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EDITORIAL
Nesta edição, uma entrevista, inteligente e informal, com o bibliófilo José Mindlin


ENTREVISTA
José Ephim Mindlin: inteligência, lucidez e bom humor numa entrevista surpreendente!


CRÔNICA
Crônica de Artur Xexéu: Dr. Kildare versus Dr. Casey... Você lembra desses seriados médicos?


MEIO AMBIENTE
Estado do Amazonas: as comunidades indígenas e o (difícil) acesso à saúde


CONJUNTURA
A difícil rotina dos médicos intensivistas em UTI pediátrica é tema de tese de doutorado


SINTONIA
Veja o que diz Lynn Silver, subsecretária de Saúde de NY, sobre o sistema de saúde norte-americano


DEBATE
Debate sobre Custos e Qualidade no atendimento à saúde reúne Cremesp, HSL e Unimed


HOMENAGEM AO DIA DA MULHER
Texto de Isac Jorge Fº, rico em detalhes, traz a triste história das mulheres ditas "feiticeiras"...


GOURMET
Prepare-se para sentar-se à mesa e saborear duas receitas simples, mas deliciosas!


HOBBIE
Acredite: médico e artista cria nova técnica de pintura a partir da expressão de rabiscos


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Pra descontrair, consulte o Pequeno Glossário de Chistes Médicos, de Christopher Peterson


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Ilha Grande... ah... essa viagem você tem que fazer! Fotos e texto transportam você para lá, virtualmente...


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LIVRO DE CABECEIRA
Para quem gosta de uma boa leitura, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda


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Edição 38 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2007

HOBBIE

Acredite: médico e artista cria nova técnica de pintura a partir da expressão de rabiscos

Rabisco e arte

A partir de rabiscos feitos enquanto fala ao telefone, médico desenvolve técnica de pintura muito particular

Já imaginou construir uma paisagem ou desenvolver um tema artístico utilizando rabiscos feitos enquanto fala ao telefone? Ou os desenhos traçados sem perceber enquanto divaga? Essa é a técnica explorada pelo médico e diretor da Vigilância e Saúde da Prefeitura de São Bernardo do Campo, Wagner Kuroiwa, 60 anos, especializado em Saúde Pública e Direito Sanitário. Há cinco anos, percebendo que armazenava grande quantidade de “desenhos-rabiscos” produzidos em reuniões e outras situações cotidianas, resolveu recortá-los, colando sobre papel ou tela para desenvolver temáticas por meio do colorido.

Em estado bruto, esses registros continham espontaneidade e emoções diárias. Com a intervenção, ganharam conteúdo. “Meus quadros têm sempre um abstrato, uma mensagem, às vezes até mesmo uma provocação, um questionamento. Aliás, como médico tenho esse dualismo da morte e da vida permanentes. Existe um giro em torno disso”.


Tela intitulada Solitude, a preferida do médico-pintor

Na mostra intitulada Desenhos e Pinturas, realizada em dezembro último na Galeria Mali Villas-Bôas, em São Paulo, Kuroiwa instigou os espectadores. “Os trabalhos são inquietantes e detalhistas. Na realidade, são dois quadros em um só. O trabalho é dobrado. São feitos para olhar de perto e perceber os detalhes, há muita história por trás. Além do que se vê de longe, ao chegar perto há uma seqüência de informações para passar bastante tempo visualizando. Eles não poderiam ficar em um consultório ou hospital, porque não transmitem calma. A vivência do médico e artista, que tem uma vida agitada, de correria, é incorporada e passada na arte”, avaliou Luís Bayon, escultor e arte-educador durante visita à exposição. “O que me chamou a atenção foi a tremenda paciência que o artista teve ao desenhar tudo. É um trabalho muito detalhado, com uma variedade de cores que enlouquece”, analisou o escultor Arthur Guerizoli.

“Como trabalho com muitos artistas durante o ano, posso dizer que ele é um dos três melhores de 2006. É um trabalho diferenciado e forte. Ele é inquietante, é preciso chegar muito perto para saber porquê ele pinta isso e o que é isso, afinal”, elogia Mali Villas-Bôas, proprietária da galeria homônima.

Contra a luz, é perceptível um certo relevo no conjunto da obra, devido ao processo de colagem. Apesar das sobreposições, o trabalho é rápido. “Em um fim de semana, chego a produzir oito, nove quadros”, conta. Com uma técnica tão diferente, o médico teve de inventar soluções para os problemas que surgiram. Como a caneta esferográfica esmaece e o papel fica amarelado com o tempo, ele redesenhou boa parte dos originais com bico de pena, tintas nanquim e acrílica diluída (o que confere aparência de aquarela ao quadro) para preservar a característica de caneta esferográfica.

Classificar seu estilo é difícil. “Em alguns trabalhos pode parecer Pontilhismo, noutros Impressionismo ou ainda Expressionismo. A definição fica por conta dos críticos de arte”, brinca. Ele estudou História da Arte e desde a infância gostava de desenhar e pintar. Realizou parte do curso de medicina em Lisboa, Portugal, onde foi diretor de artes do centro acadêmico e produzia cartazes com técnicas clássicas de pintura, principalmente pastel e aquarela. Em 1969 ganhou seu primeiro prêmio, na I Bienal Universitária de Lisboa.
 
A utilização de imagens de órgãos, vísceras e membros é uma constante em seu trabalho. Ele também fez releituras de obras clássicas de Ticiano, Caravaggio e Gustav Klint. Do austríaco Pietr Bruegel, reproduziu, ao seu estilo, Cego conduzindo cegos.

A equipe de reportagem pediu e ele citou a sua obra preferida, intitulada Solitude. “Senti uma emoção particular. Ela tem uma mensagem extra, não é apenas o retrato de uma circunstância. É a solidão prazerosa. E se você observar os detalhes encontrará rim, bexiga, útero, fígado. O colega médico identificaria muita coisa nesse quadro” diz. Para ele, a medicina e a arte são sinérgicas. “Na medicina, utilizo a racionalidade, a lógica, a inteligência. Na arte, a intuição, o instinto, a espontaneidade. A medicina é ciência e arte ao mesmo tempo. São áreas do cérebro distintas e que aproveito uma para modular a outra e funcionarem bem”, conta. Em 1998, “brincando” com radiografias, descobriu que poderia fazer algo criativo com o material. “Os médicos têm mania de escrever em radiografias. Colando uma na outra pude fazer quadros em grandes dimensões, um deles com mais de 200 radiografias”, conta.

Kuroiwa já expôs no John Mabe Escritório de Arte em São Paulo, no Salão da Associação Nipo-Brasileira de São Paulo – onde ganhou dois prêmios e recebeu menção honrosa. Em 1995 participou da mostra coletiva do centenário da Amizade Brasil-Japão, no Museu Metropolitano de Curitiba. Ilustrou capas de listas telefônicas de municípios do Grande ABC e ganhou prêmios no Salão Bunkyo de Artes Plásticas em 1997 e 1998.


O quadro Curta História: órgãos humanos nos detalhes


(Colaborou, Rosangela Silva)

         

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