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CAPA

EDITORIAL
Análise sobre Urgência e Emergência e entrevista com Tom Zé: destaques desta edição


ENTREVISTA
Tom Zé: "Persistindo os médicos, os sintomas deverão ser consultados"


CRÔNICA
Entre a saudade e a nostalgia - Tebni P. Saavedra


BIOÉTICA
Debate discute pesquisas com seres humanos


ENSINO
Renato Sabbatini aborda a reciclagem profissional de qualidade


SINTONIA
"A Teoria do Caos e a Medicina", por Moacir Fernandes de Godoy


ESPECIAL
Urgência e Emergência: situação crítica no sistema público de saúde


EM FOCO
Memórias de cárceres: Luiz Guedes e Eleonora Menicucci


COM A PALAVRA
Artigo do cardiologista Luiz Carlos Pires Gabriel


LIVRO DE CABECEIRA
Destaques: A Conquista da Felicidade e O Físico


CULTURA
Michelangelo - Lição de Anatomia


HISTÓRIA DA MEDICINA
A Medicina islâmica em Córdoba e Toledo


GALERIA DE FOTOS


Edição 29 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2004

ENSINO

Renato Sabbatini aborda a reciclagem profissional de qualidade

A montanha vai a Maomé

Renato Sabbatini*

Periodicamente a qualidade do ensino médico é colocada como responsável direta ou indireta por muitos dos problemas que abalam a credibilidade e o exercício da profissão no Brasil. Ultimamente tem sido questionada a criação indiscriminada de novas faculdades de Medicina. Além disso, notícias constantes na imprensa sobre erros médicos e processos de pacientes contra médicos colocam também em evidência a qualidade do ensino e levam a uma crescente contestação do saber médico.

As causas parecem ser três: a estrutura obsoleta e ineficiente de ensino, o tremendo aumento da velocidade de renovação do conhecimento e as dificuldades de acesso às formas tradicionais de informação. Embora a carga didática dos cursos tenha crescido, os médicos estão se formando com conhecimento cada vez mais superficial e incompleto. Além disso, a formação atual é excessivamente paternalista, com grande e desnecessário número de aulas magistrais, que o torna dependente do ensino presencial e o impede de fazer mais cursos extra-curriculares.

Acesso à informação
Qual deverá ser o perfil do médico do século XXI e qual será o papel da informática na sua formação? Como o conhecimento médico continuará a evoluir cada vez mais rapidamente, o médico não terá tempo para retornar freqüentemente à academia e precisa se tornar um aprendiz autônomo, para o resto da vida. Sua competência profissional e conhecimento deverão ser recertificados periodicamente, valorizando-se e incrementando-se a educação continuada. Para verificar se ele continua a aprender e se esse aprendizado é efetivo, o diploma deixa de ser vitalício, ficando sujeito à revalidação periódica, como já acontece em muitos países. Pelo menos uma sociedade brasileira, a de Cardiologia, já implementa desde janeiro de 2000 um sistema desse tipo, mas infelizmente essa não é uma realidade obrigatória.

Apesar da boa vontade dos profissionais de saúde em manterem-se atualizados, o custo e a dificuldade do acesso tradicional à informação afetam negativamente a educação continuada, principalmente para os médicos do Interior. Felizmente, a virtualização do conhecimento por meio de redes digitais elimina a necessidade do meio físico, permite o acesso instantâneo e simultâneo a qualquer parte do mundo, além de buscas por palavras-chave. Esses recursos multiplicaram milhares de vezes a oportunidade de acesso à informação, independente da localização geográfica e com custos reduzidos.

Com as ferramentas tecnológicas do ensino à distância, a educação continuada, especialmente, pode ser implementada em muitas áreas.
 
A revolução
O acesso via rede possibilita ao médico participar ativamente e adquirir reciclagem profissional de alta qualidade, sem sair do consultório, hospital ou residência. Flexibilidade de tempo, baixos custos, independência geográfica, individualização do aprendizado e interação com os professores, são características da educação à distância via Internet.

É possível usar os recursos da Internet para simular praticamente qualquer situação que ocorra num contexto educacional, como aulas magistrais e palestras, sessões de tira-dúvidas, discussões de casos clínicos, exames orais ou escritos, trabalho em grupo, conversas telefônicas, transmissão de vídeo ou de áudio em tempo real, ou sob demanda etc. A formação de comunidades virtuais é resultado direto da facilidade de intercomunicação virtual e onipresente.
Atualmente, há uma grande diversidade de cursos de EMC à distância na Internet. Desde cursos curtos que podem ser concluídos e avaliados com 3 ou 4 horas de dedicação até os de pós-graduação completos, com especialização, mestrado e doutorado. O grau de profundidade e de qualidade varia muito.

Universidades virtuais
Já existem várias universidades virtuais no Brasil. Algumas são consórcios de universidades reais, como a UVB e a UniRede, outras são versões virtuais de instituições de ensino reais, como a Unifesp Virtual, a UniVir e a UNB Virtual. Outras ainda são “universidades” puramente virtuais, como é o caso da UV, ou corporativas, como a Universidade Unimed.

As universidades “oficiais”, geralmente oferecem certificados reconhecidos pelas instituições e, em alguns casos, pelo MEC. Outro bom exemplo de excelentes cursos à distância é o da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), principalmente na área de saúde pública. No Brasil também surgiram, desde o início de 2000, vários sites profissionais criados por empresas como a Bibliomed, WebSchool, ConnectMed e MedCenter que oferecem cursos à distância.

Desenvolvido recentemente e muito interessante, o Consórcio Edumed para Educação à Distância em Medicina e Saúde reúne faculdades de medicina e associações médicas, voltadas à geração e disseminação de conteúdo educacional em vários níveis, principalmente em EMC. O consórcio criou um sistema de educação médica continuada baseada em créditos, ministrado por meio da Web e já oferece vários cursos em diversas modalidades.

Para que o médico faça o seu auto-estudo e auto-aprendizado regularmente existem muitos sites nacionais e internacionais dedicados ao provimento de informações profissionais de vários tipos e a cursos on-line. Os melhores são apoiados por instituições de renome. Entre os melhores sites americanos temos o Medscape; o Intelihealth Professional Network, mantido pela Harvard Medical School; o Medem, da American Medical Association; o Scientific American Medicine (Samed); o MDConsult e o CMEweb. Outro “site” muito bem feito é o Helix. O Virtual Lecture Hall e o HCN também são sites completos que oferecem centenas de cursos.

Localizadores de cursos
Na Internet há vários localizadores de cursos de EMC, o maior deles é o da American Medical Association. Outros são o SearchCME e o Current CME Reviews. No Brasil ainda não existe um localizador desse tipo, mas ao assinar o boletim eletrônico Edumed News é possível saber o que é oferecido mensalmente.

Como funciona um curso pela Web
A maioria dos cursos de EMC pela Web funciona de maneira semelhante. São implementados e disponibilizados por meio de um ambiente de gerenciamento de ensino e aprendizado que contêm todos os recursos para o aluno estudar, interagir com os professores, fazer provas, exames etc. Normalmente esses sites têm informação preliminar sobre os cursos e formulário de inscrição on-line.

Ensino via tele e videoconferência
Outro modelo interessante de educação a distância utiliza a tecnologia de videoconferência, que permite o contato bidirecional de vídeo e áudio entre professores e alunos, com alta qualidade e perfeita interatividade. Por ser mais cara e permitir a conexão simultânea de um número pequeno de pontos, o modelo educacional é diferente da Internet, pois geralmente é baseado em classes. Os Conselhos Regionais de Medicina do Paraná e de São Paulo já têm experiência em operacionalizar redes de videoconferência, o que têm levado conteúdo educacional aos médicos interessados. A tendência é que esse modelo cresça cada vez mais.

Mantendo a qualidade de áudio e vídeo, mas permitindo aulas simultâneas para um grande número de pontos – o que reduz consideravelmente os custos – a tecnologia mais adequada em utilização atualmente é a teleconferência via satélite. A qualidade de imagem e do som é insuperável, mas a interatividade é limitada, geralmente feita pelo telefone, correio eletrônico ou “chat” via Internet. A empresa Conexão Médica foi pioneira nesse tipo de atualização profissional e está presente em mais de 150 hospitais.

O Instituto Edumed criou recentemente um novo serviço de educação médica continuada que promete revolucionar o setor. Em parceria com empresas fornecedoras de conectividade à Internet via satélite, o sistema utiliza um novo tipo de antena parabólica bidirecional. Apesar de seu pequeno porte, permite receber sinal de TV digital e acessar a Internet através da mesma antena. É ideal para cidades pequenas, que ainda não têm acesso de alta velocidade (banda larga).

Atualmente, o Instituto está constituindo uma rede de franquias, para colocar salas de recepção em todo o país e oferecer essa estrutura a universidades e associações médicas interessadas em transmitir cursos.

Não há dúvidas de que o ensino em saúde passa por uma crise de identidade e de objetivos, mas também provocada pela avalanche inexorável do progresso científico, que inviabiliza os modelos clássicos de ensino. Entre as inúmeras tentativas de reformar e revolucionar o ensino médico, o uso maciço de tecnologias de informação assume preponderância, exigindo formação do estudante quanto ao seu uso efetivo e constante. Os recursos possibilitam simular praticamente qualquer situação no contexto educacional.

Teleconferência: modelo interativo que permite a conexão de um número pequeno de pontos.
Já existem várias universidades virtuais
no Brasil. Algumas são consórcio de universidades reais.

* Renato Sabbatini é professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), presidente e fundador do Instituto Edumed para Educação em Medicina e Saúde.

SITES COM RECURSOS PROFISSIONAIS

MedScape: www.medscape.com
Medem: www.medem.com
WebMD: www.webmd.com
InteliHealth Pro: www.intelihealth.com
Scientific American Medicine: www.samed.com
MDConsult: www.mdconsult.com
ConnectMed: www.connectmed.com.br
BiblioMed: www.bibliomed.com.br
MedCenter: www.medcenter.com.br

Sites de Educação Médica Continuada

CMEinfo: www.cmeinfo.com
CMEWeb: www.cmeweb.com
CMEcourses: www.cmecourses.com
AMA WebCME: http://www.ama-assn.org/ama/pub/category/2797.html
Fundação Oswaldo Cruz: www.fiocruz.br
HELIX: www.helix.com
MedScape CME: www.medscape.com
Medical Matrix CME: www.medmatrix.org
Conexão Médica: www.conexaomedica.com.br
WebSchool: www.webschool.com.br
Rede Edumed.Net: www.edumed.net/cursos
RedeMD: www.redemd.com.br
Virtual Lecture Hall: http://www.vhl.com

Outros sites

MEC: www.mec.gov.br
Conselho Regional de Medicina de São Paulo: www.cremesp.org.br
Conselho Federal de Medicina: www.cfm.org.br
Instituto Edumed: www.edumed.net
Servidor de cursos: www.edumed.org.br
Boletim Edumed News: www.yahoogrupos.com.br/group/edumednews
Associação Médica Brasileira: www.amb.org.br
Associação Médica Americana: www.ama-assn.org
ACCME: www.accme.org
UNIFESP Virtual: http://virtual.epm.br
UniVir: www.univir.br
UNIREDE: www.unirede.br
UVB: www.uvb.br
Universidade Unimed: www.universidadeunimed.com.br
UV: www.universidadevirtual.com.br

* Sabbatini é professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estatal de Campinas (Unicamp), presidente e fundador do instituto Edumed para Educação em Medicina e Saúde


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