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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
Renato Azevedo Júnior - presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 4)
Mia Couto, biólogo e jornalista moçambicano


CRÔNICA (pág. 8)
Homenagem a Moacyr Scliar, médico e escritor, falecido em janeiro deste ano


SINTONIA (pág. 10)
Surge um novo conceito de doença e de saúde


CONJUNTURA (pág. 13)
Identificação possível


SAÚDE NO MUNDO (pág. 14)
Saúde Global versus Saúde Internacional


DEBATE (pág. 17)
A qualidade das embalagens comercializadas no país


GIRAMUNDO (págs. 22/23)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e da atualidade


PONTO COM (pág. 24)
Acompanhe as novidades que agitam o mundo digital


EM FOCO (pág. 26)
Transtornos afetivos na infância


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 29)
Confira a indicação de leitura de Caio Rosenthal*


CULTURA (pág. 30)
José Marques Filho*


GOURMET (pág. 36)
Uma receita especial de Debora Handfas Gejer e Geni Worcman Beznos


TURISMO (pág. 40)
A "suíça brasileira" bem ali, na Serra da Mantiqueira...


CARTAS & NOTAS (pág. 47)
Diretores e conselheiros da terceira gestão 2008-2013


POESIA( pág. 48)
Mia Couto em “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”


GALERIA DE FOTOS


Edição 55 - Abril/Maio/Junho de 2011

CRÔNICA (pág. 8)

Homenagem a Moacyr Scliar, médico e escritor, falecido em janeiro deste ano

A crônica abaixo foi escrita por Moacyr Scliar, em 1999, especialmente para os leitores da Ser Médico nº 8 (jul/ago/set-1999). O escritor e médico, falecido em 27 de janeiro de 2011, em Porto Alegre, vítima de falência múltipla de órgãos, foi importante e assíduo colaborador da revista durante toda sua trajetória de quase 14 anos. Ele fez parte do primeiro Conselho Editorial, que ajudou a definir a linha e conteúdo da publicação. Para a edição de lançamento (Ser Médico nº 1, out/nov/dez-1997), Scliar preparou um artigo que contava um pouco da trajetória da profissão, intitulado Medicina: as lições da história. Companheiro do Cremesp por longa data, escreveu também no Jornal do Cremesp e foi palestrante de alguns eventos promovidos por esta Casa. Em sua homenagem, o Conselho compila neste espaço todos os artigos, crônicas e matérias dos veículos de comunicação do Cremesp que tiveram sua participação.


A mãe do doutor


Há todo um folclore sobre a mãe do médico. Dele, o anedotário judaico é um bom exemplo. Compreendem-se as mães judias, como as mães italianas, as mães libanesas, as mães japonesas, eram imigrantes que tinham dado muito duro para que os filhos pudessem estudar. E os estudos eram, elas o sabiam bem, uma forma de reconhecimento social muitas vezes negado às pessoas de origem humilde. Ilustra-o bem aquela história da mãe judia que está passeando no parque com os dois filhos pequenos. Alguém lhe pergunta que idade têm as crianças. “O clínico está com quatro e o cirurgião com dois”, é a resposta.

“Meu filho, o doutor”, era uma expressão que enchia de orgulho uma mãe judia. “Minha filha, a doutora”, era menos comum, quando a medicina era uma profissão predominantemente masculina. Mas havia uma solução: casar a jovem com um doutor. A mãe judia recorreria a todos os recursos para isto. Numa festa, uma destas dedicadas genitoras levanta-se aos gritos: “Um médico! Há um médico aqui?” E quando o doutor, alarmado, se apresenta, pensando tratar-se de uma emergência, ela sorri, sedutora: “Ah, doutor, se o senhor soubesse a moça que eu tenho para o senhor...”. Numa variante, a mãe fica sabendo que há na cidade uma convenção de quiropodistas. Pergunta o que é, descobre que são profissionais que cuidam dos pés, e decide mandar imediatamente a filha ao local: com a quantidade de calos que a moça tem, certamente arranjará um marido ali.


E quando o filho não queria ser doutor? Ah, aí as queixas eram constantes. Em Complexo de Portnoy, o escritor norte-americano Philip Roth imagina o protagonista ouvindo um admirado, mas melancólico, relato da mãe: “Encontrei a mãe de Seymour na rua e ela me contou que o filho é o maior cirurgião de cérebro do hemisfério ocidental. É dono de seis casas de campo em Livingston, todas com estilo diferente, todas novas, projetadas por Marc Kugel; pertence a congregações de onze sinagogas e no ano passado levou a mulher e as duas filhinhas – tão bonitas que já foram contratadas pela Metro e tão inteligentes que já poderiam estar na universidade – para uma excursão de 80 milhões de dólares pela Europa e sete mil outros países, alguns dos quais nem se ouviu falar, pois foram criados em homenagem a Seymour. Além disso, ele é tão importante que em todas as cidades que visitou, os próprios prefeitos lhe solicitavam que permanecesse algum tempo a fim de fazer certas operações – quase impossíveis – em cérebros, isto em hospitais construídos especialmente para Seymour... E que prazer dá a seus pais!”

Em matéria de mães ninguém batia a genitora do dr. R. Fazíamos plantão juntos, e sempre que isso acontecia, a mãe dele vinha ao hospital. Não para ser atendida, mas sim para lhe trazer um sanduíche e uma térmica com café-e-leite. Eu sei que a comida de hospital é ruim, dizia a guisa de desculpa. Aliás, desnecessária. Mãe de médico, por definição, está perdoada por toda a eternidade.

Apesar dos pesares, os médicos continuam se orgulhando da profissão. Têm razões para isso: é um título prestigiado na sociedade, às vezes rodeado por uma aura quase mágica. No entanto, por mais orgulho que tenha um doutor de seu título, alguém o supera: é a sua mãe. Basta olhar as mamães numa festa de formatura. É como se elas recebessem o diploma, não os filhos. E em parte estão certas. Nesse diploma está muito de seu esforço.

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Medicina
As lições da história
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