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Tuberculose. A epidemia através dos anos


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Equipes de médicos salvam nas estradas


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A história da Faculdade de Medicina paulista


CULTURA
O médico e sua arte: a fotografia


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Dicas: pequenas grandes histórias, fantasia e autobiografia


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Edição 27 - Abril/Maio/Junho de 2004

CULTURA

O médico e sua arte: a fotografia

Olhar Reinventado



Reinventar as imagens captadas pela câmera fotográfica é uma habilidade incomum que o cirugião aposentado Carlos Sacramento, de 83 anos, desenvolveu com extrema sensibilidade, ao mesmo tempo em que construía uma carreira bem sucedida na Medicina. Sacramento já teve suas fotos expostas em salões nacionais e internacionais, em países como a França, Hungria e Nova Zelândia.



Atualmente seu trabalho faz parte de uma exposição itinerante para a popularização da fotografia, que já passou por vários espaços públicos da cidade de Ribeirão Preto, onde mora, como o Museu da Imagem e do Som (MIS), o Cauim Cine Clube,  a Rodoviária e o aeroporto local.

Aos 11 anos, ainda menino, ganhou a primeira câmera. O entusiasmo com as primeiras imagens fez com que começasse a olhar melhor ao seu redor e aguçou ainda mais sua curiosidade prodigiosa. Desde então, não parou de fotografar e, literalmente, descobriu o mundo através da lente. Enquanto participava de congressos médicos em diferentes países, aproveitava para fotografar as paisagens e as pessoas do lugar.

Assim conheceu a Bélgica, em 1957, durante o 1º Congresso de Ciências Neurológicas - evento em que foi fundada a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e da qual ele é membro fundador - e Tóquio, em 1973, no Congresso Mundial de Neurocirurgia.

Sempre fotografando, aventurou-se em longas viagens de automóvel. Desses percursos lembra que viajou de Fortaleza até Bariloche, do México ao Canadá, de Nova York a Los Angeles, toda a Nova Zelândia e o continente Europeu, da Noruega à Sicília. Visitou também a China, o Egito, África do Sul, Amazônia e o Pantanal. E hoje pode dizer que conhece quase o mundo todo.

“A fotografia torna consciente o que não se enxerga habitualmente. Com o passar do tempo, primeiro você registra a imagem na cabeça, para depois fazer a foto”, revela. Sacramento conta que as inquietações que o levaram para a Medicina foram as mesmas que despertaram seu interesse pela fotografia. "Queria entender os fatos, os mistérios da vida e inventar algo mágico, que me desse respostas positivas, científicas e humanas". Para ele a imagem exerce grande influência na vida das pessoas. "Antes eram os quadros de Picasso, Anita Malfati, Toulouse Lautrec e outro pintores que intrigavam e influenciavam as pessoas. Hoje são os jingles da televisão e os outdoors que ditam as tendências", filosofa.
 
Ao mestre, com carinho

Filho de médico, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em 1945, e também estudou na Universidade de Wisconsin, como bolsista. "Na USP, estudei no laboratório de anatomia patológica com o Walter Maffei, com quem aprendi muito sobre Medicina, eletrônica e música erudita". A música é outra paixão de infância. Ele lembra que aos quatro anos, tinha uma vizinha, professora de piano, que passava horas tocando. Encantado com a música, um dia foi até a casa dela para pedir aulas. "Ela disse que eu não poderia aprender piano porque não sabia nem ler".

Dois meses depois, completados cinco anos, voltou: "eu disse a ela que já sabia ler e perguntei quando poderíamos começar as aulas." Desde então, nunca mais parei de tocar". Ele também tentou uma incursão pelo cinema com uma câmera Super8. "Por gostar muito de música e fotografia, fiz pesquisas audiovisuais e juntei as duas modalidades para criar novos trabalhos". As experiências com imagens em movimento renderam-lhe o primeiro lugar no 1º Festival de Filmes de Esporte da Prefeitura Municipal de São Paulo, na categoria Super 8, em 1997. Mas a fotografia sempre falou muito alto em sua vida, e não foram poucos os prêmios, inclusive diversas menções honrosas em concursos.

Sacramento levou a família para a fotografia também. A esposa, Sônia, e as filhas, Ana e Bia, tomaram gosto pela câmera. O difícil, segundo ele, é achar espaço para o acervo e compartilhá-lo. "São quase 20 mil slides, 100 filmes Super 8, inúmeros álbuns de fotografia, tudo espalhado pela casa. Mas essa invasão do espaço familiar é bem tolerada por todos".

Nunca fez curso de fotografia, mas não se considera um autodidata, pois sempre teve acesso a revistas especializadas, nacionais e internacionais. Com elas, aprendeu muito sobre técnicas de laboratório, composição fotográfica, iluminação, uso dos diversos tipos de filmes e emprego do cinema na documentação médica. Aliás, a medicina também é objeto de seu trabalho com imagens. "Slides, fotos em papel e documentários, sempre foram ferramentas para demonstrar práticas médicas e do ensino da Medicina".

Sua relação com a fotografia e a música também o ajudaram a recarregar as energias gastas nas longas e angustiantes cirurgias. "Eram épocas em que o médico responsável tinha que suprir também as deficiências dos auxiliares, que tinham pouca ou nenhuma capacitação para dar andamento aos cuidados e a medicação pós-operatória". Aposentado da medicina há oito anos, trabalhou como neurocirirgião no Hospital São Paulo, Beneficência Portuguesa e Hospital do Juqueri, entre outros. "Estamos cuidando mais e melhor do ser humano, a ponto de permitir que ele viva mais e com saúde. Ao mesmo tempo, sofremos com problemas como falta de água e alimentos, aquecimento global, aumento da violência e corrupção", conclui.

Foto: Carlos Sacramento


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