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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág.1)
Renato Azevedo Júnior - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág.4)
Susan Greenfield


CRÔNICA (pág.11)
Fabrício Carpinejar*


SINTONIA (pág.12 a 15)
Neurociência e Filosofia


DEBATE (págs.16 a 21)
Todos os cidadãos têm o direito à saúde garantido?


EM FOCO (págs. 22 a 25)
Medicina sobre rodas


GIRAMUNDO (pág.26)
Curiosidades de ciência e tecnologia, história e atualidades


PONTO COM (pág.28)
Informações do mundo digital


HISTÓRIA (págs. 30 a 33)
Com 112 anos de história, Intituto Butantan é um dos maiores centros de biomedicina mundial


HOBBY (págs.34 a 37)
Médicos dedicam-se a escrever poemas


CULTURA (pág.38 a 41)
Pinacoteca de São Paulo realiza mostra sobre gravura brasileira


LIVRO DE CABECEIRA (pág.42)
Por Marco Tadeu Moreira de Moraes*


CARTAS & NOTAS (pág.43)
Medicina na Bolívia atrai grande número de brasileiros


TURISMO (págs. 44 a 47)
Cidades de Santa Catarina guardam um pouco da cultura europeia


FOTOPOESIA (pág.48)
Oscar Niemeyer


GALERIA DE FOTOS


Edição 62 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2013

HISTÓRIA (págs. 30 a 33)

Com 112 anos de história, Intituto Butantan é um dos maiores centros de biomedicina mundial

Uma história de cobras e aranhas


A peste bubônica se propagava em níveis preocupantes, em 1899, no Porto de Santos. Com receio de que a doença chegasse à capital, o laboratório para produção do soro foi instalado pelo governo estadual num local distante do centro, a Fazenda Butantan, na cidade de São Paulo. Para conduzir o projeto, foi escolhido o visionário Vital Brazil – assistente de Adolpho Lutz, diretor do Instituto Bacteriológico na época. Em conjunto com Oswaldo Cruz, Brazil produziu o soro e extinguiu a epidemia.

Em 1901, o laboratório foi reconhecido como instituição autônoma, e passou a realizar pesquisas medicinais e produzir vacinas, principalmente na área antiofídica, já que na época as picadas de cobras assolavam o interior paulista devido à expansão da cafeicultura. O instituto tornou-se conhecido mundialmente pelos estudos nas áreas de Biologia e Biomedicina, pelas missões científicas por meio da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), por oferecer cursos aos profissionais da área e também à população em geral, e, principalmente, pela produção de soros e vacinas importantes que combatem surtos epidêmicos e acidentes com animais peçonhentos, entre outras.



Muito tempo depois – 112 anos, mais exatamente – o Instituto Butantan é um dos maiores centros de biomedicina mundial. É responsável por mais de 93% do total de vacinas produzidas no país, entre elas: contra difteria, coqueluche, hepatite B e influenza A H1N1, além de estar em fase de produção e testes a vacina contra a dengue, com expectativa de entrar no mercado em 2015. O nome da instituição vem do tupi, e significa “terra dura dura”. Está localizada no bairro do Butantã (escrito de maneira diferente devido a um decreto municipal), que se desenvolveu em função do instituto, na Zona Oeste de São Paulo. Ocupa uma belíssima área de 80 hectares, dos quais aproximadamente 62% são arborizados. Possui um centro de exposições, os museus Biológico, Histórico, de Microbiologia e o Emílio Ribas, especializado em história da saúde; uma biblioteca, um serpentário e o Hospital Vital Brazil, tornando-se também um importante ponto turístico frequentado por mais de 300 mil pessoas anualmente.

Giuseppe Puorto, 58 anos, é diretor-técnico do Museu Biológico. Entrou no Instituto como estagiário voluntário com 17, quando cursava o colegial, e nunca mais saiu. Para ele, trabalhar no Instituto é gratificante. “As dificuldades, inerentes a qualquer atividade ou profissão são compensadas pelas oportunidades, pela satisfação, pelo reconhecimento, pela chance que temos de crescer, entre outras coisas”, diz. “Antes de ser diretor, trabalhei um bom tempo na área de venenos para produção de soros e no setor de recebimento de animais. Nessa fase tive a chance de ajudar a salvar muitas vidas”, recorda. Com todo esse tempo de casa, Giuseppe possui muitas histórias para contar: “Uma delas é surreal. O diretor do laboratório foi procurado por um casal que solicitou a ajuda do Butantan. O senhor, de meia idade, estava com problemas na vida conjugal. Procurou uma seita religiosa. O ‘pai de santo’ sugeriu que ele passasse uma cobra viva e venenosa, nas pernas, de baixo para cima, sete vezes. O diretor me chamou e pediu para eu atender a solicitação!”

“Há algum tempo não vou ao Instituto, por causa do trabalho, mas quando estava no ensino médio, sempre que podia, visitava a instituição”, diz Roberto Freire, 20, professor de inglês e frequentador do lugar. “No começo, era somente pra relaxar, passar o tempo e conversar com os amigos, pois o Instituto possui uma extensa área verde com calçadas e bancos, tornando o clima gostoso e relaxante”, afirma. Conforme visitava o espaço, surgiam curiosidades sobre sua finalidade: “Resolvi conhecê-lo mais profundamente e o achei incrível, não apenas pela estrutura, mas também pelo trabalho, pesquisas e descobertas que ali realizavam”, comenta.

Para Freire, há pontos que necessitam de melhoria e o Instituto precisa ser mais divulgado. “O Butantan tem uma vasta área verde, contudo mal aproveitada. Ali, vejo um ótimo espaço para excursões escolares, mas a falta de divulgação e também comprometimento de alguns colégios impedem isso. A escola em que estudei fica ao lado do Instituto e, nos três anos em que completei o ensino médio, não houve sequer uma excursão para lá. Quando ia, era por minha conta”. Em sites de turismo, há também reclamações sobre o descuido com a arquitetura e estrutura dos prédios, má sinalização e falta de atrativos para que mais pessoas frequentem o espaço.



Laboratórios do Butantan são responsáveis por
mais de 93% das vacinas produzidas no Brasil


De fato, há muitos pontos que necessitam de melhorias, porém, o Instituto, além de sua crescente atratividade turística, é um dos mais importantes centros de produção de vacinas e pesquisas do mundo. Giuseppe define bem o principal aspecto da instituição: “A contribuição do Butantan para a saúde pública e para a ciência é inegável. O Instituto contribuiu e continua a contribuir para o conhecimento zoológico e biológico dos animais peçonhentos e suas correlações; conhecimento dos venenos; produção e melhoria de soros e vacinas; busca de novos fármacos nos venenos; divulgação científica e apoio à ciência”.


Colaborou: Jonas Carvalho



O incêndio de 2010



Em 2010, um incêndio atingiu o Prédio das Coleções do Instituto Butantan por volta de 7h30 do dia 15 de maio. Havia mais de 77 mil serpentes catalogadas e cerca de 5 mil que ainda não haviam sido registradas. Parte do galpão também continha 178 mil exemplares de aranhas, sendo que 45 mil ainda estavam sem registro. Em comunicado à imprensa, o curador da coleção de serpentes do Instituto Butantan, Francisco Luiz Franco, afirmou que o acontecimento teve grande impacto: “É uma tragédia da proporção do incêndio da biblioteca de Alexandria”.


Diversos especialistas de importantes universidades do mundo definiram a tragédia como irreparável e lastimável. Em entrevista à Veja.com, Norman Platnick, curador da coleção de aranhas do Museu Americano de História Natural, disse que “as coleções do Butantan formavam a principal base de conhecimento de uma grande proporção da fauna aracnídea sul-americana”. Pesquisas baseadas nessas coleções podem fornecer conhecimento em várias áreas da ciência: biológica e aplicada, desde a biologia populacional até a saúde humana.


O laudo do Instituto de Criminalística concluiu que o incêndio foi acidental. Segundo o documento, o fogo teve início devido ao superaquecimento de pedras de calor que eram utilizadas para aquecer as cobras do local. O prédio atingido foi construído na década de 70 e reformado há 10 anos, porém não havia um sistema de proteção contra incêndios. Em 2011, foi iniciada a construção de um novo prédio, orçado em R$ 3 milhões, com dois andares e 1.600 m².



Exposição temporária sobre grandes epidemias



“Temos de compreender as epidemias. O desmatamento, por exemplo, trouxe vetores de doenças para as cidades, e o uso indiscriminado de antibióticos levou ao surgimento de microrganismos resistentes. Hoje epidemias novas podem se alastrar pelo mundo com grande rapidez em razão das facilidades de deslocamento atuais”, explica Viviane Maimoni Gonçalves, diretora do Museu de Microbiologia.


A entrada para a exposição é gratuita e ela está aberta de terça a domingo das 10 às 16 horas. Os museus do Butantan funcionam de terça a domingo, das 9 às 16h30.


A entrada para os museus é única e custa R$ 6. Estudantes com identificação pagam R$ 2,50. Crianças de até sete anos, idosos a partir de 60 e pessoas com deficiência não pagam.


A bilheteria funciona de terça a domingo, das 8h45 às 16h15. O Instituto Butantan fica na avenida Vital Brasil, 1.500, Butantã, zona Oeste da capital.

O Instituto Butantan inaugurou, em dezembro último, a exposição Grandes Epidemias, instalada no Museu de Microbiologia. Os visitantes poderão conhecer a história da peste, da varíola, da meningite, da Aids e da gripe por meio de televisores e painéis, que contam com a ajuda de sensores de movimento. Além de informar, o objetivo é alertar o público para o perigo que elas representam.

Fotos: Osmar Bustos  


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