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CAPA

PONTO DE PARTIDA (SM pág. 1)
Em Editorial, Henrique Carlos Gonçalves enfatiza a importância de realizar um amplo debate para atualização do Código de Ética Médica


ENTREVISTA (SM pág. 4)
Acompanhe entrevista com psicanalista e escritor...


CRÔNICA (SM pág. 10)
O cronista Tutty Vasques, convidado desta edição, nos brinda com texto inteligente e - como sempre - muito bem humorado


CONJUNTURA (SM pág. 12)
Dados sobre asfixia perinatal durante a última década mostram que esta foi a causa de morte em 23% dos óbitos neonatais no Brasil


HISTÓRIA DA MEDICINA (SM pág. 16)
O coração sempre ocupou papel de grande importância no simbolismo relacionado ao homem


DEBATE (SM pág. 20)
Na pauta das discussões, a (necessária e inadiável) revisão do Código de Ética Médica


EM FOCO
Saúde feminina é mais suscetível ao alcoolismo e sedentarismo, segundo importantes indicadores de saúde


HOMENAGEM
É preciso lembrar o médico nefrologista que marcou, com coragem e idealismo, a história do movimento médico no país


LIVRO DE CABECEIRA (SM pág. 33)
O destaque desta edição é, de fato, imperdível: A Verdade Sobre os Laboratórios Farmacêuticos, de Márcia Angell


CULTURA (SM pág. 34)
Acompanhe uma análise do simbolismo das telas de René Magritte, realizada pelo psiquiatra e psicanalista Carlos Amadeu Byington


HOBBY DE MÉDICO (SM pág. 38)
Acredite: ortopedista utiliza filadores externos para produzir peças pra lá de curiosas...


TURISMO (SM pág. 40)
Se você nunca ouviu falar no Atacama, este é o momento de arrumar as malas em direção ao... Chile!


CARTAS & NOTAS (SM pág. 47)
Todas as referências bibliográficas das matérias desta Edição você encontra aqui


POESIA
O Fogo e a Fé, poesia de Fátima Barbosa, fecha, com emoção, as matérias deste número


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Edição 44 - Julho/Agosto/Setembro de 2008

HOMENAGEM

É preciso lembrar o médico nefrologista que marcou, com coragem e idealismo, a história do movimento médico no país

Roberto Chabo

Corajoso e idealista, o nefrologista foi decisivo na história do movimento médico

O reconhecimento do nefrologista Roberto Chabo, falecido em 2007, ultrapassa as fronteiras da prática médica. Chabo foi preso algumas vezes durante os anos em que o Brasil viveu sob ditadura militar, entre 1964 e 1984, sendo considerado por seus contemporâneos, além de grande médico, um corajoso homem de ideais públicos que arriscou a vida naqueles anos de ditadura.

Militante estudantil desde os tempos em que freqüentava a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Pernambuco, onde se formou em 1961. Um dos raros períodos em que manteve certa distância da política foi para dedicar-se exclusivamente à Residência Médica, no Hospital do Servidor do Estado do Rio de Janeiro (HSE-RJ).

Na ocasião, Chabo fez Residência em Nefrologia organizada pelo médico Teobaldo Viana – que contava com um rim artificial, algo inovador em relação aos equipamentos disponíveis em outros hospitais. Em 1964, mesmo ano do golpe de Estado articulado pelos militares que depuseram o presidente João Goulart, Chabo participou do primeiro transplante de rim realizado na América Latina, integrando a equipe dos médicos Youssef Bedran Jayme Landmano,  no HSE-RJ. Mas Chabo não conseguiu escapar da caça às bruxas deflagrada pelos golpistas. Delatado como comunista – supostamente por um colega do hospital que, sob tortura, teria entregado uma lista de “subversivos” – ele acabou preso pelo Departamento de Ordem e Política e Social (Dops). 

Foram 30 dias entre a carceragem do Dops e o presídio Caetano de Faria. Nessas passagens, Chabo dividiu cela com o sanitarista Gentile Melo e o ator Mário Lago. Liberado por falta de provas, respondeu a três inquéritos administrativos e, após um desentendimento com Teobaldo Viana, foi transferido para o Hospital Alexandre Lemem.

Dois anos depois, em 1966, foi preso novamente, dessa vez por ter prestado ajuda a Hebert José de Souza, o Betinho, que era hemofílico. Vindo do Uruguai clandestinamente, já que era perseguido pelos golpistas no Brasil, Betinho foi internado como paciente do HSE porque necessitava de transfusão de sangue. Chabo prestava atendimento a Betinho, quando ambos foram presos pela polícia política.

Entre 1966 e 1968, o nefrologista, junto a outros colegas, tentou reorganizar o movimento médico – as reuniões eram feitas na clandestinidade, durante os plantões dos hospitais, à noite. Em 1980, quando o Brasil iniciava um movimento de abertura política, Roberto Chabo foi eleito presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Janeiro. Naquela época, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) estava sob intervenção militar e todas as demandas éticas profissionais eram atendidas pelo Sindicato dos Médicos. Sob a presidência de Chabo, o grupo eleito para o sindicato fazia mobilizações em hospitais e atos públicos por melhores salários e condições de trabalho, com expressiva cobertura da imprensa, que culminou na grande greve dos médicos da rede pública em 18 de março de 1981.

Até junho do mesmo ano ocorreram outras paralisações, que somaram 57 dias, de forma intercalada. Durante uma assembléia com cerca de cinco mil médicos, o sindicato sofreu intervenção militar. A partir de então, seus diretores foram abrigados em salas da Sociedade de Medicina e Cirurgia, onde também aconteciam as reuniões do coletivo de médicos. Entre intimidações e ameaças, os interventores propuseram a liberação do Sindicato, mas destituíram Chabo da presidência da entidade. Três meses após a primeira greve, durante uma reunião com a diretoria do Sinmed na sede da Sociedade de Medicina, soldados armados com metralhadoras conduziram Chabo ao Departamento de Polícia Política e Social (DPPS).

De novo Chabo estava preso. “Por ocasião dessa prisão, saímos de São Paulo até o Rio de Janeiro em uma caravana de dirigentes sindicais – entre os quais estava o hoje presidente do país, Luis Inácio Lula da Silva. Do aeroporto Santos Dumont, seguimos caminhando até a sede da Sociedade de Medicina e Cirurgia, local onde houve um ato de desagravo pela prisão e uma manifestação por sua libertação”, relembra o conselheiro do Cremesp, Eurípedes Balsanufo Carvalho, que na época era diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo.
 
No ano seguinte, Chabo foi reeleito presidente do Sindicato dos Médicos. Entre 1986 e 1991, ele presidiu a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), sendo condecorado com a Medalha Nacional do Mérito Médico.

Após sua saída da Fenam, foi sucedido por Eurípedes na presidência da entidade. “Na época da sucessão nós tivemos uma convivência fraterna e amiga. Do ponto de vista de liderança, de luta dos médicos, ele talvez tenha sido o principal expoente do movimento médico do Brasil. Nos anos em que era liderado por Chabo, o movimento médico teve projeção nacional e a dimensão pública nunca visto antes”, opinou Eurípedes.

Em 1992, Chabo foi convidado para assumir a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, na gestão de Jamil Haddad como ministro da Saúde, no governo de Itamar Franco. No exercício desse cargo, Chabo visitou praticamente todos os estados brasileiros para defender o decreto-lei 793, de 1993 – e que deu origem à Lei dos Medicamentos Genéricos – proposto pelo ministro Haddad. Ao deixar o cargo no ministério, retornou ao Setor de Nefrologia do HSE e manteve atendimento em consultório particular. Em 2000, assumiu a subsecretaria de Saúde, convidado por Gilson Cantarino, então secretário estadual da Saúde do Rio de Janeiro. Em 2002 deixou o cargo para assumir a coordenadoria do Rio-Transplante, onde permaneceu até 2003.

Concomitantemente, assumiu o cargo de auditor-chefe da Secretaria de Estado de Saúde. Em janeiro de 2007, convidado pelo secretário de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, Sérgio Cortes, assumiu a ouvidoria-geral da pasta, onde permaneceu até a morte em 2 de setembro de 2007, de falência múltipla dos órgãos, aos 71 anos.

Trabalho reconhecido

“Roberto Chabo foi um dos mais proemi­nentes lí­deres da reforma sanitária brasileira. Na frente do movimento sindical dos médicos, ele sempre defendeu um sistema público, universal e gratuito, cuja materialização se deu no Brasil por meio do SUS. Deu também sua contribuição no governo, quando foi secretário Executivo do Ministério da Saúde. Tenho muitas saudades do Chabo. Mas o exemplo que ele nos legou será continuado por nós, seus amigos, e pelas novas gerações”. Paulo Buss, presidente da Fiocruz

“Roberto Chabo foi um dos maiores no­mes  do sindica­lismo brasileiro. Um exemplo de luta, abnegação e deter­minação para nós. Médico que soube como poucos fazer do exercício da Medicina um real e compromissado exercício de cidadania. Dr. Chabo compreendeu o tamanho do compromisso social que o médico tem para com sua comunidade e com seus compatriotas. O legado que Dr. Roberto Chabo deixou deve ser seguido por todos os que militam no movimento médico brasileiro. Em dezembro do ano passado, batizamos nossa sala de reuniões com o nome desse grande sindicalista. Foi o reconhecimento da Federação por tudo o que ele fez pela valorização do trabalho médico e por melhores condições de assistência à saúde da população”. Eduardo Santana, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam)


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