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PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
João Ladislau Rosa - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (págs. 4 a 9)
Robert Gallo


CRÔNICA (págs. 10 e 11)
Fabrício Carpinejar*


ESPECIAL (págs. 12 a 17)
Violência e saúde pública


SINTONIA (págs. 18 a 21)
A saúde do adolescente preocupa OMS


EM FOCO (págs. 21 a 23)
Tchekhov


SOLIDARIEDADE (págs. 24 a 28)
Médicos na Amazônia


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 29)
Dica de Alfredo de Freitas Filho*


GIRAMUNDO (págs. 30 a 31)
Curiosidades & Novidades


PONTO COM (págs. 32 a 33)
Informações do mundo digital


HISTÓRIA DA MEDICINA (págs. 34 a 36)
Cardano, o visionário do Renascentismo


HOBBY (págs. 37 a 39)
Correr (fora do dia a dia...) também é esporte de médico!


TURISMO (págs. 40 a 43)
Descobrindo terras e sabores peruanos


CULTURA (págs. 44 a 47)
Salvador Dalí em Sampa


FOTOPOESIA (pág. 48)
Paulo Bomfim


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Edição 68 - Julho/Agosto/Setembro de 2014

SOLIDARIEDADE (págs. 24 a 28)

Médicos na Amazônia

Equipe da Unifesp/EPM atende populações ribeirinhas do Rio Negro e do Solimões, na Amazônia

Reportagem fotográfica especial: Osmar Bustos

 

A esperança chega de navio



Projeto Saúde e Cidadania em Fronteira realizou cerca de 2 mil procedimentos; na imagem acima, a professora Maris Demuner (segunda da esq. p/a dir., agachada) e os alunos e residentes que viajaram no navio Soares de Meireles

 

Deixar o conforto dos consultórios e a infraestrutura dos hospitais urbanos para navegar pelos rios da Amazônia, atendendo a população ribeirinha, pode parecer uma aventura interessante. De fato, é, mas é muito mais que isso. É o que garante a médica Maris Demuner, coordenadora do projeto Saúde e Cidadania em Fronteira, uma parceria da Universidade Federal Paulista (Unifesp/EPM) e da Marinha do Brasil que, em maio último, realizou a segunda expedição àquela região.

Os graduandos e médicos residentes que participam do programa entram em contato com uma realidade completamente diversa do dia a dia dos centros urbanos. Apesar dos vários contratempos – como falta de medicamentos básicos e de estrutura nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e hospitais – a experiência “é gratificante e única”, ressalta Maris.  “A população atendida é, sem dúvida, beneficiada, mas o privilégio maior é nosso. A satisfação de fazer o bem fica para sempre. Os alunos voltam diferentes dessa experiência”, assegura.

A equipe foi dividida em dois grupos. Um deles navegou pelo Rio Solimões, e o outro pelo Rio Negro. Além da professora, a equipe foi composta por dois alunos de graduação, uma R1 de cirurgia geral, um R1 de clínica médica, uma R3 de infectopediatria, um R1 de infectologia, um dermatologista e dois R1 de medicina de família e comunidade. O grupo foi distribuído em dois Navios de Assistência Hospitalar (NAsH) da Marinha, o Oswaldo Cruz e o Soares de Meireles.

Apelidados de Navios da Esperança pela própria população, eles representam, muitas vezes, o único contato dessas pessoas com médicos, dentistas e outros profissionais da saúde. O programa Operação de Assistência Hospitalar às Populações Ribeirinhas, da Marinha, tem, ao todo, quatro desses navios, dos quais três estão equipados com salas de cirurgia, enfermaria, laboratório de análises, equipamento de raios-X, ultrassom, consultórios médicos e odontológicos, e farmácia. O quarto navio ainda está sendo equipado, mas já atende a população em procedimentos básicos.

Durante os 20 dias de viagem, o projeto Saúde e Cidadania em Fronteira realizou cerca de 2 mil atendimentos, entre consultas de rotina, pequenas cirurgias e alguns exames (ver quadro na pág. seguinte). Os navios passaram, em média, três dias em cada povoado. Quando a embarcação conseguia atracar ou abarrancar próximo às vilas, o atendimento era feito dentro da própria embarcação. Quando não era possível, os médicos e demais profissionais de saúde iam de lancha até os vilarejos.

O grupo que seguiu pelo Rio Negro percorreu 750 km rio acima, visitando sete comunidades, onde realizaram o atendimento de 1.012 pessoas. O primeiro município visitado foi o de Novo Airão, com 17 mil moradores, que conta com um hospital (fechado) e três UBSs. Moura, com apenas um centro de saúde e uma UBS ainda em construção, foi o segundo. A situação mais crítica dentre as comunidades visitadas foi encontrada em Remanso. Com apenas 90 habitantes, esse vilarejo tem somente um agente básico de saúde, que atende em um posto sem estrutura nem medicamentos.



Alunos e residentes realizaram consultas e procedimentos supervisionados; aprender a explicar as condutas aos pacientes foi um dos principais ganhos


O outro navio – que percorreu 600 km do Rio Solimões – atendeu as comunidades de Caiambé, Nossa Senhora de Nazaré do Barro Alto, Santa Maria da Costa do Jussara, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Itapeua, São Lázaro do Sacaí e Lauro Sodré. Apenas para chegar à primeira delas, gastaram-se cinco dias de viagem. Também foram encontradas grandes diferenças de estrutura entre os povoados.

Além das consultas, procedimentos e cirurgias, as equipes da Unifesp/EPM e da Marinha distribuíram medicamentos, preservativos, pílulas anticoncepcionais, escovas de dente, creme dental e outros itens básicos de higiene e saúde. Um policial civil, inserido no projeto, encarregou-se de fazer a expedição de carteiras de identidade.


População ribeirinha: doenças mudam conforme as cheias dos rios

 

A iniciativa da parceria com a Marinha do Brasil partiu do diretor da EPM/Unifesp, Antônio Carlos Lopes. Logo em seguida, em 2012, Maris foi designada a fazer uma primeira viagem, de prospecção, àquela região, em um navio dessa força armada. “Verifiquei que era viável e seguro trazer os alunos para cá”, lembra.

No ano seguinte – 2013 –, foi realizada a primeira expedição, com dois alunos e quatro residentes. A ideia, segundo a médica, é estender a ação para quatro vezes ao ano, visando complementar a assistência. “Assim poderíamos acompanhar as doenças que mudam conforme a cheia dos rios e avaliar os resultados obtidos”, explica.

 


 

“O mais mudado, ao final, fui eu”

Depoimento do aluno Anderson Pellanda:


“Como não tínhamos muitos recursos, demos maior ênfase na propedêutica completa, na anamnese e no exame físico bem realizado. Percebi que, sem o uso de exames subsidiários, é possível atender cerca de 80% das queixas da população. Tive a oportunidade até de realizar duas pequenas cirurgias, sob supervisão.

Um grande desafio na relação com os pacientes foi a comunicação. Eles tinham dificuldade em expressar suas queixas. Fazer-nos entender, por outro lado, necessitava inúmeras repetições da conduta a ser tomada. Compreendi, como nunca antes, a importância desse momento da atuação médica.

Foi nesse contexto que tirei o melhor proveito da viagem. O impacto de nossas ações sobre as vidas dos que atendíamos era quase palpável e imensamente gratificante. Qualquer intervenção, por menor que fosse, era mil vezes agradecida. Pude sentir que estava fazendo bem àqueles pacientes e, mais ainda, estava vendo-os como pessoas, e não como uma queixa ou patologia.

Uma das razões da minha opção por Medicina foi ajudar ao próximo. Contudo, durante esses anos, acho que perdi em parte esse foco, diante da deterioração da relação médico-paciente, da visão de lucro que não tinha antes e das adversidades do dia a dia. Esse estágio foi, para mim, uma lembrança desse propósito, escrito nos olhares de agradecimento de cada paciente atendido, de cada pessoa que pude tocar. Com certeza, o mais mudado ao final desse período fui eu.”

 


 

“Uma das melhores experiências da minha vida”

Depoimento do aluno Daniel Tavares de Rezende:


“Essa foi uma das melhores experiências da minha vida. A vivência que adquiri como pessoa foi impagável. Conviver com pessoas tão simples e, ao mesmo tempo, tão felizes, faz a gente repensar nossos valores, e muda, definitivamente, nosso modo de encarar a vida. Só depois de ver uma situação diferente percebemos como nossa vida é boa e damos mais valor a ela.

Além de uma grande lição pessoal, essa expedição também influenciou minha vida profissional. Ao longo de tantos atendimentos, percebi o quão importante é certificar-me de que o paciente entendeu as orientações dadas para o sucesso do tratamento.

Como estágio de internato, essa viagem também foi excepcional, pois foram realizados numerosos atendimentos, diversos procedimentos e até pequenas cirurgias, fato que não se consegue em nenhum outro estágio da graduação. Esse talvez tenha sido o melhor de todos eles.

Além de tudo isso, levarei sempre comigo memórias inesquecíveis e novos amigos.”

 


 

Diagnósticos Navio Oswaldo Cruz Navio Soares de Meireles

 

Doenças atendidas e procedimentos realizados

Ivas, rinite e bronquite 186 146
Doencas infectoparasitárias 184 384
Doença dermatológica 133 261
Exame médico rotina 53 50
Dor osteoarticular, lombalgia, cifose 72 113
Cefaléia  38 40
Doença aparelho digestivo (esofagite, gastrite) 39 151
Pneumonia 4 5
Anemia/desnutrição 24 17
Diabetes 7 23
Hipertensão 33 55
ITU 35 83
Asma  7 10
Otite e rinite 20 9
Doença inflamatória pélvica 16 27
Vulvovaginite 28 10
Alteração ciclo menstrual 27 37
Obesidade  2 2
Doença tireoide 2 2
Colelitíase 3 5
Ferimento corto contuso 7 0
Gravidez 22 10
Exame ginecológico rotina  39 40
Oftalmologia (conjuntivite, catarata) 5 16
Procedimentos cirúrgicos 8 14
Transtornos mentais/comportamentais 1 6
Neoplasia (boca, estômago e próstata) 3 11
Outros  21 60
Total  1.019 1.587

*Foram realizados mais de um diagnósticos por paciente. Por isso no navio Oswaldo Cruz foram atendidos 944 pacientes e realizados 1.019 atendimentos. No navio Soares de Meireles foram atendidos 1.012 pacientes e feitos 1.587 diagnósticos.

 

(Colaborou: Fátima Lopes)


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