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CAPA

EDITORIAL
Destaque desta Edição: debate sobre a pós-graduação em Medicina no Brasil


ENTREVISTA
Dom Eduardo Uchôa, reitor do Colégio e da Faculdade de São Bento, é o convidado especial desta edição


CRÔNICA
José Feliciano Delfino Filho - Zezo - escreveu especialmente para esta edição


CONJUNTURA
Quanto custa a violência urbana para a Saúde?


ESPECIAL
Um RX de Roraima, Estado rico em biodiversidade e... conflitos


DEBATE
Em discussão, a missão da pós-graduação no Brasil


MÉDICO EM FOCO
Sady Ribeiro conta sua jornada nos Estados Unidos


LIVRO DE CABECEIRA
A guerra contra os fracos - Edwin Black


HOBBY DE MÉDICO
Roberto Caffaro apresenta sua invejável coleção de canetas raras


GOURMET
A arte de inventar receitas - Roberto Franco Morgulis


CULTURA
A arte de Belmiro de Almeida nas telas, desenhos e caricaturas


HISTÓRIA DA MEDICINA
120 anos do Serviço de Oftalmologia da Sta. Casa de Misericórdia de São Paulo


ACONTECE
Cow Parade: maior exposição de arte de rua do mundo


CARTAS & NOTAS
Elogios ao novo projeto gráfico da Revista


GALERIA DE FOTOS


Edição 32 - Julho/Agosto/Setembro de 2005

HISTÓRIA DA MEDICINA

120 anos do Serviço de Oftalmologia da Sta. Casa de Misericórdia de São Paulo

Oftalmologia centenária



Serviço de Moléstia dos Olhos da Santa Casa, criado há 120 anos,
realizava o segundo maior número de consultas do hospital
devido à alta incidência de tracoma no país

O serviço de Oftalmologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo é um dos mais antigos do país e este ano comemora seu 120º aniversário. Foi fundado em 1885, pelo médico dinamarquês Peter Adolph Gad, sob o nome Serviço de Moléstias dos Olhos. Gad foi um dos primeiros oftalmologistas da cidade de São Paulo. Diversos jornais da época o citavam como um dos melhores do mundo, tendo influenciado toda uma geração de médicos no Brasil. Na época, a Oftalmologia ocupava lugar de destaque no hospital.

Sua importância era tal que, nos primeiros anos de existência da instituição filantrópica, seu quadro clínico era constituído por dois especialistas em moléstias internas, dois cirurgiões e um especialista em doenças dos olhos. Parte dessa importância deveu-se ao tracoma, doença cuja alta incidência mobilizou a comunidade médica mundial do final do século XIX até a década de 70 do século XX. A Clínica da Santa Casa foi pioneira no combate ao tracoma no Estado, transformando-se em centro de treinamento para médicos do Interior e referência no país. 

O médico Eusébio de Queirós Carneiro Mattoso – que chefiou a Oftalmologia da Santa Casa de 1899 a 1914 – dirigiu a primeira campanha oficial contra o tracoma no Estado de São Paulo e foi um dos artífices da criação de postos antitracomatosos em cidades com maior incidência da doença no Interior. No período de Mattoso, os registros da Santa Casa apontam que a clínica de olhos realizava o segundo maior número de consultas, superada apenas pela de Medicina Interna. 

Geraldo Vicente de Almeida – então diretor do Departamento de Oftalmologia da Santa Casa quando concedeu esta entrevista -  disse que a instituição é “o berço da Oftalmologia paulista”. “Aqui foi criado o primeiro Departamento e daqui saiu o primeiro chefe de Oftalmologia da Universidade de São Paulo. O médico João Paulo da Cruz Britto era o chefe do serviço na Santa Casa e foi convidado para chefiar a cadeira de Oftalmologia na USP”, informa.   

Em 1966, a direção da Santa Casa agrupou os serviços em departamentos. Assim, em 8 de julho daquele ano o serviço de moléstias dos olhos transformou-se em Departamento de Oftalmologia da Santa Casa, dirigido por Jacques Tupinambá. Em 1971, foi implantado na Faculdade de Medicina da Santa Casa o curso de especialização em Oftalmologia, incorporado ao departamento homônimo. Atualmente o departamento realiza cerca de 6.900 consultas ambulatoriais, 410 internações e 20 transplantes de córnea ao mês. O atual corpo clínico é formado por 17 médicos. Almeida fala com orgulho da trajetória da especialidade na Santa Casa. Além do serviço ambulatorial, a Oftalmologia conta com a enfermaria e o centro cirúrgico com cinco salas. Há também o ambulatório exclusivo para crianças. No sexto andar funciona o serviço de reabilitação a crianças cegas, com acompanhamento psicológico e pedagógico. “Ninguém constrói nada sozinho. Se hoje o departamento tem esse nível técnico e científico foi graças ao trabalho de todos os médicos que passaram por aqui”, relata Almeida.

A Santa Casa possui um museu de obras e objetos que contam a história da instituição. Boa parte do acervo é composta por aparelhos para diagnóstico e tratamento.

Movimento da Santa Casa de São Paulo em 1903

CLÍNICA  -  ADULTOS  -  CRIANÇAS  -  TOTAL


Medicina  -   12.073  -  6.524  -  18.597
Cirurgia   -    4.685  -  629  -  5.314
Ginecologia  -  3.230  -  - - -  3.230
Oftamologia  -  5.546  -  1.417 - 6.963
Otorrinolaringologia  -   759  - - - -  759

Revista Médica de São Paulo - Ano VII - n. 2 - 31 de janeiro de 1904

Primeiros casos de tracoma surgiram no Oriente Médio

No Brasil doença alastrou-se entre trabalhadores das lavouras de café

O tracoma é uma ceraconjuntivite bilateral caracterizada por folículos na conjuntiva, na fase aguda; e por cicatrizes na conjuntiva tarsal e córnea, na fase crônica. “O paciente fica com sintomas agudos de fotofobia, infecção na conjuntiva, grande irritação na córnea e secreções”, explica Roberto Endo, professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa. A notificação do tracoma é compulsória (na imagem acima, o serviço de atendimento ao tracoma em Ribeirão Preto, no início do século XX). 

Os primeiros relatos históricos da doença datam do século 7 a.C. O vírus Clamydia trachomatis afetou grande parte da população mundial, principalmente no Oriente Médio, onde foram registrados os primeiros casos da doença. No Brasil, surgiu por volta de 1890, em decorrência do grande fluxo de imigrantes, principalmente da Europa. A incidência de tracoma era alta entre trabalhadores nas lavouras de café. Acredita-se que a falta de higiene e as condições sanitárias precárias, foram os principais motivos para que a doença se alastrasse.

Até então sem cura e atingindo um número cada vez maior de pessoas, o tracoma passou a ser a grande preocupação de Emílio Ribas, diretor do Serviço Sanitário do país. Ribas nomeou o médico Guilherme Álvaro para estudar as reais dimensões da doença. Depois do estudo, foi elaborado um plano para combater o tracoma, que incluiu a criação do Serviço de Profilaxia e Tratamento do Tracoma, em 1906, com uma equipe de 50 médicos, desinfetadores e auxiliares. Foram abertos diversos postos antitracomatosos, principalmente em cidades que concentravam grande número de casos. Quando não tratado, o tracoma deixava seqüelas, sendo a cegueira a mais grave.

“O tratamento consistia em aplicações de altas concentrações de nitrato de prata nos olhos e raspagens da conjuntiva, o que, algumas vezes, provocava ferimentos maiores que os decorrentes da doença”, afirma o oftalmologista e conselheiro do Cremesp Adamo Lui Netto. “Esse tratamento radical, feito de forma exagerada e inadequada, é o que pode ter realmente provocado a cegueira de alguns pacientes na época, mas foram atribuídos ao próprio tracoma”, declara o conselheiro. Isso ocorreu até meados da década de 70 do século passado, quando um laboratório norte-americano sintetizou a oxitetracilina em forma de pomada – conseguindo controlar a doença. Mas de tempos em tempos aparecem surtos em algum ponto do planeta. No Estado de São Paulo, por exemplo, o número de casos saltou de 1.409 em 1991 para 10.079 em 1992, segundos dados do Centro de Vigilância Epidemiológica. A maioria dos casos foi registrada na região noroeste do Estado. Em 2003 a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a realização de inquéritos mundiais de doenças negligenciadas, dentre elas o tracoma.

O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo fornece orientação técnica para investigação e controle da doença, pelo site www.cve.saude.sp.gov.br (no menu à esquerda, em Doenças Crônicas Transmissíveis). A suspeita da ocorrência de casos de tracoma deve ser comunicada ao Sistema de Saúde. 


Fotos: Osmar Bustos
Créditos: Arquivo Museu da Faculdde de Medicina da USP e Santa Casa de São Paulo

Casos de tracoma no Estado de SP

ANO    -   CASOS
1984   -   406
1985   -   380
1986   -   229
1987   -   147
1988   -    37
1989   -   1.158
1990   -   1.409
1991   -   10.079
1992   -   6.146
1993   -   2.045
1994   -   3.435
1995   -   2.384
1996   -  1.038
1997   -   732
1998   -   660
1999   -   1.663
2000   -   458
2001   -   649
2002   -   1.318
2003   -   850

Fonte: CVE - Vigilância Epidemiológica



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