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CAPA

EDITORIAL
Destaque desta Edição: debate sobre a pós-graduação em Medicina no Brasil


ENTREVISTA
Dom Eduardo Uchôa, reitor do Colégio e da Faculdade de São Bento, é o convidado especial desta edição


CRÔNICA
José Feliciano Delfino Filho - Zezo - escreveu especialmente para esta edição


CONJUNTURA
Quanto custa a violência urbana para a Saúde?


ESPECIAL
Um RX de Roraima, Estado rico em biodiversidade e... conflitos


DEBATE
Em discussão, a missão da pós-graduação no Brasil


MÉDICO EM FOCO
Sady Ribeiro conta sua jornada nos Estados Unidos


LIVRO DE CABECEIRA
A guerra contra os fracos - Edwin Black


HOBBY DE MÉDICO
Roberto Caffaro apresenta sua invejável coleção de canetas raras


GOURMET
A arte de inventar receitas - Roberto Franco Morgulis


CULTURA
A arte de Belmiro de Almeida nas telas, desenhos e caricaturas


HISTÓRIA DA MEDICINA
120 anos do Serviço de Oftalmologia da Sta. Casa de Misericórdia de São Paulo


ACONTECE
Cow Parade: maior exposição de arte de rua do mundo


CARTAS & NOTAS
Elogios ao novo projeto gráfico da Revista


GALERIA DE FOTOS


Edição 32 - Julho/Agosto/Setembro de 2005

LIVRO DE CABECEIRA

A guerra contra os fracos - Edwin Black

A guerra contra os fracos

Ao fechar o livro penso “nos que não irão nascer”, sob interesse e jugo de grandes empresas de biotecnologia.
Ieda T. N. Verreschi*

O autor, jornalista investigativo, reuniu milhares de documentos que revelam como surgiu Auschwitz e como sua sombra ainda paira sobre a humanidade, sob o manto da crescente engenharia genética. Faz um relato detalhado sobre a influência exercida por pensadores e cientistas – com o aval de organizações acadêmico-filantrópicas e o apoio de grandes forças financeiras – que introduziram, no início do século XX, nos EUA, o que pretendia ser uma ciência com o objetivo de criar uma raça nórdica superior – eugenia.


O movimento, iniciado em 1903, estendeu-se até anos recentes, influenciou muitos países – inclusive a Alemanha nazista – e progrediu além do julgamento de Nuremberg, onde tais medidas haviam sido declaradas crimes contra a humanidade. 

O livro relata que a Carnegie Institution, incorporada ao governo americano em 1902, dedicou-se por lei a encorajar a investigação e a aplicação do conhecimento para “aperfeiçoamento” da humanidade. Naquele ano, ela
incorporou a eugenia negativa às suas áreas de pesquisa erudita como astronomia, geofísica e biologia das plantas. Nessa instituição, Charles Davenport, engenheiro civil com doutorado em Zoologia pela Universidade de Harvard, foi o cruzado-chefe da eugenia pela confiança profissional obtida do seu trabalho no laboratório de biologia do Brooklyn Institute of Arts and Science, em Long Island. Ele ficou fascinado por Francis Galton – cientista inglês, primo de Darwin, idealizador da aplicação das técnicas de produção animal em humanos, ou eugenia positiva. Dele incorporou as teorias estatísticas em livro de 1899: Statistical Methods with Special Reference to Biological Variation.

Para êxito da campanha americana, disseminaram uma fraude acadêmica que, combinada a atividades filantrópicas, estabeleceram os fundamentos biológicos da perseguição a negros, brancos pobres, mexicanos, judeus, índios, epiléticos, alcoólatras, doentes mentais e outros seres humanos vulneráveis. Esterilizações, restrições matrimoniais para deter a reprodução de não nórdicos e de outros considerados incapazes, transformaram-se em ferramentas legais, baseadas na ciência e sancionadas nos tribunais mais elevados da nação, com o objetivo único de limpar os Estados Unidos de seus incapazes, seu décimo inferior. Raphael Lemkim (Varsóvia/ Duke University 1940) no livro onde cunhou o termo genocídio – O Domínio do Eixo na Europa Ocupada –, codificou os princípios e consagrou como criminosas as técnicas de purificação racial.

Após a adoção do tratado contra o genocídio, os EUA continuaram a esterilizar grupos de pessoas – por razões raciais ou eugênicas, reais ou supostas – e a impedir a reprodução, a interferir na procriação e a prevenir o nascimento de certos grupos de pessoas. Cerca de 20 mil indivíduos foram esterilizados pelos estados norte-americanos e não se sabe quantos incalculáveis outros foram, da mesma forma, tratados por programas federais em reservas indígenas ou em territórios americanos como Porto Rico, em nome da Lei e da Ciência.

Segundo Black, após a II Guerra Mundial, o termo eugenia foi sendo lentamente substituído por genética, sob nomes como genética humana e aconselhamento genético. Black diz que seu livro fala “pelos que jamais nasceram”. A obra também faz um alerta preventivo em favor dos direitos reprodutivos defendidos pela Planned Parenthood, pela interpretação de conexões nazistas, pelos detratores da Fundação Rockefeler e pela repercussão do temor às perspectivas da engenharia humana, comprometendo o real valor da pesquisa do genoma. 

Ao fechar o livro, penso “nos que não irão nascer”, sob interesse e jugo de grandes empresas de biotecnologia, de seguradoras e/ou pelo controle estatal; pela potencial seleção de sexo a partir das técnicas de reprodução assistida, pelo diagnóstico pré-implantacional, pela justificativa socioeconômica da contracepção hormonal, pelos abortamentos justificados pela autonomia materna, pela violência de gênero, pelo câncer social.

* Conselheira do Cremesp e professora adjunta da Disciplina de Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp)


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