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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág.1)
Editorial de Renato Azevedo Júnior - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 4)
Soren Holm - editor do Journal of Medical Ethics


SINTONIA (pág. 9)
Médicos e indústria farmacêutica


CRÔNICA (pág. 12)
Millôr Fernandes


DEBATE (pág. 14)
Aids: em discussão o tratamento profilático


MÉDICOS NO MUNDO (pág. 20)
As muitas guerras do dr. Filártiga


EM FOCO (pág. 24)
AVAAZ: protestos em um clique


HISTÓRIA DA MEDICINA (pág. 27)
Médico, torneiro mecânico e inventor


GIRAMUNDO (págs. 30/31)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e de fatos atuais


PONTO COM (págs. 32/33)
Informações do mundo digital


SUSTENTABILIDADE (pág. 34)
Sacolas plásticas: uma história sem heróis nem vilões


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 37)
Indicação da conselheira Ieda T. Verreschi*


CULTURA (pág. 38)
Pedro Almodóvar


MAIS CULTURA (pág. 41 )
A revolução romântica


HOBBY (pág. 42)
Sem efeito colateral


CARTAS & NOTAS (pág. 33)
SUS: Cremesp recolhe assinaturas


GOURMET (pág. 45)
Sabor de vida em família


FOTOPOESIA( pág. 48)
João Cabral de Melo Neto


GALERIA DE FOTOS


Edição 59 - Abril/Maio/Junho de 2012

LIVRO DE CABECEIRA (pág. 37)

Indicação da conselheira Ieda T. Verreschi*

Annabel

O livro, de Kathleen Winter, infelizmente disponível apenas em inglês, trata da maravilha do desenvolvimento humano, registrada por meio da história de uma criança portadora de afecção que atinge um a cada 25 mil nascidos vivos. Wayne nasce no início da primavera, ao sul da quase sempre gelada península do Labrador, no Canadá, iniciando um ciclo surpreendente de vida. As atividades sociais são sazonais: os homens dedicam-se à caça ou outras ações primordiais para a manutenção da economia familiar, e as mulheres, às tarefas domésticas, congelando peixes, costurando mocassins e empilhando lenha para o inverno. Quando os maridos estão ausentes por necessidade de trabalho, elas juntam-se em pequenas rodas de amigas, para troca de informações e para apoiarem-se mutuamente. Reúnem-se, também, em momentos mais eletrizantes, como para acompanhar um trabalho de parto, quando cada uma tem um papel especial, como naquele dia de março de 1968.

Algumas amigas juntam-se em torno de Jacinta, que dá à luz na banheira da casa. Entre elas, está Thomasina, personagem forte, que – posteriormente, mesmo à distância – permanece sempre presente na vida do personagem principal. Este, embora saudável ao nascer, transparece a ela a singularidade de sua condição. A assimetria na conformação genital externa aponta para ambiguidade sexual, mas a sequência dos encaminhamentos médicos, somada à firme decisão paterna, levam ao registro civil do menino Wayne. Para Thomasina, porém, secretamente é Annabel e, para o coração de Jacinta, a mãe, em silêncio, a certeza da presença de uma filha especial.

E assim prossegue a trama real em relação à persona em formação que herdou, além do porte físico, o caráter dominante paterno, aliado ao carinho e à sensibilidade lentamente evanescente da mãe. Da idade escolar à adolescência, o que representa essa mescla é relatado de forma encantadora, mas dramática, desde um episódio de tentativa de abuso por parte de um professor, na escola primária, até os jogos entre adolescentes, incluindo bailes e festas tribais. Nesse periodo surge o encantamento e a identificação com uma colega vinda de fora daquele lugar. São sonhos misturados e compartilhados na convivência em um brinquedo bucólico – uma tenda de jardim –, que permite ler, ouvir música e sonhar com a amiga que quer ser cantora lírica. O sonho de Wayne é pintar e construir pontes, mas não quaisquer pontes, somente aquelas representadas nos cartões postais enviados por Thomasina, de diversas partes do mundo. Pressentindo o risco daquelas fantasias compartilhadas, o pai destrói o brinquedo que ajudou a construir, e com ele leva mundo abaixo, livros, partituras e discos da amiguinha, bem como grande parte do seu mundo teatral.

Para Wayne, o marco da derrubada dos sonhos adolescentes, ao final, culmina com a intercorrência clínica de quadro abdominal agudo, que o leva de volta ao mesmo serviço hospitalar que orientou as condutas médicas iniciais e controlava a dispensação dos medicamentos necessários para marcar sua masculinidade e conter o funcionamento do lado feminino do seu organismo. A patética constatação da menstruação retida – contendo um embrião autogerado – evidencia a raridade da condição hermafrodita, que é levada com temor ao longo da vida adulta, até a decisão de abandonar as drogas custeadas pelo pai. A decisão reforça o aspecto físico ambíguo. A partir daí, o desenrolar dramático da história continua, mas não vamos tirar do leitor o sabor de descobrir o que acontece. Boa leitura!

*Ieda é endocrinologista, conselheira do Cremesp e professora associada em Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).


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