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Incidência & tratamento


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Edição 338 - 07/2016

ESPECIAL TUBERCULOSE (Pág. 14)

Incidência & tratamento


Instituto Clemente Ferreira desafia a resistência ao tratamento da doença

 

Mesmo com queda da incidência, a tuberculose faz cerca de
80 mil novos pacientes, mas muitos abandonam a medicação


Clemente Ferreira é centro de referência e excelência de SP para
a tuberculose e doenças respiratórias

 

A incidência de casos novos de tuberculose no País caiu 20,2% em uma década. Passou de 38,7 pacientes por 100 mil habitantes em 2006 para 30,9 casos novos no ano passado. Trata-se de uma boa notícia, mas que revela um enorme desafio: como combater uma enfermidade que ainda faz, a cada ano, cerca de 80 mil novos doentes no país? E que ainda mata 2,2 pessoas a cada grupo de 100 mil habitantes, com mais de 3,6 mil óbitos por ano? No Estado de São Paulo, há 19 mil doentes em tratamento, sendo que 16 mil deles são casos novos no ano.

O Instituto Clemente Ferreira, centro de referência e excelência do Estado de São Paulo para a tuberculose e doenças respiratórias, é uma das entidades por trás das boas notícias e, sobretudo, dos desafios. Fundado em 1904, o Instituto investe no ensino e na pesquisa como estratégias para fazer frente a um inimigo que já foi derrotado pelas drogas, mas que sobrevive graças a uma teimosia humana, a resistência ao tratamento. Apesar da medicação eficaz e disponível a todos, o bacilo da tuberculose – o Mycobacterium tuberculosis – continua se aproveitando de um aliado poderoso, o abandono da medicação.

“A maioria dos casos discutidos nas reuniões científicas está relacionada à resistência e multirresistência provocadas pelo abandono do tratamento”, diz Aglaé Gambirasio, diretora do Instituto Clemente Ferreira. O tratamento inicial consiste em quatro medicamentos que o paciente deve tomar dia­riamente, em jejum, diante do auxiliar de enfermagem, no posto de saúde, ao longo de seis meses. No final de semana, ele faz o tratamento em casa.

Cerca de 70% dos que cumprem o tratamento se curam. Os outros, quando a doença retorna, voltam aos serviços de saúde. Em geral, começam tudo de novo, com a substituição dos remédios resistentes, o recurso utilizado após as drogas endovenosas e longos períodos de internação. No Clemente Ferreira, como centro de atendimento terciário, estão os pacientes resistentes e multirresistentes, além de portadores de outras formas de tuberculose, como a ocular, a óssea e a renal. São cerca de 70 pacientes em tratamento. “Temos pacientes no oitavo retratamento, há anos tomando a medicação”, diz Aglaé.

Mudança de perfil

A assistente social Sofia Duarte Scarpelini, que faz o acompanhamento social dos pacientes, observa que o perfil da população está mudando nos últimos anos. “Sempre houve um grupo importante de dependentes de álcool mais idosos. Atualmente chegam muitos jovens usuários de crack”, ela observa. Entre os atendimentos anotados por ela, cerca de 27% têm até 30 anos, 55% entre 31 e 60 anos, e os demais, mais de 61 anos.

Transmitido por gotículas que se espalham no ar quando o doente tosse ou espirra, o bacilo infecta e se manifesta sobretudo em organismos debilitados. Por isso mesmo, no grupo de pacientes há mais moradores de rua, dependentes químicos, alcoólatras e populações encarceradas – “cerca de 70% deles têm ou tiveram histórico de alcoolismo”, diz a diretora. Mas qualquer pessoa com as defesas deprimidas, como portadores de HIV ou mal nutridas, está sujeita. “Temos, inclusive, pacientes que chegam de hospitais de primeira linha de São Paulo”, diz Aglaé.

Meta do milênio

Os números obtidos pe­lo Brasil no enfretamento da tuberculose – 30,9 casos novos e 2,2 óbitos por 100 mil habitantes – levaram o Brasil a atingir as metas dos Objetivos do Milênio (ODM) de combate à doença com três anos de antecedência. No ano passado, o País aderiu ao compromisso global de redução de 95% dos óbitos e 90% do coeficiente de incidência da doença até 2035.

No mundo todo, cerca de 6 milhões de novos casos são notificados por ano, provocando mais de 1 milhão de óbitos. No Brasil, são aproximadamente 70 mil casos novos por ano, com mais de 4,6 mil mortes. O país ocupa o 17º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo.

 


Centro de referência de doenças respiratórias

 

O próprio pneumologista Clemente Ferreira desenhou o prédio do instituto que leva seu nome, inaugurado em 1913 na rua da Consolação, no centro da Capital. Foi construído com o pé direito muito alto, de forma que os espaços fossem ventilados e assim os bacilos se dispersassem mais rapidamente. O prédio é um marco da arquitetura da época.

Mas o local é conhecido, sobretudo, como referência no ensino e pesquisa das doenças respiratórias, principalmente a tuberculose. Ao lado do tratamento contínuo de cerca de 70 pacientes, o Instituto recebe médicos residentes e estagiários de Medicina e Enfermagem de várias escolas paulistas. As pesquisas conduzidas pelo Instituto  – muitas em parceria com outras entidades – estão relacionadas sobretudo ao tratamento. Um dos desafios é reduzir o número de drogas necessárias, o que afasta muitos pacientes. Outros estão voltados a práticas e procedimentos que impeçam esse afastamento.

Há quatro meses, o Instituto reserva um dia na semana para que os pacientes resistentes passem pelo médico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista e fisioterapeuta. “Não observamos apenas o pulmão. É uma atenção multiprofissional, holística. Trata-se de um tratamento singular, e cada paciente é atendido em suas necessidades”, afirma Aglaé. Os usuários do serviço também têm acesso a um médico homeopata. Com todos os atendimentos no mesmo dia, e sendo realizados pela mesma equipe de auxiliares de enfermagem, a adesão aumentou.

 

 


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