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CAPA

EDITORIAL (pág. 2)
Mauro Gomes Aranha de Lima - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 3)
Adilson Soares


INSTITUIÇÕES DE SAÚDE (pág. 4)
Raiva humana


CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA (pág. 5)
Revisão do CEM


SETEMBRO AMARELO (pàg. 6)
Campanha contra o suicídio


ÉTICA MÉDICA (pág. 7)
Comitê de Bioética Hospitalar


SUS (págs 8 e 9)
Sistema público de saúde


EXAME DO CREMESP (pág. 10)
Avaliação acadêmica


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (pág. 11)
Congresso Nacional e Internacional de Direito Homoafetivo


EU MÉDICO (pág. 12)
Cristiane Barbieri


JOVENS MÉDICOS (pág. 13)
Residência Médica


CONVOCAÇÕES (pág. 14)
Editais


BIOÉTICA - (Pág. 15)
Judicialização


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Edição 340 - 09/2016

INSTITUIÇÕES DE SAÚDE (pág. 4)

Raiva humana


Pasteur é referência no controle da raiva no Estado


Último caso em humano pela variante canina foi registrado em 1997,
graças a programas de vacinação em massa dos animais


Sede do Instituto Pasteur, na avenida Paulista, onde são realizadas
pesquisas dos casos de raiva humana registrados no país

 

O casarão amarelo do Instituto Pasteur, no início da avenida Paulista, na Capital, parece alheio à agitação que anima a região. Referência para tratamento e pesquisa da raiva desde que foi fundado, em agosto de 1903, o casarão não assusta mais.  O último caso de raiva em humano no Estado de São Paulo foi registrado em 2001: um gato arranhou sua dona depois de ter sido infectado por um morcego.  Já o último caso em humano pela variante canina foi registrado em 1997 – convivendo com o homem, em ambiente urbano, o cão é um reservatório de grande risco para os humanos. De lá para cá, a variante canina não foi mais encontrada no Estado, graças sobretudo, a ações de vacinação em massa de cães e gatos, realizada pelos municí­pios. O Instituto, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de SP, ainda recebe anualmente em torno de 200 amostras positivas de diferentes espécies de animais infectados, sobretudo de bovinos, equinos e morcegos não hematófagos.

“Por conta desse cenário, dizemos que, no Estado de São Paulo, a raiva está controlada”, explica Luciana Hardt, diretora do Instituto Pasteur.

 


Ensino e pesquisa

Com a doença controlada no Estado de São Paulo, o Instituto Pasteur, além de realizar o diagnóstico para a raiva, se dedica ao ensino e à pesquisa. A instituição é referência nacional para o Ministério da Saúde e Centro Colaborador para a Organização Mundial de Saúde. Nos fundos da unidade, na Paulista – em meio a um jardim com abacateiros e ameixeiras que se estende até a alameda Santos – estão os laboratórios do Instituto, um conjunto de salas com equipamentos comparáveis aos dos melhores centros de pesquisa da raiva no mundo.

Os estudos realizados no Laboratório de Biologia Molecular contribuem pa­ra o controle da doença. Por exemplo, o sequenciamento genético permitiu a descoberta de que a mesma variante 2, que circula nos cães domésticos, também está presente nos canídeos silvestres,  o Cerdocyon thous, conhecido co­mo cachorro-do-mato. A pesquisa, entretanto, revelou pequenas diferenças genéticas encontradas que permitem a classificação de duas linhagens, a do “cão doméstico” e a do “Cerdocyon thous”.

Alguns anos atrás, as pesquisas se limitavam a estabelecer as variantes empregando anticorpos monoclonais e, atualmente, a biologia molecular identifica também as linhagens genéticas. “Essa tipificação de linhagens genéticas não interfere nas campanhas de vacinação em animais nem a profilaxia em humanos, mas orienta as políticas de vigilância”, diz Pedro Carnieli Júnior, também biólogo e pesquisador do Instituto Pasteur.

A mesma técnica de sequenciamento genético permitiu a tipificação de um vírus da raiva típico de saguis no Nordeste do Brasil, explica Luciana. “Raivoso, o sagui agride o homem e pode infectá-lo”, diz a diretora. Caberá aos serviços de vigilância encontrar uma forma de prevenção e controle, um enorme desafio quando se trata de animal silvestre.

 


Equipe

No Instituto Pasteur trabalham cerca de 100 funcionários, 20 deles pesquisadores, técnicos, além de médicos e veterinários e de pessoal administrativo.  O Instituto recebe amostras de animais para o diagnóstico da raiva do Estado de São Paulo e pesquisa todos os casos de raiva humana registrados no Brasil. Quando a amostra é positiva, o vírus é caracterizado geneticamente. O Pasteur também realiza a sorologia nos profissionais que recebem vacina pré-exposição, co­mo veterinários e pessoal que trabalha no manejo e vacinação de cães e gatos. A sorologia permite acompanhar o tipo de anticorpos do profissional, o que indica se está imunizado ou não para a doença. Cerca de 26 mil amostras de todo o País são analisadas anualmente.

“Além de centro colaborador da OMS, o Instituto Pasteur é laboratório de referência nacional no diagnóstico da doença e atua junto ao Ministério da Saúde na definição das políticas voltadas para a raiva”, diz Luciana. Também capacita pessoal das áreas de pesquisa e diagnóstico, especialmente em biologia molecular. O Instituto recebe bolsistas, estagiários e visitantes de outros Estados e países – além de residentes de Medicina Veterinária, especialmente de áreas ligadas à Saúde Pública.

 


Histórico

A descoberta da vacina contra a raiva foi anunciada por Louis Pasteur em 1885. Dezoito anos depois, em 1903, foi criado o Instituto Pasteur de São Paulo, sem vínculos com a instituição francesa. Em 1908, seu primeiro diretor, o cientista italiano Antonio Carini, demonstrou que morcegos hematófagos eram responsáveis pelo surto de raiva que ocorria em herbívoros no Brasil. O transmissor era o Desmodos rotundus, no­me científico do morcego-vampiro-comum.

Criado e administrado por médicos da iniciativa privada, o Instituto foi incorporado pelo Serviço Sanitário do Estado em 1916, quando assumiu a vacinação de pacientes agredidos por cães raivosos. A partir de 1918, o Pasteur adotou as ações de controle da raiva, que passaram a ocupar quase que integralmente as atividades de seus profissionais.

 


Sudeste é uma das regiões que menos vacina cães

O Estado de São Paulo não registra um caso humano de raiva pela variante canina desde 1997, sinalizando que a doença deixou de ser um problema. Com isso, não há estratégia de vacinação na região.

Segundo o Datasus, o Sul não promove mais vacinação dos cães também pela ausência de casos. A região Sudeste é a segunda região que menos imuniza, uma vez que os casos se concentram mais no Nordeste do País.

O Brasil firmou compromisso junto à OPAS e à OMS de eliminar a raiva humana pela variante de cão até 2015. No ano passado, dois casos foram registrados no País, um deles pela variante do Canis lupus familiaris, o cachorro doméstico.

Uma pessoa morre a cada 15 minutos no mundo vítima da raiva, segundo dados da OMS. No Brasil, foram registrados 23 casos em 1977, caindo para duas mortes em 1990, mesmo número de 2015. Segundo o Datasus, entre 2009 e 2013, foram 592 mil atendimentos por ano de pessoas agredidas por animais, com risco de infecção, 83% por cães.

 

 


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