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HISTÓRIA - HOMENAGEM
Luiz Carlos Raya


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Edição 207 - 11/2004

HISTÓRIA - HOMENAGEM

Luiz Carlos Raya


Uma vida dedicada à Saúde e à justiça social

Isac Jorge Filho*

Em 1954 o jovem Luis Carlos Raya saía de sua Rio Claro rumo a Ribeirão Preto. Repetia a decisão de muitos jovens deste imenso Brasil que procuravam ingressar na nova Faculdade de Medicina que a Universidade de São Paulo criara em 1952, iniciando a interiorização do ensino médico.

Uma vez universitário, passou a demonstrar a inquietude das pessoas especiais, com intensa atividade política e cultural. Quando ingressei na USP/Ribeirão, em 1961, seu nome já era lendário e tido como uma das melhores e mais polêmicas cabeças produzidas pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo.


Tido como comunista, o que lhe valeu perseguição injusta e prisão após o golpe militar de 1964, Raya, na realidade, lutava por justiça social e ao que se saiba, nunca pertenceu a quadros partidários. Foi seu espírito de luta, sua indignação permanente contra a injustiça social e, principalmente, seu idealismo, que o levaram, por três vezes, a ser Secretário da Saúde de Ribeirão Preto, mesmo sem estar filiado a partidos políticos. Coisas difíceis de explicar para outras pessoas, mas não para o Raya, que era um cristão com C maiúsculo, na linha kardeciana, e admirador incondicional de São Lucas, sobre o qual chegou a escrever para nossa revista “Ser Médico”.

Sempre inquieto, Raya não parava. Escrevia para o Jornal do Centro Médico e para os jornais da cidade, foi presidente do Conselho do Centro Médico de Ribeirão Preto e da Sociedade Latino-Americana de Pediatria, da Sociedade de Pediatria de São Paulo – SPSP e da Academia Ribeirãopretana de Letras, e membro do Conselho Editorial da Revista “Ser Médico”.

Juntos organizamos o “I Encontro Estadual de Secretários de Saúde”, fazendo parte do Congresso Paulista de Doenças Digestivas. Era incansável. De gênio às vezes difícil, tipicamente espanhol, contou com alguns –  poucos – desafetos, como na já citada e injusta prisão. Mas era amigo de seus amigos, muito leal e dono de invejável senso de justiça.

Passou por esta vida vivendo-a intensamente e deixando uma verdadeira multidão de amigos e admiradores. Foi marido exemplar, tendo na esposa, Wanda, constante parceira e estimuladora de sua vida intensa e bem-sucedida. Foi pai carinhoso e amigo, professor dedicado, médico pediatra de sucesso, “do corpo e da alma”, como preconizava seu querido São Lucas. É o caso de se perguntar: o que mais podia querer? Pois queria mais, muito mais. Dentro de sua inquietude intelectual, política e humanística, e da capacidade sempre presente de se indignar ante a injustiça e o sofrimento, queria um mundo mais justo e mais fraterno. Lutou por isso a vida toda. E lutou como luta um bravo, um forte. Perdeu sua última luta, contra a doença. Mas mesmo nesta foi corajoso até o fim e, dentro daquilo em que acreditava, não foi a luta final, mas apenas, a última desta encarnação. É bom que seja assim, pois nos dá a esperança de reencontros.

Que Deus o tenha, meu caro Raya. A história certamente irá registrá-lo como pessoa exemplar, referência para as centenas de discípulos e os milhares de pacientes e amigos que você, com todo mérito, conquistou ao longo desta vida!

Isac Jorge Filho é conselheiro do Cremesp, ex-presidente da Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição de São Paulo e coordenador do grupo de trabalho do Conselho que estuda a violência contra os médicos. 


Trechos do artigo “São Lucas, o médico evangelista”,  de Luis Carlos Raya  para a edição número 22 (jan/fev/mar – 2003) da revista Ser Médico

“O maior mérito de Hipócrates é o de haver retirado a Medicina dos deuses, entregando-a aos homens. Próximo do Xamanismo, utilizando muitos conceitos asclepianos, mas buscando a ciência, Hipócrates se fez precursor da Medicina ocidental, pois privilegiou a visão do homem na sua integralidade e elaborou princípios éticos que resistem ao tempo.”

“[São] Lucas impregnou a Medicina de amor, de compaixão, solidariedade e até de cumplicidade, pois aliou aos conhecimentos adquiridos na escola de Medicina de Pádua e aos ensinamentos de Keptah, médico e humanista egípcio, a crença de que o preparo espiritual dos enfermos e o carinho dos médicos são de grande valia no êxito do tratamento instituído. Lucas procurava estimular a confiança no médico e a fé do paciente como fatores fundamentais para a obtenção de bons resultados.”

“Não me parece fora de propósito trazer para os nossos dias a descrição de Platão no Livro IV das Leis: ‘Já observaste que há duas classes de pacientes (...), os escravos e os homens livres? E os médicos-escravos correm de um lado para outro e curam os escravos, quando não os atendem nos ambulatórios. Esses clínicos nunca falam com os clientes pessoalmente nem permitem que eles exponham suas próprias queixas. O médico-escravo receita o que a mera experiência indica, como se tivesse conhecimento exato e, depois que dá suas ordens, como um tirano, sai correndo com a mesma petulância para ver outro servo doente. (...) No entanto, o outro médico, que é um homem livre, atende e trata homens livres; faz uma anamnese recuada e entra a fundo na natureza da desordem; trava conversa com o paciente e com seus amigos e, ao mesmo tempo que obtém informações dele, vai lhe dando instruções na medida do possível. Mas não lhe receitará nada até que o tenha convencido."  

“Talvez pudéssemos adotar, como sugerido por Bernie Siegel, que ‘todos os médicos deveriam trabalhar, como parte de sua formação profissional, com pessoas portadoras de doenças incuráveis. Seriam proibidos de receitar medicamentos ou intervenções cirúrgicas; precisariam, isso sim, sair a campo e ajudar os doentes afagando-os, rezando com eles, participando, no nível emocional, de suas dores.’... Seria o reconhecimento da religiosidade, imprescindível na praxis médica e, nesse sentido, a frase em epígrafe do Evangelho de Lucas é emblemática: desafio, censura ou exortação? Mas certamente não se refere a doenças físicas, de médico, e sim ao mecanicismo/materialismo, que ignora a alma e a fé, robotizando o ato médico.”


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