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CAPA

EDITORIAL
Nesta edição, uma entrevista, inteligente e informal, com o bibliófilo José Mindlin


ENTREVISTA
José Ephim Mindlin: inteligência, lucidez e bom humor numa entrevista surpreendente!


CRÔNICA
Crônica de Artur Xexéu: Dr. Kildare versus Dr. Casey... Você lembra desses seriados médicos?


MEIO AMBIENTE
Estado do Amazonas: as comunidades indígenas e o (difícil) acesso à saúde


CONJUNTURA
A difícil rotina dos médicos intensivistas em UTI pediátrica é tema de tese de doutorado


SINTONIA
Veja o que diz Lynn Silver, subsecretária de Saúde de NY, sobre o sistema de saúde norte-americano


DEBATE
Debate sobre Custos e Qualidade no atendimento à saúde reúne Cremesp, HSL e Unimed


HOMENAGEM AO DIA DA MULHER
Texto de Isac Jorge Fº, rico em detalhes, traz a triste história das mulheres ditas "feiticeiras"...


GOURMET
Prepare-se para sentar-se à mesa e saborear duas receitas simples, mas deliciosas!


HOBBIE
Acredite: médico e artista cria nova técnica de pintura a partir da expressão de rabiscos


COM A PALAVRA
Pra descontrair, consulte o Pequeno Glossário de Chistes Médicos, de Christopher Peterson


TURISMO
Ilha Grande... ah... essa viagem você tem que fazer! Fotos e texto transportam você para lá, virtualmente...


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Para quem gosta de uma boa leitura, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda


POESIA
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Edição 38 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2007

SINTONIA

Veja o que diz Lynn Silver, subsecretária de Saúde de NY, sobre o sistema de saúde norte-americano

Pobreza e obesidade são os grandes inimigos dos EUA

Subsecretária de Saúde de Nova York, Lynn Silver, fala da assistência médica norte-americana 

Paradoxalmente, a pobreza e a obesidade são grandes inimigos de saúde dos Estados Unidos que, juntamente com o tabagismo, causam a maioria dos óbitos que poderiam ser prevenidos. A obesidade tomou proporções epidêmicas no país. As doencas cardiovasculares e a diabetes, decorrente da epidemia de obesidade, afetam desproporcionalmente as populações de baixa renda. Em dezembro último, as autoridades sanitárias da cidade de Nova York aprovaram legislação que obriga a rotulagem de calorias nos cardápios dos restaurantes para manter as pessoas melhor informadas sobre os alimentos que podem agravar essas doenças. Também proibiram o uso de gorduras trans em restaurantes, a fim de evitar doenças cardíacas.


Uma das ferrenhas defensoras da implantação dessas medidas é a subsecretária de Saúde da cidade de Nova York, a pediatra Lynn Silver, de 49 anos, que possui cidadania brasileira e ocupou alguns cargos importantes no Brasil.



Silver nasceu em Nova York, mas tem duas filhas brasileiras: a carioca Isabel, de 16 anos e a brasiliense Isadora, de 9. Sua história no Brasil começou em 1989 como professora visitante da Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro. Logo tornou-se colaboradora do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e ajudou a montar o primeiro curso de ciências farmacêuticas da Universidade de Brasília (UnB). Em 2004 retornou à terra natal para assumir a subsecretaria em Nova York, responsável pela prevenção e controle de doen-ças crônicas. Uma das primeiras medidas da equipe de Silver foi estabelecer a notificação obrigatória da hemoglobina A1C para iniciar a vigilância epidemiológica e intervenções relacionadas à atual epidemia de diabetes, que se alastra pelos EUA.

“Nossos esforços são direcionados a mudar essa situação epidemiológica na cidade, além de buscar alternativas para um sistema de saúde mais justo para os cidadãos”, afirmou Silver em entrevista à Ser Médico, por e-mail. Segundo ela, as tentativas de criar um sistema equitativo são sempre frustrados pela oposição de grandes seguradoras e empresas farmacêuticas entre outras que têm interesses nesse filão de mercado.

O sistema de saúde dos EUA é complexo. “Uma das diferenças fundamentais com o Brasil é a falta de reconhecimento formal da saúde como um direito”, comenta Silver. A cobertura tradicional é feita por meio de seguros financiados por empresas. Dentro do serviço público existem dois tipos de seguros, um que serve apenas aos idosos maiores de 65 anos, chamado de Medicare e outro para adultos e crianças de baixa renda e deficientes físicos, o Medicaid. O Medicare é financiado por impostos da esfera federal; já o Medicaid, pelos governos federal, estaduais e municipais. “Apesar de gastar mais que o dobro de outros países de alto nível de desenvolvimento econômico – cerca de sete mil dólares per capita ao ano – , mais de 46 milhões de americanos não têm nenhuma cobertura de seguro saúde, seja no setor público ou no privado. E muitos têm apenas seguro parcial ou intermitente”, declara Lynn.

Segundo a pediatra, na cidade de Nova York, 49% dos adultos têm seguro privado, 13% têm acesso ao Medicare e 17% ao Medicaid. “Uma parte crescente da população carece de seguro público ou privado. Em Nova York essa parcela subiu de 12% para 17% da população adulta. São trabalhadores de baixa renda ou de pequenas empresas, ricos demais para o Medicaid e pobres demais para pagar um seguro privado, que custa em torno de três a cinco mil dólares por pessoa ou bem mais para uma família”, comenta Silver. “Os imigrantes ilegais também estão sendo excluídos progressivamente da cobertura pública na atual administração”, revela.
 
“As conseqüências desse quadro são totalmente previsíveis. Os desassistidos carecem de atenção preventiva e doenças crônicas e terminais acabam sendo detectadas tarde demais”, alerta Silver. “Entre as pessoas sem seguro em Nova York, 26% reportam sua saúde como ruim ou média, contra 12% das que possuem seguro privado. As dívidas médicas são causas freqüentes de falência para famílias”, lamenta.

Uma vida dedicada à saúde

Com larga experiência em saúde pública, Lynn Silver tem uma vida dedicada à área e um currículo recheado. É doutora em Medicina, fez residência em pediatria e mestrado em Saúde Pública no Johns Hopkins Hospital além de residência em Saúde Internacional pela Organização Pan Americana de Saúde, onde trabalhou como consultora. Atuou, ainda, no Public Citizen Health
Research Group, organização de defesa do consumidor na área da saúde. Trabalhou como voluntária no Ministério da Saúde e no Instituto de Reforma Agrária da Nicarágua entre 1979 e 1980.

Foi fundadora e secretária executiva da Rede de Investigação de Sistemas e Serviços de Saúde no Cone Sul. Além disso, foi coordenadora de pós-graduação em Administração e Planejamento em saúde na Escola Nacional de Saúde Pública doa Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro. Em 1994 iniciou colaboração com o Idec, inicialmente para avaliações relacionadas a produtos como camisinhas e testes de gravidez e, posteriormente, com medicamentos, acesso a serviços e regulação de seguros. Em 1996 mudou-se para Brasília, onde atuou como professora na UnB e coordenou o escritório do Idec. Atuou também como consultora da Organização Mundial de Saúde, do Banco Mundial, das fundações Ford e Kelloggs e do Escritório de Avaliação Tecnológica do Congresso Americano. Ainda hoje é professora-adjunta licenciada da UnB.


Em entrevista, médica elogia sistema de saúde público brasileiro e diz que ênfase na cara e alta tecnologia é o ponto fraco dos EUA

“O Brasil precisa agir rapidamente para evitar uma epidemia de diabetes e obesidade”

Ser Médico: Quais são os pontos fracos e os fortes do sistema de saúde norte-americano?
Lynn Silver:
Ele destaca-se pela capacidade de desenvolvimento da alta tecnologia e pela excelente qualidade técnica dos recursos humanos em saúde. Também dispõe de sistemas de vigilância epidemiológica e sanitária relativamente eficientes. Porém, a ênfase na alta e cara tecnologia é um de seus pontos fracos. Apesar das despesas enormes, o sistema não consegue  oferecer ações preventivas de qualidade, serviço de educação sobre uso racional de medicamentos e aconselhamento em áreas críticas como nutrição e atividade física. É um sistema profundamente inequitativo e de desperdícios. A falta de eqüidade e de cobertura universal é grave. É uma vergonha para o país mais rico do mundo.

O Brasil poderia servir de modelo de assistência à saúde para outros países? O Sistema Único de Saúde (SUS) é um modelo correto, que precisa ser aperfeiçoado. Se por um lado se espelhou em outros países, o SUS hoje serve de exemplo para a América Latina. Em tempos de muita pressão internacional para a adoção de modelos privados e de competição em saúde, sem que estes tenham qualquer evidência de superioridade, o SUS apresenta-se como uma alternativa mais eficiente e justa. Mas, claro, como qualquer sistema, precisa de investimento e apoio para funcionar bem.

Qual é o grande desafio da saúde em âmbito mundial?
Em todos os países faz-se necessária uma ênfase muito maior na qualidade da formação e dos serviços para atenção primária. A maioria dos pacientes precisa de serviços bem organizados para prestar assistência de qualidade a enfermidades crônicas, com uma abordagem holística e não de alta tecnologia. Nossos sistemas não foram criados para isso e necessitam ser repensados. Não há organização para ajudar alguém a deixar de fumar nem para tratar do excesso de peso ou das emoções. Tampouco estão olhando as mudanças no meio ambiente com suficiente seriedade para prevenir doenças. O Brasil avançou em algumas áreas, como a propaganda dos cigarros, mas precisa agir rapidamente para evitar a epidemia de obesidade e diabetes que está crescendo em números expressivos em quase todos os países das Américas.

Qual é a sua opinião sobre a saúde suplementar brasileira?
Os planos de saúde privados no Brasil representam um estranho transplante do sistema americano acrescido por uma política do essencialmente eqüitativo do SUS. Eles refletem a iniqüidade do país.

O Brasil poderia aproveitar algo do sistema de saúde dos EUA?
O Brasil faria e fez melhor ao perceber a realidade brasileira e adotar modelos como os da Escandinávia, Canadá e outros países europeus. Mas os EUA têm coisas boas. O rigor no credenciamento e avaliação de instituições formadoras de recursos humanos e prestadoras de serviço são importantes. A excelente qualidade científica das faculdades também.


(Colaborou, Vanessa Miano)


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