Busca
Classificação de assuntos:

Pesquisa por palavra-chave:


Últimas Notícias
  • 25-07-2014
    Eleição CFM
    Conheça as propostas das cinco chapas que concorrem ao pleito de 2014 no Estado de São Paulo
  • 25-07-2014
    Jornal do Cremesp
    Flexibilização de regras para hospitais de ensino compromete Residência Médica, diz presidente da ANMR
  • 24-07-2014
    Debate
    Preconceito sobre eventual uso terapêutico dos canabinoides causa entrave nas pesquisas e receio de prescrição
  • 23-07-2014
    Convite
    Audiência Pública do Cremesp irá ouvir médicos da Região Leste da capital paulista em 11 de agosto
  • Notícias


    Enviar este link por e-mail
    14-03-2012

    Renato Françoso

    Álcool, direção e morte

    “Não podemos dosar a alcoolemia e nem mesmo atender ao crescente número de vítimas, mas temos que mostrar nossa indignação”

    A sociedade brasileira tem assistido estarrecida à crescente incidência de acidentes envolvendo motoristas embriagados, com consequente morte de inocentes. A qualquer hora do dia ou da noite, especialmente nos fins de semana, o noticiário é pródigo em revelar os dados desta epidemia que nos assola ceifando vidas, em maior parte, jovens e promissoras. A funesta adicção de álcool e drogas, associada à irresponsabilidade e veículos potentes, causa tragédias irreparáveis nas vidas de famílias que jamais serão confortadas.

    Não são apenas as vidas daqueles que assumem a direção dos veículos, incapacitados para tal, que estão em jogo. As pessoas que desafortunadamente se encontram na linha de passagem, na hora errada, no lugar errado, apenas exercendo seu direito de ir e vir, são vítimas desta calamidade.

    O governo de São Paulo vem encetando intensa campanha publicitária contra a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos visando conscientizar os proprietários desses pontos de venda da sua responsabilidade na redução do consumo por adolescentes. A “lei seca” assustou muita gente, no início, e hoje ninguém mais se preocupa com ela. Enquanto isso, as estatísticas engordam, pessoas morrem e outras são feridas, muitas delas mutiladas. O custo financeiro de cuidados a essas vítimas onera sobremaneira o sistema público de saúde, mas se torna menor diante do sofrimento dos que perdem familiares vitimados por inconsequentes.

    Por trás de tudo isso está uma realidade presente na vida dos nossos cidadãos – a impunidade. O motorista alcoolizado não se dispõe a realizar o teste do “bafômetro”, nem concorda com a dosagem sanguínea, e está tudo certo. Tem o direito de não produzir prova contra si próprio, mesmo tendo assumido o risco de matar ao dirigir embriagado. Se comprovado que não estava apto a dirigir, ainda assim, paga fiança, vai para casa e aguarda todo o longo e quase sempre inócuo processo, que resulta em quase nada, em termos de punição. E assim vamos nós. Vítimas de nossas próprias leis. Vítimas de um sistema policial permissivo e um judiciário moroso, com leis que permitem interpretações que beneficiam apenas o infrator.

    Nós, médicos, que nos prontos-socorros convivemos com a triste realidade de atender as vítimas desta doença social, nos sentimos impotentes apenas tentando minimizar as consequências dos acidentes, caso a caso. Não podemos dosar a alcoo-lemia, mesmo estando evidente a embriaguez. Não temos à disposição recursos técnicos para o melhor atendimento do crescente número de vítimas. Tampouco podemos intervir na condenação dos infratores e, menos ainda, na gradação das punições. No entanto, precisamos mostrar à sociedade nossa indignação. E acreditar, pelo menos nós, que é possível reverter este dramático panorama no qual as mortes e mutilações são dignas de Estados que enfrentam guerras. Devemos ocupar os espaços possíveis na mídia, nos organismos sociais, clubes de serviço e escolas, levando a reflexão sobre o que cabe a cada setor da sociedade realizar, para que experimentemos uma forma de vida mais civilizada. Esta também é mais uma das nossas responsabilidades.


    * Françoso é conselheiro do Cremesp e representante do Estado de São Paulo no Conselho Federal de Medicina

    Tags: álcoolalcoolismotrânsitoacidentes.

    Veja os comentários desta matéria


    Tema de suma importância, e deve SEMPRE ser divulgado em todos os meios, como já expresso na matéria. Dr. Renato, muito feliz em seus comentários. Abs Amigo..
    jose carlos machado campos

    Deixe o seu comentário

        Dê sua opinião sobre a matéria acima em até mil caracteres. Não serão publicados  textos ofensivos a pessoas ou instituições, que configurem crime, apresentem conteúdo obsceno, sejam de origem duvidosa, tenham finalidade comercial ou sugiram links, entre outros.  Os textos serão submetidos à aprovação antes da publicação, respeitando-se a jornada de trabalho da comissão de avaliação (horário de funcionamento do Cremesp, de segunda à sexta-feira, das 9 às 18 horas). O Cremesp reserva-se o direito de editar os comentários para correção ortográfica.  Os  usuários deste site estão sujeitos à política de uso do Portal do Cremesp e se comprometem a respeitar o seu Código de Conduta On-line.

    De acordo.


    Este conteúdo teve 1724 acessos.

    CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SÃO PAULO
    CNPJ: 63.106.843/0001-97

    Sede: Rua da Consolação, 753
    Centro - São Paulo/SP - 01301-910

    Sub-sede: Rua Domingos de Moraes, 1810
    Vila Mariana – São Paulo/SP - 04010-200

    CENTRAL DE ATENDIMENTO TELEFÔNICO
    (11) 5908-5600 das 8h às 20h

    HORÁRIO DE EXPEDIENTE
    Consolação e Vila Mariana - das 9h às 18h

     

     

     

    Rede dos conselhos de medicina:
    © 2001-2014 cremesp.org.br Todos os direitos reservados. Código de conduta online. 175 usuários on-line - 1724