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Edição 21 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2002

LIVRO DE CABECEIRA

A Morte de Ivan Ilitch e O Livro de San Michele

A Morte de Ivan Ilitch

Celso Hiram de Freitas*

Essa obra prima de Leon Tolstoi nos leva a sentir que as perdas são inevitáveis e com elas a gente morre um pouquinho a cada dia. Há quem tenha nascido de parto normal, levado uma vida banal e morrido de morte natural, dormindo, sem nunca ter sofrido. Há o inverso, quem nasceu para sofrer. Há os que viveram normalmente até o dia em que se depararam com a dor. Ivan Ilitch teve uma vida normal até o instante em que ficou enfermo. A surpresa, o desespero e o inconformismo com a perspectiva de morte ainda jovem, narrados em A Morte de Ivan Ilitch, impressionam pelo realismo da situação e pelo dida-tismo da apresentação. O espectro da morte, antes tão improvável e remota, fez com que ele percebesse como foi efêmera e inútil a sua existência, aumentando ainda mais a sua dor.

Em nossa profissão tentamos salvar nossos pacientes.Tratamos a dor apenas como um acontecimento limitado ao aspecto físico das sensações humanas. O sofrimento e o desamparo do enfermo, nesse momento crucial, ficam esquecidos pelos circunstantes. Esse sofrimento poderia ser percebido, entendido e mitigado. A dor maior de um moribundo está no âmago de sua alma.

A Morte de Ivan Ilitch, escrito em 1886, depois de Guerra Paz e Anna Karenina foi, provavelmente, uma antevisão de sua própria morte como vagabundo, depois de ter nascido e vivido na aristocracia. O conto é uma metáfora de extraordinário valor que mostra, com muito realismo, como o homem vê a vida diante da morte e encontra nos seus horrores a percepção de quão vazia foi sua existência.

*Celso Hiram de Freitas é radiologista, ex-presidente da Sociedade Paulista de Radiologia.


O Livro de San Michele

Guido Arturo Palomba*

O Livro de San Michele é uma das mais emocionantes biografias de nossa época. É a história de um solitário médico sueco que viveu na primeira metade do século XX em Paris, Londres, Lapônia e Roma. Em sua vida fecunda experimentou as mais interessantes vivências, às vezes fortes e assustadoras, como os impressionantes dias que passou nos bairros pobres de Nápoles, onde a cólera grassava e as ratazanas enfurecidas, saídas das cloacas, em profusão, atacavam como cães raivosos, devorando cadáveres e semivivos.

O clima de magia é contagiante e a parte histórica é rica em narrativas. O autor, Axel Munthe, foi contemporâneo de personagens da história da Medicina, cujas descrições, riquíssimas, são especialmente curiosas pelas particularidades. Descreve, com a mesma sensibilidade, ricos, pobres, nobres, anônimos e andrajosos que marcaram a sua vida. Munthe era um grande amigo dos animais, amava os cães e dizia que, no dia do juízo final, eles ganhariam voz e seriam os primeiros chamados a testemunhar.

No final de sua vida, septuagenário e quase cego, Munthe refugiou-se na belíssima Anacapri — na ilha de Capri, em frente à ponta sul do golfo de Nápoles na Itália —, cercado pelo infinito mar azul, longe de tudo, quiçá tentando achar, no simples, a resposta para o mistério da complexa existência.

Há quem entenda que San Michele é o livro da morte, mas não o é. É o livro da vida, misteriosa e às vezes inexplicável, como a Esfinge. Como escreveu um crítico: “Com todo o seu realismo e malgrado as duras e cruas cenas que nele ocorrem vez por outra, O Livro de San Michele é um evangelho de bondade”.

É uma excelente leitura que recomendo aos colegas”.

*Guido Arturo Palomba é Secretário-Adjunto da Academia de Medicina de São Paulo e diretor cultural da Associação Paulista de Medicina (APM).

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