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CAPA

EDITORIAL (pág. 2)
Bráulio Luna Filho*


ENTREVISTA (pág. 3)
Marcos da Costa, presidente da OAB-SP


ÉTICA (pág. 4)
Conflitos de interesse


CAMPANHA (pág. 5)
Mobilização em apoio às Mães da Sé


CONSULTA (pág. 6)
Código de ética e publicidade


CONFEMEL (pág. 7)
Capital estrangeiro


SUS (pág. 8)
Mobilização


FINANCIAMENTO (pág. 9)
Programa de Aceleração do Crescimento


INSTITUIÇÕES (pág. 10)
Hospital de Câncer de Barretos


AGENDA (pág. 11)
Atividades do Cremesp


EU, MÉDICO (pág. 12)
Vida profissional x vida pessoal


JOVENS MÉDICOS (pág. 13)
II Fórum do Médico Jovem


BIOÉTICA (pág. 15)
Herança genética


ENSINO MÉDICO (pág. 16)
Código de Ética e Estudantes


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Edição 324 - 04/2015

INSTITUIÇÕES (pág. 10)

Hospital de Câncer de Barretos


Solidariedade na luta contra o câncer


Hospital recebeu 129.550 pacientes e realizou cerca de
740 mil atendimentos em 2014


Reconhecido centro de excelência, o Hospital de Câncer de Barretos trava batalhas mensais para manter a estrutura de atendimento ao SUS
 

O samba enredo da escola Imperatriz de Corumbá, no Carnaval que passou, foi uma homenagem ao Hospital de Câncer de Barretos (HCB). Na “ala dos pacientes” estavam “foliões” em tratamento ou já curados no hospital. A cidade é apenas um dos 1.756 municípios de todos os Estados que têm pacientes cuidados pelo HCB.

A rede, administrada pela Fundação Pio XII, tem unidades em Jales, no interior paulista, em Porto Velho, em Rondônia, e seis hospitais em Barretos. Dirigida por Henrique Prata – pecuarista, peão de rodeio e filho do casal de médicos (Paulo e Scylla Prata) que fundou o HCB, em 1962 –, a rede é referência no País e América Latina para cuidados humanizados, prevenção, diagnóstico, tratamento, ensino e pesquisa sobre o câncer.

Em 2012, Barretos passou a ser o único hospital do continente americano a ter um centro de treinamento em cirurgia minimamente invasiva e robótica. O primeiro foi o Instituto de Treinamento em Técnicas Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica (IRCAD), da França, do qual o HCB é parceiro. Estruturado para realizar mais de 50 treinamentos próprios por ano, o centro recebeu cerca de 3,7 mil cirurgiões do País e de fora, em três anos. Em várias de suas atividades, o hospital é parceiro de centros internacionais reconhecidos como melhores no tratamento do câncer.

“Além de cuidar do paciente, temos uma metodologia para ensinar os médicos. Nosso grande modelo é usar a tecnologia em um ambiente de estudo em benefício do paciente e ganho para a comunidade médica”, diz Vinicius de Lima Vazquez, diretor clínico do hospital.
 

Estrutura

O Instituto de Ensino e Pesquisa, voltado para estudos aplicados na prática clínica, possui um Programa de Pós-Graduação e Doutorado aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação (MEC). Conta ainda com um Núcleo de Apoio ao Pesquisador e uma Unidade de Pesquisa Clínica e os medicamentos disponíveis na atualidade, além do Centro de Oncologia Molecular, que beneficia o paciente por meio de pesquisas e do desenvolvimento de uma medicina personalizada. O diagnóstico molecular para suspeitas de câncer hereditário já é usado no hospital, assim como testes genéticos. “Somos um dos poucos credenciados pelo SUS – talvez o único – a oferecer esses exames”, diz o diretor clínico.

De acordo com o médico, “a média histórica de sobrevida em longo prazo – acima de cinco anos – no hospital é de 60%. Nos patamares brasileiros, não há índice superior a esse”, diz. Em países desenvolvidos, fica entre 80% e 90%. Por trás desses números está o diagnóstico tardio, que afeta metade dos que são levados ao hospital. “Muitos pacientes chegam na urgência oncológica sangrando”, lamenta.

Falta dinheiro para tratamento, ensino, pesquisa e, sobretudo, para prevenção. “Mais recurso para prevenção significaria mudanças de hábitos de vida e diagnóstico precoce, com taxas de mortalidade menores”, afirma. “Como hospital terciário, somos apenas a ponta de um iceberg que esconde um problema muito maior, de carência, de educação, de dificuldade de acesso. Tudo desemboca aqui”, afirma Vazquez.
 

Rede de ajuda

Todos os fatos e números que se referem ao HCB são superlativos. Em 2014, recebeu 129.550 pacientes, realizou 740.069 atendimentos, 12.149 procedimentos cirúrgicos e 70.078 quimioterapias. Oito carretas transformadas em unidades móveis de prevenção percorreram 199 cidades e 97.298 km. Em Porto Velho está sendo construído um novo centro, orçado em R$ 80 milhões. “Em três anos, nenhum paciente da Amazônia terá que viajar até Barretos”, promete.

Há quatro anos preocupado com os longos trajetos percorridos por seus pacientes, o HCB estendeu sua rede para Jales e Porto Velho. Os dois hospitais ainda não foram credenciados pelo SUS, o que significa que nada recebem do Ministério da Saúde. “É como se eles não existissem, embora atendam 2 mil pacientes por dia e nada cobrem pelos serviços”, diz o diretor.

Os gastos de todas as unidades e serviços de prevenção do HCB atingem R$ 27,5 milhões ao mês. Os recursos que vêm do SUS e dos governos dos Estados somam R$ 21milhões. “Sobra uma dívida de R$ 6,5 milhões que a fundação precisa correr atrás todo mês”, comenta Prata. Contra essa ameaça, a fundação construiu uma rede de ajuda. São milhares de atividades e eventos, de bingos a leilões, com renda revertida para os hospitais, sobretudo nas 600 cidades que enviam seus pacientes para tratamento. “Dos 54 municípios de Rondônia, 52 fazem leilões de gado para arrecadar fundos para o hospital da região”, diz Prata.
 


Cruzada contra a medicina especulativa
 

Prata cresceu com o avô, um dos maiores fazendeiros do interior paulista. Aos 15 anos deixou a escola e assumiu a administração da fazenda, até que o pai, o médico Paulo, convidou-o para “acudir” o hospital afundado em dívidas. Sensibilizado pelas dificuldades e abandono que afligem os doentes de câncer e seus familiares, Henrique iniciou uma cruzada pelos pobres e contra o que chama de medicina especulativa, “que só se interessa pelo lucro e só atende quem pode pagar muito”. “As leis dificultam qualquer iniciativa para a saúde dos pobres, mas incentivam hospitais caros e privados”, protesta.

Peão na cidade que tem a mais famosa festa de rodeio do País, Prata apresenta um programa de TV na Rede Vida, de mesmo nome do seu livro Acima de Tudo, o Amor. A publicação vendeu 100 mil exemplares e ajudou a arrecadar mais de R$ 10 milhões de doadores. “O livro ensina gestão de hospitais voltados para o câncer. As pessoas querem saber como sobreviver com apenas 50% do valor de custo. Eu ajudo a criar alternativas”, diz.

O peão de rodeio tem uma sugestão aos políticos e candidatos: que assumam um termo junto aos eleitores de que, quando necessitarem, eles e seus familiares sejam tratados em um hospital público do próprio Estado. 
 


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