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Destaques: entrevista c/Ennio Candotti e debate sobre Gestão em Saúde


ENTREVISTA
Ennio Candotti, presidente da SBPC


CRÔNICA
Cláudia Monteiro de Castro


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Slavoj Zizek


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Doadores de sêmen devem ser identificados?


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O perfil da assistência à saúde no país


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O SUS na percepção do acadêmico de Medicina


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Tuberculose. A epidemia através dos anos


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Equipes de médicos salvam nas estradas


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A história da Faculdade de Medicina paulista


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O médico e sua arte: a fotografia


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Dicas: pequenas grandes histórias, fantasia e autobiografia


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Edição 27 - Abril/Maio/Junho de 2004

CRÔNICA

Cláudia Monteiro de Castro

COM PÉ E SEM CABEÇA

Cláudia Monteiro de Castro*



Tudo começou com uma profissional que cuida dos pés. Sabendo que eu gostava de fazer poesia, me encomendou um poema sobre o pé. Matutando a respeito dessa parte preciosa do corpo, percebi que o tema era extenso, até mesmo poderia render uma tese de mestrado.

Quando uma apresentadora colocou na internet uma foto do pé no peito de seu “maridão”, disseram as más línguas: “Ela que me perdoe, mas podólogo é fundamental”. Sem querer julgar essa parte anatômica da sortuda dama em questão, diria ao menos que pé é fundamental.


Com eles andamos pra lá e pra cá, vamos trabalhar, visitamos amigos, percorremos o mundo ou damos apenas uma voltinha. Numa caminhada, podemos colocar os pensamentos em ordem, acalmar as ansiedades, ter idéias brilhantes e encontrar inspiração para um bom texto. O poeta Mário Quintana já dizia que “não há nada como um pé depois do outro.” Com a bola no pé, Pelé e outros tantos craques fizeram e fazem a felicidade dos brasileiros. Graças ao tamanho exclusivo de seu pé, Cinderela pôde ser encontrada por seu príncipe. Era com o pé que o deficiente do filme Meu Pé Esquerdo pintava seus quadros.

Na infância, os pés são responsáveis pelas maiores travessuras e diversões: brincar de amarelinha, pular corda, pega-pega, e melhor de tudo, andar descalço para depois ouvir uma bronca da mãe. Não existe moleque sem pé sujo. Tão comum que até virou nome de doce.

Em nossa língua, o pé está por toda parte, principalmente nas relações amorosas. No auge da paixão, você quer a pessoa amada “aos seus pés”. Acima de tudo, nunca diga que ela tem “pés-de-galinha”. Mas também nunca diga que ele é um “pé-rapado”. Quando a paixão esfria, você quer mais é que ela “largue do seu pé”.

Ainda na vida a dois, é conhecido o caso do marido que sai para comprar cigarro e “dá no pé”. Os ciumentos estão sempre com a “orelha em pé”. Com marido ou esposa infiel tem de ficar “com o pé atrás”. Suspeite se ele chegar tarde da noite, “pé ante pé” ou “com pés de lã”. A sua cara metade pode “negar de pés juntos” mas se você a pegou com a boca na botija – ou a “pegou pelo pé” –  talvez precise dar-lhe um bom pontapé. Mas se você for do tipo que defende a honra, aí ela está “com os pés na cova”. Tem gente que só se casa depois de fazer um “pé-de-meia”. Outros se casam só pra “tirar o pé da lama”. Tem casal que vive em “pé-de-guerra”. E outros que não sabem “em que pé está” o relacionamento.

Pelo pé também se conhece a pessoa. Os realistas são “pés-no-chão”. Os grosseiros são “pés-de-chumbo” e os que gostam de dirigir a toda velocidade são “pés-de-vento”. O trabalhador é “pé-de-boi” e o ladrão amador é “pé-de-chinelo.” Quem é chegado a uma birita é um “pé-de-cana.” Os atrapalhados vivem “metendo os pés pelas mãos” e os puxa-sacos, lambem os pés do chefe. O homem com membro avantajado é um verdadeiro “pé-de-mesa”. O “pé-de-valsa” gosta de dançar. Sorte que hoje ele já pode se aventurar em outros ritmos, além das músicas de Strauss, do rock ao forró, do tango ao samba. Aliás, tem mais graça na avenida quem “tem samba no pé”. Também é bom dançar colado, mas sempre tomando cuidado para não pisar no pé do parceiro.

Pés são também objeto de fetiche, tanto para homens como mulheres. São milhares os tarados por pés no mundo, os ditos podólatras. Há cenas memoráveis deste fetiche no cinema, como a massagem nos pés que Peter Coyote faz em Emmanuelle Seigner no filme Lua de Fel ou, então, quando o personagem Humbert – além de podólatra, pedófilo – pinta as unhas dos pés de sua Lolita, no filme baseado na obra de Nabokov. Algumas pessoas até fazem escolhas amorosas baseadas no pé. Há também quem goste de saborear os dedos dos pés do ser amado nos momentos de intimidade. Pé faz parte também da superstição do brasileiro. Todo mundo quer começar o ano com o pé direito.

Espero que você tenha gostado dessa crônica, que escrevi “com os pés nas costas.” Mas se você levantou com o pé esquerdo, provavelmente vai achar um pé no saco.

*Claudia Monteiro de Castro é cronista, autora dos livros “Crônicas californianas” e “Crônicas de amor, sexo e culinária” (ed. Escrituras) e “Os endereços curiosos de Roma” (Panda Books)

Arte/imagem: Maria Alice Gonzales


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