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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
Luiz Alberto Bacheschi*


ENTREVISTA (pág. 4)
Jairo Bouer


AMBIENTE (pág. 9)
As comunidades quilombolas remanescentes no Estado de São Paulo


CRÔNICA (pág. 12)
Pasquale Cipro Neto*


CONJUNTURA (pág. 14)
Conselheiros analisam tratamento de saúde oferecido a estrangeiros


SINTONIA (pág. 19)
Renato Azevedo Júnior*


DEBATE (pág. 22)
Pesquisadores discutem estágio atual das pesquisas com células-tronco


GIRAMUNDO (pág. 28/29)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e da atualidade


PONTO COM (pág. 30)
Acompanhe as novidades que agitam o mundo digital


EM FOCO (pág. 32)
Charges e desenhos sobre o ensino e a prática médica


CULTURA (pág. 34)
Marcelo Secaf *, presidente do conselho da Associação Pinacoteca


TURISMO (pág. 38)
Parque Estadual do Jalapão, em Tocantins


HOBBY (pág. 44)
Caratê: melhor concentração e controle das emoções


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 47)
Obra da psicóloga e psicoterapeuta francesa Marie de Hennezel


POESIA( pág. 48)
Soneto de Machado de Assis


GALERIA DE FOTOS


Edição 54 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2011

CULTURA (pág. 34)

Marcelo Secaf *, presidente do conselho da Associação Pinacoteca

A ARTE DE VER A ARTE


"Lamentação sobre o Cristo Morto" (c.1474-1478)
(Têmpera sobre tela 68x81 cm / Pinacoteca de Brera, Milão)

Como entender a arte moderna? Determinadas obras expostas em renomados museus ou galerias são mesmo arte? Esses questionamentos são recorrentes e, para muitos, a arte moderna parece desprovida de sentido. Como conceito simplificado, arte é experimentação por qualquer meio e pelo qual o artista demonstra habilidade para transformar ideias em algo observável e interpretável. Pela tradição platônica, sua finalidade prática ou teórica realiza-se de maneira consciente, controlada e racional. Arte já existia nas representações em paredes de cavernas na pré-história ou nos grandiosos projetos arquitetônicos da antiguidade. Ela evoluiu com os costumes, servindo a inúmeros fins através dos tempos.


"Entrada em Jerusalém", afresco executado por Giotto entre 1304 e 1306
(Cena nº 26 do Mural “A vida de Cristo” , 200x185/ Capella Scrovegni, Pádua, Itália)

Foram úteis aos propósitos religiosos de atrair devotos pela representação do divino e de adverti-los sobre os pecados e punições. E, na política, serviu aos monarcas e suas cortes, muitas vezes conhecidos por súditos apenas por meio de pinturas. Nobres também a usavam para conhecer candidatas ao casamento. Em seus ateliês, pintores exibiam obras como exemplos de técnica e qualidade para que os interessados soubessem que resultado teria uma encomenda.


"Madona da cadeira", óleo sobre painel de madeira de 71cm de diâmetro, pintado por Rafael em 1513, exposta na Galeria Palatina de Florença

A beleza, a harmonia, o bom gosto e o realismo eram características da arte tradicional. Resquícios dessa compreensão ainda existem no nome de faculdades, como a Escola de Belas Artes de Paris, fundada em 1648.


"Davi com a cabeça de Golias", de Caravaggio (1605), obra dramática da escola barroca, com efeitos de luz e sombra (a cabeça de Golias é do próprio Caravaggio)
(Óleo sobre tela 125x101 cm./Museu Galeria Borghese, Roma)

Até o século 17, os grandes mestres mantinham escolas e aprendizes que deveriam imitá-los à perfeição, o que possibilitou aprimoramentos no uso de pigmentos, além do surgimento da perspectiva na pintura, entre outros avanços. Os artistas, pessoas de sensibilidade e à frente de seu tempo, desenvolveram novas ideias e criações – muitas vezes vistas com receio e reprovação no início, mas alçadas à condição de ícones geniais no trajeto da história, e avaliadas em milhões de dólares. A ruptura com o tradicional fez surgir, em várias partes do mundo, novos movimentos artísticos. Para o movimento pré-rafaelita, a pintura é considerada em estado puro até Rafael, que viveu entre o século 15 e 16. São representativos do início da fase de influência de efeitos especiais na pintura, os quadros de luz e sombra de Caravaggio. No barroco, esses efeitos ganharam exuberância e dramaticidade, além de elementos decorativos.


"Retrato Equestre do Conde Duque de Olivares" (c. 1634), de Velasquez
(Óleo sobre tela, 849x1.117cm./ Museu do Prado, Madri)

Originada no período pós-Guerra, a arte moderna-contemporânea caracterizou-se por movimentos de negação ou reinterpretação do passado com nuances do mundo presente, sem barreiras ideológicas, técnicas ou políticas. Nesses movimentos surgem a arte impressionista/expressionista, a abstrata e tantas outras. Nietzsche, estudioso da condição humana, em especial, à relacionada à tradição, aponta a origem da modernidade na filosofia iluminista do século 17. Para ele, esta surgiu como crítica à tradição e à autoridade, que limitava o conhecimento e impedia o homem de perceber o sensível e o objeto em si. Nietzsche também foi crítico à modernidade, pelo apego à superficialidade e aos aspectos de efeito.


"Par de Sapatos", 1888, de Van Gogh, predecessor da arte moderna, influenciado pelo impressionismo e influência para expressionistas
(Óleo sobre tela, 18x21.7/Museu Metropolitano de Nova Iorque)

As manifestações artísticas das últimas décadas, agregadas às novas formas de expressão, levam alguns a questionar se a modernidade teria desencadeado o fim da arte, da beleza, do sentido das coisas. Há alguns anos, o artista plástico inglês Damien Hirtz matou um tubarão e o colocou num aquário de formol – posteriormente comprado por um museu de Nova Iorque. Alguns trabalhos de Hirtz chegaram a ser vendidos por sete milhões de libras esterlinas. Marcel Duchamp reinterpretou a Mona Lisa com bigodes. O artista Chris Ofili, em 1999, apresentou no Brooklin Museum of Art de Nova Iorque o trabalho The Hole Virgin Mary, uma pintura em relevo com fezes de elefante.


"Três músicos", 1921, do cubista Pablo Picasso
(Óleo sobre tela 200.7x222.9 cm./Museu de Arte Moderna de Nova Iorque)

Hoje, a arte tudo permite. Então, como perceber sensitivamente e compreender o que é colocado diante de nós como arte. O exercício de compreensão parece sempre mais fácil quando observamos criações de gerações anteriores à nossa. Como acreditar e entender que Van Gogh morreu louco, sem vender uma única tela, que atinge o valor de 60 milhões de dólares nos leilões?


"Composição com vermelho em grande plano, amarelo, preto, cinza e azul", 1921, de Piet Mondrian
(http://static.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/09/Composition-with-red-yellow-blue-and-black.jpg)


"A física impossibilidade de morrer na mente viva de alguém", de Damien Hirst, 1992
(Tanque de vidro, aço e solução de formol/ 213X518 cm (84X204 in)/ Museu de Arte Moderna de Nova Iorque)

Como radiologista, interpreto um exame de imagem baseado na história “clínica” em questão, por meio da observação do “objeto”, por inúmeros ângulos e, assim, posso compreendê-lo para compor um diagnóstico satisfatório. Como apreciador de arte, posso interpretar uma obra como uma viagem no tempo e espaço. Percebo a arte moderna como perdulária da tradição. Sem o passado na tradição, a arte moderna nada é.

Observar uma obra pode me trazer conforto, repulsa, tédio ou admiração. Ela pode desligar-me do mundo real e proporcionar bem-estar físico e mental. Essa experiência sensitiva terapêutica nem sempre é acompanhada da completa compreensão de seu objeto. Mas, o desenvolvimento de nosso senso crítico estético depende do hábito de observar, com curiosidade, a arte pelos inumeráveis meios de expressão disponíveis em seus infinitos tempos. Esse hábito contemplativo é uma terapia para a alma, um exercício de abstração que faz muito sentido como contraponto à rotina de trabalho médico que, às vezes, nos distancia da compreensão da vida também como subjetividade.


Obra na qual Marcel Duchamp pintou, em 1919, um bigode, uma pêra e a inscrição L.H.O.O., sobre reprodução do quadro "Mona Lisa", de Michelângelo 
(Lápis sobre reprodução de Mona Lisa, 19.7 x 12.4 cm/ Coleção particular de Mary Sisler, Nova Iorque 1919)


*Radiologista e presidente do conselho da Associação Pinacoteca de Arte e Cultura do Governo do Estado de São Paulo.


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