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CAPA

PONTO DE PARTIDA (SM pág. 1)
Cremesp e Uniad, à frente do Movimento Propaganda Sem Bebida, levam à Brasília 600 mil assinaturas pela aprovação do PL 2733


ENTREVISTA (SM pág. 04)
Acompanhe uma conversa franca e informal com o presidente do CNPq, Marco Antonio Zago


CRÔNICA (SM pág. 08)
A síndrome da hipocondríase dos terceiranistas de Medicina comprovadamente existe... por Moacyr Scliar


MEIO AMBIENTE (SM pág. 10)
A (difícil) convivência da nossa saúde - física e mental - com o trânsito caótico da cidade


SINTONIA (SM pág. 15)
A omissão terapêutica a pacientes terminais sob o ponto de vista jurídico


DEBATE (SM pág. 18)
Em discussão a relação do médico com o adolescente. Convidadas: Maria Ignez Saito e Albertina Duarte


COM A PALAVRA (SM pág. 26)
Chamado de bruxo do Cosme Velho, Machado de Assis é analisado por José Marques Filho


HISTÓRIA (SM pág. 30)
Arquivo histórico da Unifesp: acervo surpreende pela diversidade de peças e documentos


ACONTECE (SM pág. 32)
Engenhocas de muita utilidade e outras nem tanto assim... confira as idéias patenteadas do Museu das Invenções. Ele existe!


CULTURA (SM pág. 35)
Exposição de Pets gigantes às margens do Rio Tietê conscientiza sobre preservação da água


GOURMET (SM pág. 38)
Prepare a mesa: você vai saborear um cuscuz marroquino fácil (mesmo!) de fazer


TURISMO (SM pág. 42)
Tranquilidade, coqueiros à beira-mar, belas praias e paisagens. Agende sua próxima viagem de férias para este paraíso...


POESIA
Gregorio Marañon, médico e escritor espanhol, fecha esta edição com simplicidade e emoção...


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Edição 43 - Abril/Maio/Junho de 2008

MEIO AMBIENTE (SM pág. 10)

A (difícil) convivência da nossa saúde - física e mental - com o trânsito caótico da cidade

Trânsito X Saúde

A volumosa frota de veículos da Capital rouba espaço de convivência, tempo e saúde dos paulistanos


Uma cidade do tamanho de São Paulo, com 10,8 milhões de habitantes e uma frota de 4,5 milhões automóveis de passeio, do total de seis milhões de veículos em circulação, é por si um equívoco urbano. Aliada à precariedade do transporte coletivo e à falha na fiscalização das emissões de gases por veículos, o equívoco toma proporções de grave problema de saúde pública. Trânsito e poluição estão inexoravelmente relacionados. As teses sobre urbanismo e especialistas tendem a apontar o investimento pesado em transporte coletivo, principalmente em em linhas de metrô, como a medida mais importante para reduzir os congestionamentos.

Porém, o desempenho da maior capital do Brasil é pífio nesse setor, comparado a grandes cidades do mundo (veja quadro na pág. 11). Na Grande São Paulo, onde o trânsito se torna cada vez mais caótico, o nível de poluição voltou a piorar em 2007, após um ciclo de queda registrado desde 2002. Um levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo, com base em boletins diários de qualidade do ar da Cetesb, indicou um salto de 54% no número de vezes em que o ar apresentou qualidade inadequada ou má em 2007, comparado a 2006. Além disso, o número de dias em que o ar esteve inaceitável em pelo menos uma das 24 estações de medição, devido ao excesso de ozônio, subiu 45,6% entre 2006 e 2007.

Dados da Cetesb indicam o total de gases nocivos emitidos na atmosfera na Grande São Paulo, em 2007, para cinco poluentes: foram 1.496,5 mil toneladas de monóxido de carbono (CO), 365 mil toneladas de hidrocarbonetos (HC), 339 mil toneladas de óxido de nitrogênio (NOx), 8,1 toneladas de óxido de enxofre (SOx) e 29,5 mil toneladas de material particulado (mp) – fumaça preta.

Os dados são da Comissão de Estudos de Emissões de Veículos Leves da Associação de Engenharia Automotiva. A circulação de caminhões que liberam fuligem preta, moto e veículos com escapamento propositalmente aberto, velhas e ruidosas kombis são cenas normais na malha viária paulistana, evidenciando uma das facetas do subdesenvolvimento na metrópole. Mas aquilo que passa despercebido sob os narizes das autoridades de trânsito, não poupa o aparelho respiratório da população. Além das doenças asssociadas à poluição, o trânsito entupido e os congestionamentos crônicos nos horários de “pico” também contribuem para aquelas relacionadas ao estresse. E o pior é que o problema se alastra para o interior do Estado. Vários municípios apresentaram saturação por gases nocivos em 2007.

Paulo Saldiva, patologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, faz pesquisas há 30 anos sobre as doenças associadas à poluição e ao trânsito. Ele chama a atenção para as ocorrências subclínicas da situação. “Não há quadros de febre ou dor, os sintomas estão mais relacionados à irritação ocular, irritabilidade ou alteração comportamental. Mas essa informação subclínica durante décadas leva ao aparecimento de uma série de doenças, entre elas a arteriosclerose e o câncer. É como se a pessoa fumasse um ou dois cigarros por dia. Para a maior parte dos paulistanos não vai fazer mal algum, mas um grupo de pessoas que já possui doenças prévias ou um perfil genético, vai adoecer”. Saldiva lembra ainda que essas doenças aumentam as internações hospitalares e a mortalidade. “Outro estudo importante que fizemos levou à constatação de que o sistema reprodutor é afetado: nascem menos homens nas regiões mais poluídas porque o gameta Y é mais vulnerável”, revela o professor.

A necessária redução das emissões de gases de origem veicular, para proteção à saúde nas grandes cidades, implica tanto o investimento em tecnologia quanto um programa de monitoramento efetivo dos níveis de poluição. O Protocolo de Kyoto propôs a meta de redução de CO2 proveniente dos veículos automotores a 120 gramas por quilômetro percorrido até 2012, frente a média de 163 gr/km emitidos atualmente em muitos países em desenvolvimento.

Nas grandes cidades do norte da Europa, o controle já ultrapassou a simples medição do nível de partículas liberadas no ambiente pela queima de combustíveis. Atualmente controla-se o nível de partículas finas e ultra-finas no ar.

Em São Paulo, o Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores – Proconve, da Cetesb, monitora desde de 1986 apenas as emissões de gases eliminados por combustíveis. “O uso da tecnologia colabora na medida em que o órgão de trânsito implanta semáforos mais modernos, que permitem melhorar a sua eficiência. Isso contribui  um pouco para a redução dos congestionamentos e, conseqüentemente, da emissão de poluentes produzidos por veículos parados”, pondera o diretor de Operações da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), Adauto Martinez Filho.

O professor Saldiva ressalta que se não fosse pelo trabalho feito desde 1986 até hoje pelo Proconve, a situação seria pior. “Estima-se que ele tenha evitado a mortalidade precoce de cerca de duas a três pessoas por dia. Em 10 anos, são quatro mil pessoas que não morreram. A economia médica associada a isso está em torno de 150 milhões de dólares por ano. Considerando os atendimentos médicos e a contribuição fiscal de uma pessoa economicamente ativa, isso significa um bilhão e meio de dólares ao ano”, calcula o professor.

A necessidade da redução da emissão de gases dos veículos automotores deve atender à regulamentação da Resolução 315/02-Fase P6, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A normativa exige que a partir de 2009 seja melhorado o processo de combustão e tratamento de gases dos motores atuais e também das características dos combustíveis. “A resolução obriga a redução de 80%, até janeiro de 2009, da emissão de material particulado no ambiente”, lembra Gabriel Murgel Branco, engenheiro e consultor em controle de emissões veiculares.

Constatou-se que o atendimento aos limites regulamentados somente poderá ser alcançado compatibilizando-se as inovações tecnológicas dos motores com a dos combustíveis. A cidade licencia mil veículos por dia útil, o que significa 250 mil a mais a cada ano. Paulo Saldiva chama a atenção para o fato de essa grande frota roubar espaços da cidade, que poderiam ser ocupados por área de convivência mas são utilizados para alargar avenidas e construir estacionamentos. “A maior parte dos médicos prescreve que as pessoas caminhem, mas onde elas podem fazer isso? Uma solução seria diminuir o número de veículos e aumentar o espaço de convivência. Mas hoje não temos como sugerir isso ao paulistano porque a qualidade do transporte público é ruim”, destaca o professor. “São Paulo tem ilhas de calor enormes na região central por falta de cobertura vegetal. Essas ilhas estão claramente associadas à mortalidade por doenças cardiovasculares, derrames e infartos do miocárdio”, conclui Saldiva. 

Metrô na metrópole

Cidade            Quilômetros de trilhos            População (em milhões)

Londres                        408                                             7,5
Nova Iorque                 368                                             8,2
Paris                             212                                             2,2
Cidade do México       201                                             8,5
São Paulo                      61                                             10,8


Doenças associadas à poluição atmosférica

Infecções respiratórias       ......................    Abortamento
Pneumonia              ...............................  Arritmias cardíacas
Bronquite crônica   .....................................    Infarto Agudo do Miocárdio
Rinite       ...............................................    Infarto cerebral
Asma    ............................. Câncer de pulmão e vias aéreas superiores
Conjuntivite     ...................................    Baixo peso ao nascer

Fonte: Depto. de Patologia/Fmusp - Saldiva, P.

As bicicletas de Paris

O trânsito caótico e nocivo não é “privilégio” de São Paulo. Paris, que tem uma malha metroviária das mais abrangentes do mundo também tem congestionamentos – principalmente no centro. A diferença é que lá o problema já gerou medidas efetivas. Em julho de 2007, a prefeitura parisiense colocou em funcionamento o sistema Vélib de aluguel de bicicletas, com o objetivo de melhorar o trânsito e diminuir a poluição.

Foram disponibilizadas em vários pontos da cidade 20.600 bicicletas. O usuário paga uma taxa, que pode ser anual, mensal, semanal ou a diária de um euro, para utilizar o serviço. Ele pode retirar a bicicleta em um ponto e devolver em outro, próximo ao seu destino – o que também permite o uso integrado com o sistema de transporte coletivo. Para construir as ciclovias houve uma redução no número de pistas utilizadas por carros em grandes avenidas e ruas centrais. Além disso, reduziu-se o número de vagas de estacionamento para veículos na cidade. A proposta é desestimular a utilização de carros de passeio. Já existe em Paris 371 quilômetros de ciclovias.

A cidade francesa de Lyon tem um sistema de bicicletas públicas desde 2005. De lá para cá o número de ciclistas na cidade quadruplicou, evitando-se a emissão de 3.600 toneladas de CO2, com os 20 milhões de quilômetros percorridos pelas bicicletas. No Brasil, foi lançado em janeiro o projeto Rio - Estado da Bicicleta para estimular o ciclismo como meio de transporte nas cidades do Rio de Janeiro, mas falta ainda viabilizar as ciclovias. Em São Paulo, segundo o diretor de operações da CET, Adauto Filho, o Projeto Pró-ciclista desenvolvido dentro da Prefeitura estuda o aumento do uso da bicicleta na cidade, mas ainda está em andamento.

Paulo Saldiva, um dos raros paulistanos que há 30 anos usa a bicicleta para locomover-se, lembra que será preciso criar ciclovias para fins de transporte operacional. “Mas até agora só temos ciclovias em parques, com nítida conotação de lazer”, lamenta. Na Capital, as dificuldades não estão apenas relacionadas à falta de iniciativa política. A idéia das bicicletas, se um dia sair do papel, enfrentará obstáculos naturais, entre eles a acidentada geografia paulistana, cheia de altos e baixos e os longos períodos de chuvas. Outro fator contrário é o clima quente. Aquele que se utilizar desse meio de transporte para chegar ao trabalho terá de suar a camisa, literalmente.

A saída do congestionamento continua sendo o transporte coletivo, cujos investimentos no setor, há décadas, andam a passos de tartaruga.



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