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Edição 339 - 08/2016

EU MÉDICO - (Pág. 12)

Arary Triba


Infectologista participou da descoberta da encefalite no Brasil

 

“A clínica é mais que um livro, o que se aprende com a prática
não se esquece mais”


Tiriba: autor de tese sobre a epidemia de encefalite por arbovírus,
na década de 1970

 

Em 91 anos de vida, dos quais mais de 60 dedicados à Medicina, Arary da Cruz Tiriba atuou como professor titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e, hoje,  aposentado, ainda ensina como voluntário na enfermaria de doenças infecciosas do hospital da universidade.

Um dos participantes da descoberta da encefalite no Brasil, ele revela verdadeira paixão pelo ensino prático: “sempre gostei de levar situações para demonstrar aos alunos”, diz o professor.

O interesse pela infectologia surgiu por acaso. Natural de Santos, Tiriba mudou-se para a Capital com o objetivo de estudar Medicina na Escola Paulista de Medicina. Já nos dois últimos anos do curso, era acadêmico interno do Hos­pital da Santa Casa e também da Casa Maternal e da Infância Leonor Mendes de Barros, onde fazia plantões. “No meu tempo de estudante, seguramente fiz mais que uma centena de partos”, diz. Segundo ele, embora não existisse Residência Médica, o estudante de sua época era inclinado a procurar a prática em diversos hospitais.

 Na Santa Casa, entre outras atribuições, aprendeu a aplicar anestesia, num período em que o método para sedar atravessava um processo de transição. “Era colocada uma máscara na face do paciente e pingávamos clorofórmio. Depois, a anestesia passou a ser feita com gases em aparelhos”, explica.

Em 1950, ano de sua formatura, Tiriba tinha recebido uma oferta de emprego na cidade de Lins para atuar como anestesista, com grande perspectiva de fazer carreira na área. Mas, no dia da solenidade, um mestre da Escola Paulista, o professor Pereira Barreira Neto, o chamou para trabalhar no Hospital Emílio Ribas, na época denominado Hospital de Isolamento, do qual era diretor. Recusou a proposta anterior. “Não tive como dizer não ao professor Barreto, que era um homem muito imponente e respeitável. Aceitei a proposta, mesmo um tanto contrariado”, lembra.

 

Carreira na infectologia

São Paulo passava por epidemias de diversas doenças, como meningites, varíola e outras. Uma delas era a difteria, chamada também de crupe. As crianças vindas de outros países, eram mais suscetíveis ao vírus, embora as brasileiras também o contraíssem. O vírus atingia as vias respiratórias, e a criança ficava sem fôlego. Tiriba lembra que, no inverno, aumentavam os casos: “chegávamos a realizar quatro ou cinco cirurgias por noite”. Era feito um corte no pescoço, com um bisturi, e era preciso desfazer uma membrana com o dedo, para chegar à traqueia. Então, era feito um furo no qual se introduzia a cânula – um pequeno cano de prata –, para que a criança pudesse respirar e, nesse momento, as secreções eram expelidas. “Esse processo tinha de ser rápido e era feito sem anestesia”, relata o médico.

No mesmo ano em que chegou ao Emílio Ribas, conforme foi aprendendo com o professor Barreto Neto, recebeu o título de assistente extranumerário, que era equivalente ao de um professor auxiliar. Ensinava aos alunos da Escola Paulista de Medicina no hospital e, desde então, não se afastou mais do ensino médico da universidade, na qual atua até hoje.

 

Encefalite no Vale do Ribeira

Na metade da década de 1970, havia uma epidemia de meningite. Muitos pacientes vinham da região do Vale do Ribeira, no litoral paulista, para o hospital, com suspeita da doença. Porém, notava-se que havia diferenças entre esses pacientes e os demais diagnosticados com meningite. Nessa época, a Secretaria de Saúde encarregou Tiriba e sua equipe de montar um hospital de emergência no município de Itanhaém para tratar os pacientes e tentar descobrir a origem da doença.

O infectologista percebeu sintomas específicos nos doentes, como hiperacusia, alucinações, amnésia, perda dos sentidos, entre outras manifestaçõess graves. Tratava-se da encefalite atribuída ao arbovírus Rocio, uma do­en­ça até então não classificada ou diagnosticada.

Ao voltar para a Capital, Tiriba escreveu uma tese sobre a epidemia de encefalite por arbovírus, que presenciou no litoral sul de São Paulo. Segundo ele, escrever uma tese não estava nos seus planos, porém se convenceu de fazê-la para que seu estudo clínico pudesse contribuir para pesquisas posteriores.


Vertente artística


Uma das fotos feitas pelo professor no Vale do Ribeira
 

Ao longo da vida, o professor Tiriba também tem demonstrado  talento para a arte. Fotografias feitas por ele, ao longo dos anos, incluem retratos, paisagens e doentes, entre outros temas. Todas em preto e branco.  Tiriba viajou por diversos Estados do Brasil, e mesmo para outros países, para compartilhar sua experiência em relação a eventos epidêmicos, quando aproveitava para registrar o que chamava sua atenção .

E o professor também escreve. O gosto pela literatura aparece em seus textos nos quais narra experiências de forma poética. É membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) e agora quer se dedicar mais à escrita.

 


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