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Edição 31 - Abril/Maio/Junho de 2005

CRÔNICA

Ser filho de médico - José Simão

Ser filho de médico

“Sou viciado em bulas. Principalmente em reações adversas. Sinto todas”


*José Simão

Meu pai era médico, meu irmão é médico e eu sou hipocondríaco. O dia em que não tomo remédio algum, tomo um tylenol. Prá garantir! Crescer entre médicos é crescer ouvindo: espasmos, baixo ventre, tromboflebite, plasil, nádegas, injetável e me liga daqui três dias. E a pior coisa que podia acontecer com um hipocondríaco foi o que aconteceu comigo: ficar doente em Istambul! E ler as bulas em turco! Desespero total, a única palavra que entendia: tablets!


Sou viciado em bulas. Principalmente em reações adversas. Sinto todas! A mais preocupante, por causa do meu trabalho, é: diminuição da acuidade mental! E a melhor consulta que tive até hoje: “Doutor, toda vez que eu aperto aqui, dói”. “Então porque aperta?” respondeu o médico!

Meu pai era clínico geral das antigas, atendia doentes em casa. Esse é o meu sonho de consumo: ser atendido em casa. O apogeu do hipocondríaco! Quando ele ia ao hospital, eu ficava passeando com as freiras e comendo gelatina de hospital. Mas devo ter visto alguma coisa grave que apaguei da memória porque hoje não consigo entrar em hospital, tremo como vara verde e sinto que vou desmaiar! Quando atendia doentes na região da 25 de Março, me deixava no restaurante da dona Vitória, onde uma roda de libanesas vestidas de preto amassava quibe cru, e sempre sobrava pra mim. Talvez o quibe cru tenha me deixado tão forte!

O bom de ser filho de médico é se sentir a vontade no mundo dos remédios. O ruim é voce se achar capacitado para se automedicar e medicar os amigos. “Plasil não, é melhor tomar buscopan”. “Vagostesyl é muito fraco, toma logo um lexotan”. Eu sou do tempo do vagostesyl! E o pensamento básico do hipocondríaco quando um amigo ou parente de amigo está doente: se fulano está com isso, eu também estou. Se fulano teve aquilo, eu também tenho. E a hilária definição de urologista: “urologista é aquele que olha pro seu pingolim com desdém, pega com nojo e cobra como se tivesse chupado”. E para terminar tenho que confessar um coisa que realmente me envergonha: eu minto para os médicos!

* José Simão é colunista do jornal  Folha de São Paulo


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