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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
Dia do Médico: entidades se mobilizaram pela valorização da profissão


ENTREVISTA (pág. 4)
Acompanhe uma conversa informal com o artista plástico Guto Lacaz


SUSTENTABILIDADE (pág. 9)
Vem aí a nova Carteira de Identidade profissional em policarbonato, digital


CRÔNICA (pág. 11)
Texto de Tutty Vasques*, colunista do jornal O Estado de São Paulo


SINTONIA (pág. 13)
Séries exageram no conteúdo e na exposição, de médicos e pacientes


COM A PALAVRA (pág. 14)
Se você ainda não leu, veja o que está perdendo...


CONJUNTURA (pág. 18)
Para a secretária-geral da CNRM é preciso revisar os programas de ingresso na RM


DEBATE (pág. 22)
Psiquiatras avaliam o atendimento aos pacientes infratores


GIRAMUNDO (págs. 28/29)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e da atualidade


PONTO COM (pág. 30)
Acompanhe as novidades que agitam o mundo digital


EM FOCO (pág. 32)
O compositor e pianista alemão sob a perspectiva da psiquiatria forense


GOURMET (pág. 35)
Dolma: dicas para a preparação de um prato tradicional da Armênia


CULTURA (pág. 36)
O acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo


TURISMO (pág. 42)
Muito além de suas famosas muralhas...


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 47)
O vice-presidente da Casa recomenda: Steven Pinker


POESIA( pág. 48)
Roberto Perche: radiologista, poeta, escritor e contista


GALERIA DE FOTOS


Edição 53 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2010

TURISMO (pág. 42)

Muito além de suas famosas muralhas...

A China possível e seus contrastes
Rodrigo Magrini*




Habitantes de Pingyao, cidade medieval

Qualquer um que se proponha a conhecer a China terá de começar a viagem muito antes de pisar no solo daquele enorme país, de múltiplas etnias e línguas, 9,5 mil quilômetros quadrados de extensão e mais de 7 mil longos anos de registro da história da civilização humana. A primeira aventura será escolher que cantões visitar nesse país das dinastias esplendorosas do passado, de belezas criadas pela natureza e pelas mãos humanas.


Torre de guarda sobre o muro de Pingyao

A minha, nesta matéria, começa por Pingyao, exemplo excepcional de uma cidade das dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1911), que representavam os povos da etnia Han. Fundada no século 14, Pingyao está no centro da província de Shanxi, encravada entre as montanhas Tai Yue, Tai Hang e Tai Liang.

Foi muita sorte ter chegado à cidade logo pela manhã, quando havia pouco movimento e, como numa máquina do tempo, fui transportado à China medieval, tão diferente dos centros urbanos, poluídos e caóticos, cercados de arranha-céus de estilo duvidoso e trânsito infernal. Pingyao é mágica! Nela tudo é original, diferente das cidades europeias medievais, nas quais o restauro, de tão perfeito, às vezes parece artificial.


Rua de Mong Kok, na península de Kowloon, em Hong Kong

Cercada por muralhas de 10 metros de altura e 6,5 quilômetros de comprimento, pelas quais duas carruagens podem percorrer seu topo lado a lado, a cidade tem formato de uma tartaruga, animal que simboliza vida longa para os chineses. No interior, suas quatro avenidas e as 80 ruas e ruelas são ornamentadas por um bem preservado conjunto arquitetônico, que parece homogeneamente medieval ao leigo, mas foi erguido ao longo de 500 anos, período em que a cidade foi o centro bancário da China. Do lado de fora, as muralhas são circundadas um fosso de 10 metros de largura e 10 de profundidade.


Na primeira imagem, muralhas de Pingyao, cidade construída nas dinastias Ming e Qing. Na segunda, grutas de Yugang Shika, que reúnem mais de 50 mil esculturas de Buda 

As pessoas moram, trabalham e vivem intensamente nessa cidade intramuros. Há uma vida local vibrante e tradicional. As residências de madeira têm, invariavelmente, uma área central com uma fonte de água para refrescar as famílias no verão. Nessas áreas, os amigos se reúnem para jogos de tabuleiro, animados por conversas e chás.

É uma parte da China rural, tradicional e simples – e, por isso, encantadora –, que ainda não se industrializou e vive da terra e do comércio. Em Pingyao não se fala inglês, não se ouve hello, thank you ou bye, bye. As pessoas não param ninguém na rua para vender uma camiseta polo falsa ou o último modelo de bolsa de “grife” para a girlfriend ou wife. Nos restaurantes também não há cardápio internacional, o que torna uma aventura à parte pedir um prato qualquer.

Apesar da longa viagem, Pingyao é relativamente pequena e três dias são suficientes para que o turista possa partir para outras aventuras. Assim, segui de ônibus rumo a Datong, cidade, também da província de Shanxi, fundada durante a dinastia Han, por volta do ano 200 a.C; e que foi tomada pela dinastia Wei, no ano 386. Sob domínio Wei, foram construídas grutas para culto do budismo nos seus arredores. Entre os anos 460 e 525 construíram-se as 253 grutas de Yugang Shiku, com mais de 50 mil esculturas de Buda. Em 1211, Datong foi conquistada por Gengis Khan. Essa cidade também foi um ponto estratégico na Rota Norte da Seda, que ligava a antiga capital chinesa de Xian a Kashgar.

A região é extremamente árida, sem nenhuma vegetação. Após pagar a entrada, uma caminhada de 1 a 2 km possibilita a visão de um grande morro de pedra. Apesar da distância, é possível visualizar estruturas de madeira semelhantes a templos, que nada mais são do que proteções das grutas contra ações de chuvas e ventos, numa tentativa de preservar por mais tempo essas obras de arte. Com o tempo, a maioria das estruturas ruiu, mas os monumentos continuam lá, século após século – boa parte deles em ótimo estado de conservação.

Escavadas pelos chineses, as Grutas de Yungang espalham-se por um quilômetro. Os povos do passado que cruzaram a Ásia Central à procura de novos horizontes e rotas para o comércio deixaram suas marcas e genes pelo caminho. Traços característicos de povos ocidentais podem ser observados em algumas esculturas, às vezes de maneira sutil, outras nem tanto. Algumas figuras de Buda lembram os povos muçulmanos, às vezes pelo nariz, formato dos olhos ou pelas cores e vestimentas. É indescritível a beleza do lugar, a delicadeza das estátuas, florões, pinturas e outros detalhes de cada caverna.

Instintivamente, comparei com nossas igrejas cristãs e imaginei como seria a China se o cristianismo tivesse chegado lá antes do budismo. Puro delírio de viajante!




Macarrão e chá são consumidos em praticamente toda a China

Próxima parada, Hong Kong!
Assim como o Brasil, a China é um país continental e de contrastes. E Hong Kong é o mais emblemático exemplo da China moderna e tradicional. Além das maravilhas arquitetônicas acessíveis a uma parcela pequena de sua população, há uma Hong Kong muito atraente do outro lado da baía. Ali encontrei o caos urbano mais interessante de minha vida. Nas ruas estreitas, cheias de fumaça e restaurantes minúsculos cheirando a peixe e fritura, os proprietários chamam insistentemente os clientes para o almoço, desde as primeiras horas da manhã. É também um paraíso de eletrônicos, computadores, câmeras etc. Lojas, uma ao lado da outra, vendem as mais novas tecnologias do mercado que, muitas vezes, nem serão lançadas no Ocidente. O novo e o velho convivem: o antiquário fica ao lado da peixaria, que é vizinha da lavanderia, que funciona nos fundos de uma casa de massagem, que faz fundos com um Templo Confucionista, cercado por diversas clínicas de medicina tradicional chinesa. Essa é a área da Temple Street e dessa parte da China influenciada pela dominação britânica. Por 155 anos, Hong Kong foi a porta de entrada do Ocidente para a China e, quando o país adotou o regime comunista, estava sob domínio britânico. Por essa razão, tornou-se “a China para ocidental ver”, onde tudo podia ser comprado.


Mercado noturno de Hong Kong

A cidade de ponta tecnológica só existe à luz do dia, ao cair da noite dá lugar a um outro mundo, no qual a tradição culinária milenar movimenta milhares de pessoas em busca das iguarias exóticas. As ofuscantes luzes de néon fazem um espetáculo à parte e rapidamente os letreiros tornam-se protagonistas de uma nova cidade. Os vendedores começam a montar suas infindáveis barracas de comidas pelas ruas que horas antes estavam entupidas de carros. Há barracas especializadas em cavalos marinhos grelhados, marinados e caramelados; outras, em lulas secas e recheadas de algo de sabor indecifrável. Não há limites para a originalidade do chinês de Hong Kong. Pelas filas quilométricas de barracas, pode-se comer de tudo (se for capaz): cobras, escorpiões, sapos, rãs, ervas e plantas estranhas, bebidas fermentadas, alcoólicas, elixires e poções “mágicas”. Em nenhum outro lugar no mundo o entardecer nos transporta para o passado na proporção e velocidade em que os raios solares são substituídos pelo néon, como nesse microcosmo da China.

Deixar de atravessar a baía de Hong Kong rumo ao primeiro mundo representado por exclusivas grifes ocidentais e ter acesso a restaurantes confortáveis é uma opção difícil, mas fica aqui uma reflexão. O mundo dos artigos de luxo pode ser encontrado em várias cidades do planeta, mas cavalos marinhos caramelados, embrulhados em papel de algas e amarrados por fitas de seda coloridas existem apenas na Temple Street.

O bom é que nenhum turista sairá decepcionado de Hong Kong, seja na procura do luxo ou dos mercados noturnos, ou até mesmo aquele que quer surfar em praias desertas. Isso mesmo, Hong Kong também tem praias! E, acreditem, são paradisíacas, com águas verdes, areias branquinhas, vilas de pescadores e barracas de peixe frito. Para chegar até lá, basta o ônibus número 94 ou ferry rumo à Península de Sai Kung. Mas é importante levar um bom mapa para não se perder nas suas inúmeras e belas enseadas.

Na cosmopolita e intrigante Hong Kong, é possível falar inglês com um típico chinês, enquanto se toma um chá e observa seus modernos arranhas-céus de uma praia paradisíaca numa das mais belas baías do mundo. Talvez por isso, esse pedaço da China conquistou tantos admiradores no decorrer de séculos.

Há muitos outros lugares interessantíssimos na China e o que foi contado aqui representa uma ínfima parte dela – a que me foi possível conhecer em uma viagem. Quem sabe numa próxima vez...

Outras maravilhas da China


Ponte Tsing Ma, em Hong Kong

A China é o país das maravilhas para o turismo. Entre os passeios mais procurados estão diversos pontos da Grande Muralha (de 7 mil quilômetros de extensão), o Tibete e a Rota da Seda. O país tem inúmeros Patrimônios Mundiais da Humanidade espalhados por seu território. A Cidade Proibida em Pequim, o Monte Taishan, palácios e túmulos imperiais de várias dinastias, o Exército de Terracota, o Templo de Confúcio e os Santuários do Panda-gigante em Sichuan são alguns deles.

Como chegar 
Há várias formas de chegar à China. Fui pela American Airlines, de Chicago para Pequim. A Air China faz vôos para Pequim a partir de São Paulo. As principais companhias da Europa e dos Estados Unidos fazem voos para Pequim, Xangai e Hong Kong. As principais companhias da Europa e dos Estados Unidos fazem voos para Pequim, Xangai e Hong Kong. Sai mais barato comprar passagens para a China pela Internet e com boa antecedência.

Como se locomover
A China tem quase 500 aeroportos espalhados pelo seu território, vários deles internacionais, como o de Hong Kong. É melhor comprar os voos domésticos no próprio país. Os trens são bons meios de transporte para longas distâncias.

*Rodrigo Magrini é dermatologista em Bragança Paulista e possui um site de viagens: www.rodrigomagrini.com


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