professor titular de Imunologia Clínica e Alergia e chefe do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração da FMUSP, fala sobre as perspectivas de produção da vacina brasileira, observando que ela “é fundamental para combater a doença de maneira ampla”.

O professor Kalil também preside o Conselho Diretor da Fundação Butantan, o Conselho da Fundação Zerbini e a International Union of Immunological Societies (IUIS). 

 

 

  • Em que fase estão as pesquisas do Instituto Butantan para a criação de uma vacina brasileira contra a dengue?

A vacina do Instituto Butantan, desenvolvida em parceria com o National Institutes of Health (EUA), está na terceira e última fase de testes clínicos. Os estudos começaram pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, um dos 14 centros credenciados pelo Butantan para a realização dos testes, que envolverão 17 mil participantes em todo o Brasil. Além do HC, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo também foi credenciada para a realização dos testes da fase 3. Nos outros 12 centros, o cronograma de vacinação deverá ser divulgado em breve.

 

  • Qualquer pessoa pode se voluntariar ou há restrições?

Podem ser voluntários do estudo pessoas que estejam saudáveis, que já tiveram ou não dengue em algum momento da vida, e que se enquadrem em três faixas etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos. Os interessados podem procurar o SAC do Butantan pelo e-mail sac@butantan.gov.br.

 

  • Por quanto tempo esses pacientes serão acompanhados?

Os participantes serão acompanhados por um período de cinco anos para verificar a duração da proteção oferecida pela vacina. O monitoramento será feito por meio de visitas programadas para a coleta de amostras, além de contatos telefônicos e mensagens por celular.

 

  • Há algum risco em participar desses testes ou a vacina é inteiramente segura?

A vacina já foi testada em 900 pessoas: 600 na primeira fase de testes clínicos, realizada nos EUA, pelo NIH, e 300 na etapa realizada na cidade de São Paulo, na Faculdade de Medicina da USP, parceira do Instituto Butantan. Os dados disponíveis das duas primeiras fases indicam que a vacina é segura, pois induz o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue e é potencialmente eficaz. Os participantes apresentaram como reações adversas, em alguns casos, rash cutâneo, que demonstra boa resposta imunológica. Os brasileiros estão sensibilizados quanto ao tema e acreditamos que isso fará com que os ensaios clínicos tenham boa adesão. Além disso, um estudo divulgado recentemente pelo NIH revelou que a vacina oferece proteção completa contra o vírus. Em um teste conhecido como “desafio em humanos”, também realizado nos EUA, um grupo de voluntários foi imunizado e depois recebeu uma forma amenizada do vírus da dengue para avaliar a eficácia da vacina. Os participantes que não tinham tido dengue contraíram a doença depois de vacinados, e aqueles que já tinham sido imunizados não apresentaram qualquer sintoma da doença, comprovando que estavam completamente protegidos.

 

  • Existe previsão para a disponibilidade da vacina na rede pública?

A estimativa do Butantan é que todos os participantes estejam vacinados dentro de um ano. Os resultados da pesquisa dependem de como será a circulação do vírus, mas acreditamos ser possível ter a vacina disponível para registro até 2018.

 

  • A vacina também garantirá proteção contra o zika e a chikungunya ou somente para dengue?

A vacina do Instituto Butantan tem potencial para proteger contra os quatro vírus da dengue, mas não atinge o zika nem a chikungunya.

 

  • Existem diferenças entre a vacina do Instituto Butantan e a do laboratório Sanofi, recentemente liberada para registro pela Anvisa?

Sim, a nossa vacina requer uma única dose para imunização e se destina a uma faixa etária mais ampla. É produzida com os vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos. Isto implica uma resposta imunológica mais forte, mas, como estão enfraquecidos, os vírus não têm potencial para provocar a doença.

 

  • Em que medida essa vacina irá reduzir a possibilidade de novas epidemias de dengue no País?

A dengue é uma doença endêmica no Brasil e em mais de 100 países. A vacina brasileira produzida pelo Instituto Butantan será certamente uma importante arma de prevenção para que o País possa delinear estratégias de imunização em massa, protegendo nossa população contra a doença e suas complicações. É importante destacar que as medidas de controle do Aedes Aegypti são necessárias e devem continuar para que evitemos novas epidemias.

 


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