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CAPA

EDITORIAL
Editorial de Isac Jorge Filho sobre a crise dos falsos médicos


ENTREVISTA
O convidado desta edição é Júlio Waiselfisz, sociólogo argentino radicado no Brasil


ATIVIDADES DO CONSELHO 1
Destaque p/o Módulo VII - Pediatria, no Programa de Educação Continuada de março


ATIVIDADES DO CONSELHO 2
Programação de eventos especiais comemoram os 50 anos do Cremesp


GERAL 1
Planos de saúde querem redução de coberturas e fim do ressarcimento


MOBILIZAÇÃO
Mais verbas p/SUS é o que pedem os conselhos profissionais


ESPECIAL 1
Análise da Avaliação do Ensino Médico 2005, mostra resultados positivos


ESPECIAL 2
Vem aí novas regras para a propaganda de medicamentos


ATUALIZAÇÃO
Acompanhe textos de Renato Ferreira da Silva e André Scatigno Neto


AGENDA
Cremesp tem participação ativa nos eventos pertinentes à classe


TOME NOTA 1
Texto produzido pelo Centro de Bioética aborda a Licença Maternidade


TOME NOTA 2
Portaria deve agilizar processos adminsitrativos disciplinares


HOMENAGEM
Oswaldo Paulino, médico do Trabalho, recebe homenagens do JC


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Edição 222 - 02/2006

ENTREVISTA

O convidado desta edição é Júlio Waiselfisz, sociólogo argentino radicado no Brasil



“O poder público e os cidadãos encaram,
hoje, a violência como algo natural”

O sociólogo argentino Júlio Jacobo Waiselfisz, coordenou em 2005, para a Unesco, a pesquisa “Mapa da Violência de São Paulo”. Além de ter sido professor e pesquisador de diversas universidades latino-americanas, consultor de vários organismos internacionais, Júlio é autor de estudos que tratam da violência no país, destacando-se as publicações “Revertendo Violências, Semeando Futuros” e “Mortes Matadas por Armas de Fogo no Brasil”. Ao Jornal do Cremesp, falou sobre medidas preventivas de combate à violência, o papel da sociedade civil e a necessidade da adoção de políticas públicas mais eficazes.


Estudo da Unesco, coordenado pelo senhor, mostra a queda dos índices de violência no Estado de São Paulo. Mas a impressão da população não é justamente o contrário?
Acompanhamos os dados desde 1999 e São Paulo é o único Estado do Brasil que experimentou seis anos consecutivos de queda dos índices de violência e não só da taxa de homicídios. Mas a violência no Estado ainda é alarmante. Houve uma tomada de consciência da sociedade paulistana, desde 1997, impulsionada por notícias de seqüestros de grandes empresários. Naquele ano, pela primeira vez os paulistanos identificaram a violência como principal problema. Antes, as pesquisas apontavam o desemprego. Foram tomadas algumas medidas, entre elas a Lei Seca (fechamento de bares nas periferias após determinado horário), uma melhoria significativa das polícias municipais, criação do Disque Denúncia, do Fórum Metropolitano de Segurança Pública, que reúne prefeitos e secretários municipais de segurança pública, além do surgimento de instituições exclusivamente preocupadas com a violência.

Um exemplo é o Movimento Sou da Paz, formado por estudantes de Direito, que fez a primeira campanha do desarmamento em São Paulo, nos anos de 1999 e 2000, e que hoje é um Instituto e se preocupa com a capacitação da polícia. Também houve modernização e investimento em segurança pública no Estado de São Paulo. Segurança, no entanto, não pode ser só entendida como repressão, o que geralmente acontece. É preciso melhorar o sistema carcerário, melhorar o sistema de justiça, melhorar a polícia e, é claro, adotar políticas sociais mais eficazes.

A lei seca funciona realmente?
Em São Paulo, 16 municípios aderiram à Lei Seca. Após um estudo chegamos à conclusão de que só a Lei Seca não significa uma grande melhoria, mas quando é associada a outros programas de prevenção da violência e da criminalidade, ela é muito eficiente. Alguns dados de homicídios comprovam isso, pois chegaram a cair 18% em municípios  após a Lei Seca. Já em nove municípios que associaram a Lei Seca a outros programas, a queda foi de 26%.

O Mapa da Violência mostrou que no final de semana mais que duplicam os índices de violência, mortes e criminalidade. Tanto as vítimas quanto os causadores da violência são, em geral, jovens. Pessoas na faixa de 15 a  25 anos de idade. Quando fazemos pesquisas qualitativas descobrimos que era por falta de opção. Os jovens pobres da periferia urbana das grandes cidades não têm muitas alternativas no final de semana: é rua, boteco, álcool e drogas. O tempo que eles têm de lazer se converte rapidamente no tempo da violência. Dar alternativas a esses jovens, abrir as  escolas nos finais de semana, oferecer cultura, lazer, esporte etc são medidas simples que surtem efeito e fazem cair a violência.

O senhor concorda com estudiosos que afirmam que a conquista da cidadania é a arma mais eficaz contra a violência?
Hoje, tanto o poder público quanto os cidadãos encaram a violência como um  fenômeno natural. Acreditam que não há nada  a ser feito, além de se protegerem. A violência aparece como um tsunami, um vulcão ou uma tempestade que, quando chega, causa perplexidade: o que vamos fazer? A resposta é: vamos fugir. Então, muda-se de bairro, coloca-se sistema de policiamento, tudo devido ao medo e por acreditar que não há nada que possa ser feito para acabar com a violência. Isso precisa mudar. 

Uma série de medidas pode diminuir drasticamente os índices de violência. Medidas que não consistem em comprar carros e armamentos, mas tomadas a partir da articulação da sociedade civil e da consciência da cidadania. Vejam a diferença: em São Paulo foram criadas, por iniciativa da  sociedade civil, instituições que pressionaram o governo, seja ele qual for. Já em Pernambuco, o próprio governo foi quem nomeou um conselho de paz, instituição que é totalmente inoperante. Ou seja, é a mobilização da sociedade que torna o  governo mais eficiente para combater a violência. A violência não pode ser tratada com naturalidade e os governos  precisam não só enfrentar a violência, garantindo proteção, mas implementar políticas que previnam o que está gerando a violência. Um exemplo internacional é Bogotá, uma das capitais mais violentas do planeta. Tornou-se um lugar circulável em poucos anos, com desarmamento, melhoria do espaço público, criação de alternativas de lazer e outras políticas públicas.

Por que a população votou “não” no plebiscito sobre venda de armas de fogo?
A questão foi mal formulada. Segurança deve ser tema do Estado e não da população civil. Não cabe à sociedade decidir. Imagine um plebiscito para decidir se devemos ou não armar a polícia? Ou um plebiscito para decidir se o país deve ou não  combater a Aids? Também houve, de um lado, uma propaganda eleitoral inteligente, que levou a maioria a julgar não o desarmamento, mas a própria ausência de políticas públicas de segurança. O tema foi mal proposto, pois não foi um plebiscito contra o desarmamento, mas sobre o livre comércio de armas e munições. Enfim, sérios erros foram cometidos.

Qual o impacto da violência na área da saúde?
A violência gera ao sistema público de saúde uma demanda que não deveria existir, gastos que poderiam ser destinados a outras ações. É impressionante a demanda hospitalar por causas externas, devido a homicídios, acidentes de trânsito, tiros e uso de armas. São milhares de mortes que poderiam ser perfeitamente evitáveis com mecanismos de prevenção, com mais integração das políticas públicas.

O que a sociedade pode fazer?
Vale dizer que o crescimento do terceiro setor no Brasil traz atualmente significativas contribuições para a queda da violência, principalmente quando mobiliza a sociedade, quando ocupa representações nas esferas do governo, nos conselhos, atuando em parceria e fazendo o Estado assumir e  executar políticas públicas.


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