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CAPA

EDITORIAL (pág. 2))
Campanha sensibilizará a classe sobre registro da titulação


ENTREVISTA (pág. 3)
Aloísio Tibiriçá, 2º vice-presidente do Conselho Federal


EVENTOS (pág.4)
Acompanhe os próximos encontros do Cremesp, inscreva-se e participe


ATIVIDADES (pág. 5)
Encontros abordaram dor abdominal e cursos não reconhecidos pelo CFM


EDUCAR PARA PALIAR (págs. 6/7)
Nova área de atuação trará benefícios ao paciente terminal


DIA DO MÉDICO (págs. 8/9)
Fenmesp, Simesp, APM e Academia de Medicina discutem reivindicações da classe médica


ÉTICA & BIOÉTICA (pág. 10)
Profissionais de várias áreas da saúde participaram dos encontros


GERAL 1 (pág. 11)
Pessoas físicas e jurídicas podem efetuar o pagamento de maneiras diferenciadas


COLUNA DO CFM (pág. 12)
Representantes do Estado no CFM se dirigem aos médicos e à sociedade


GERAL 2 (pág. 13)
Destaque para o encontro nacional dos corregedores realizado pelo CFM, em Brasília


ALERTA ÉTICO (pág. 14)
Análises do Cremesp ajudam a prevenir falhas éticas causadas pela desinformação


GALERIA DE FOTOS



Edição 276 - 11/2010

EDUCAR PARA PALIAR (págs. 6/7)

Nova área de atuação trará benefícios ao paciente terminal


Medicina Paliativa é oficializada como área de atuação

“Hoje, nasce um novo médico. Um profissional voltado a desempenhar sua crença e seu compromisso em favor do cuidado da vida e não da doença, pautado na construção de um conhecimento vindo da fusão de vários saberes.” 


D'Avila, Bettega e Sílvia, durante abertura do congresso em São Paulo

As palavras acima, proferidas pelo paliativista Ricardo Tavares de Carvalho, um dos mestres de cerimônia do IV Congresso Internacional de Cuidado Paliativo, realizado de 6 a 9 de outubro,  precederam o anúncio oficial da Medicina Paliativa como área de atuação do médico,  feito pelo presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz d’Ávila. Além dele, a mesa de abertura contou com Sílvia Barbosa e Roberto Bettega, respectivamente, presidente e vice-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), organizadora do evento.

Faltam alguns detalhes formais antes de a proposta de criação da área ser submetida ao plenário do CFM. Por exemplo, a Associação Médica Brasileira (AMB) indicará quais especialidades têm interface com a área, além da Clínica Médica, Cancerologia, Geriatria e Gerontologia, Pediatria, Medicina de Família e Comunidade, permitindo o estabelecimento de programas de residência e centros de formação.

Na prática, entretanto, conforme a regulamentação anunciada no encontro ocorrido no Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital Sírio-Libanês, prevê-se empenho pela melhora na qualidade do atendimento a pacientes portadores de doenças crônicas e incuráveis ou que estejam em fase final de vida. Porém, a mudança mais importante relaciona-se à exigência de formação específica em Medicina Paliativa: o “Educar para paliar”, trazido como mote do congresso e empregado em forma de cursos, simpósios e mesas-redondas durante o evento.

Diretrizes de Vontade
Assunto sempre lembrado ao se falar em Cuidado Paliativo, as Diretrizes Antecipadas de Vontade (documentos que permitem à pessoa transmitir decisões sobre cuidados de fim de vida, quando ainda estiver consciente) foram discutidas no primeiro dia de congresso, entre outros, pelo bioeticista José Eduardo de Siqueira. Em síntese, o professor incentivou o médico a agir como uma espécie de “facilitador” da autonomia do paciente, na expressão de seus desejos.
 
Se a atitude é correta, sua prática ainda não é fato. De acordo com estudo abrangendo dez UTIs brasileiras, realizado pelo palestrante Jefferson Piva, professor da PUC/RS, a decisão relativa à limitação ao suporte de vida é tomada isoladamente pelo médico, quando deveria ser compartilhada com a família.

Educar para paliar
Grandes reflexões e debates focalizando treinamentos dos médicos também fizeram parte do congresso, envolvendo competências básicas em cuidados paliativos. Entre elas, como lidar com o paciente terminal e sua família; avaliação sistêmica – nas esferas física, psicológica, social e espiritual –; abordagem dos sintomas físicos comuns; princípios de manejo da dor física/uso de opioides; e suporte psicossocial.

Lawrence Librach, diretor do Temmy Latner Center for Palliative Care do hospital canadense Mount Sinai, expôs o projeto Pallium Canada de treinamento à distância para profissionais da saúde, na área de cuidados paliativos e terminalidade da vida. O modelo envolve comunidades que partilham conhecimento, comunicação on line, conferências e formação de profissionais. “É preciso adaptar o método às culturas regionais e mantê-lo atualizado periodicamente”, recomendou.

Humanização e políticas de medicamentos
A quarta sessão plenária do Congresso Internacional de Cuidados Paliativos abordou a terapêutica básica em cuidados paliativos e a política de medicamentos para o Brasil.

Sob a coordenação de Roberto Bettega – que seria eleito depois presidente da próxima gestão da ANCP –, teve entre os destaques a presença do oncologista argentino Eduardo Bruera, diretor da International Association for Hospice and Palliative Care (IAHCP), falando sobre a importância do trabalho dos paliativistas em conjunto com médicos de outras especialidades, como os oncologistas.

Bruera defendeu ainda a humanização do atendimento médico, em detrimento da valorização da doença. “Há muita ênfase nas doenças e falta atenção suficiente às pessoas”. Além disso, o oncologista disse que os paliativistas devem desenvolver atitudes realistas, abertas e sinceras, perante os atendidos. “O paciente se sente melhor com isso, não pior”.

Na mesma mesa, a também oncologista Maria Inês Gadelha, coordenadora do Sistema de Informação do Controle do Câncer de Mama (Sismama) do Ministério da Saúde, abordou a política nacional de medicamentos. “Qualquer sistema de saúde precisa promover uma relação de medicamentos essenciais, empregando critérios que sejam técnicos e cientificamente comprovados. Têm de ser seguros, eficazes e efetivos”, concluiu.

Cuidado paliativo no Código de Ética Médica
Segundo definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) Cuidado Paliativo é a abordagem que promove qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, por meio de prevenção e alívio do sofrimento. Requer a identificação precoce, avaliação e tratamento impecável da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual.

Iniciativas pulverizadas na área acontecem há cerca de 30 anos no Brasil, mas ganharam vulto com a criação, em 2005, da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) e, mais recentemente, com a inclusão do tema no Código de Ética Médica, nos artigos 36 e 41, além do item XXII dos Princípios Fundamentais, que determina que, nas situações clínicas irreversíveis e terminais, o médico evitará a realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários e propiciará aos pacientes sob sua atenção todos os cuidados paliativos apropriados.

Aqui se morre mal, concordam paliativistas


Parsons, Maria Goretti e Tavares: falta assistência ao processo de morte no país

Antes da abertura do Educar para Paliar, Maria Goretti Sales Maciel, presidente da Comissão Científica do encontro; Ricardo Tavares de Carvalho, presidente da Comissão Organizadora, e Henrique Parsons, do Anderson Cancer Center, convidado internacional, concederam entrevista exclusiva ao Jornal do Cremesp. Confira alguns trechos:

Jornal do Cremesp – A revista The Economist avaliou o acesso aos cuidados paliativos em 40 países, e o Brasil ficou em 38° lugar. Aqui se morre mal?
Goretti –
A revista considerou que sim, por falta de uma assistência específica: o cuidado paliativo. Nosso sistema de saúde ajuda as pessoas a nascerem, a receberem diagnósticos e tratamentos, mas não a morrerem. No Brasil, há duas situações lamentáveis: ou a porta do hospital é batida na “cara” do paciente terminal, ou a assistência é dada de modo desproporcional, direcionando recursos pesados e ineficientes ao tratamento de doenças sabidamente incuráveis.

JC – Por que há médicos que não reconhecem quando garantir a vida com recursos extremos serve apenas para prolongar o sofrimento do doente?
Ricardo –
Nós, médicos, somos treinados com essa forma exagerada de tratar porque costuma funcionar. O avanço científico é indiscutível e é ótimo quando objetiva a assistência a um doente com intercorrência, um problema agudo que o coloca em condição de risco iminente de morte. Só que tal conhecimento não se aplica às pessoas com uma realidade diferente. Ao contrário, pode agregar uma série de danos, sem nenhum tipo de benefício. Não consegue mudar o rumo final da história, que é a morte.

JC – O médico está disposto a participar do debate sobre terminalidade e cuidado paliativo?
Ricardo –
O médico dificilmente se insere no debate por considerar não ser este “o seu papel”. Porém, não existe ninguém que agregue o mesmo conhecimento científico do médico para tomar uma decisão clínica. É uma questão de atribuição: o médico é o único capaz de dar respostas a várias perguntas de pacientes e seus familiares.
Goretti – Muitos colegas consideram cuidados paliativos como algo menor. Em médio prazo, conseguiremos mudar essa realidade, já que o fortalecimento da área vem ocorrendo nos últimos 30 anos. Uma de nossas principais vitórias acontece hoje, com o reconhecimento como área de atuação, para a qual é necessário se capacitar.
JC – Por fim, se for seguido o padrão ouro britânico sobre Cuidado Paliativo, o Brasil necessitaria de 10 mil leitos na área, mas conta com cerca de 300. Como mudar?
Goretti – É preciso educar para paliar, legitimar a prática, envolver profissionais.
Henrique Parsons – Sim, precisamos dessa quantidade enorme de leitos, porém, com pessoal gabaritado para assisti-los. Por conta de certificações, todo mundo diz que oferece “cuidado paliativo”, mas essa lógica não pode avaliada pelo número de leitos disponíveis.


Cremesp realiza Congresso de Bioética em Ribeirão Preto


Bacheschi (ao microfone) participa de abertura do congresso

Com o objetivo de promover debates e reflexões sobre temas presentes desde o nascimento até a morte, o Cremesp promoveu o III Congresso de Bioética de Ribeirão Preto (Cobirp), de 7 a 9 de outubro. O evento foi organizado pelos conselheiros Isac Jorge Filho e Reinaldo Ayer de Oliveira, além de Marco Aurélio Guimarães, membro da Câmara Técnica Interdisciplinar de Bioética do Cremesp. “Um médico será, certamente, melhor e útil à comunidade se tiver formação que inclua a visão bioética”, avalia Isac Jorge.

Longe da panaceia
O primeiro destaque do congresso foi a conferência de abertura Células-tronco: estado atual dos conhecimentos e aplicações, ministrada por Marco Antônio Zago, diretor clínico do HC de Ribeirão Preto. De forma didática, afirmou que as terapias baseadas em células-tronco embrionárias são, sim, uma boa promessa da ciência. Porém, deixou claro que a tecnologia está muito distante de ser aplicada com sucesso em pacientes.

A conferência aconteceu logo após a abertura oficial realizada pelo presidente do Cremesp, Luiz Alberto Bacheschi, que afirmou que Ribeirão vem se consolidando como polo difusor da Bioética. “Não tenho dúvida em afirmar o sucesso do evento”. Dividiram a mesa com Bacheschi, além de Zago e Isac Jorge Filho, Stênio José Correia de Miranda e Cleusa Cascaes Dias, respectivamente, secretário municipal da Saúde e presidente do Centro Médico de Ribeirão Preto.

Desejo da morte
Uma das mesas-redondas discutiu o desejo de morrer de vários tipos de pacientes. O tema Crianças, adolescentes e terminalidade foi proposto pelo pediatra Clóvis Constantino, conselheiro vice-corregedor do Cremesp, segundo o qual desde pequenos os pacientes, em suas limitações, reconhecem o processo de morrer.

O geriatra Paulo Formighieri explicou que, diferentemente do jovem, o paciente idoso não teme a morte em si, “mas a finitude e o tipo de morte a ser enfrentada”. O infectologista Caio Rosenthal, conselheiro do Cremesp, esclareceu em sua palestra sobre Aids e Morte que o desejo de morrer não é o mesmo que a vontade de morrer. “O desejo acontece sob o impacto de uma notícia difícil, corresponde a reação inicial do paciente de Aids. Já a vontade vem do esgotamento, e vincula-se à fase terminal da vida”.
 
Também fizeram parte da programação as seguintes palestras:  Bioética e Cidadania, por Christian de Paul Barchifontaine, do Centro Universitário São Camilo; Bioética e Meio Ambiente, por Isac Jorge Filho; as mesas Conflitos e dilemas em Reprodução Assistida, com Rui Ferriani e Geraldo Duarte, do Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto; e Privacidade e Sigilo Profissional, com Elma Zoboli, professora de Enfermagem da USP e José Sebastião dos Santos, médico da Fmusp/Ribeirão Preto. 

O III Cobirp contou com alguns diferenciais, como os espaços de discussão sobre dilemas bioéticos de difícil resolução – com perguntas da plateia –, coordenados pelo conselheiro José Marques Filho e Marco Aurélio Guimarães; e a apresentação de resultados de trabalhos e teses, da qual participaram, entre outros, o conselheiro Antônio Pereira Filho e o delegado do Cremesp em Santo André, Airton Gomes.



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