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Nesta Edição
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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
Renato Azevedo Júnior - presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 4)
Mia Couto, biólogo e jornalista moçambicano


CRÔNICA (pág. 8)
Homenagem a Moacyr Scliar, médico e escritor, falecido em janeiro deste ano


SINTONIA (pág. 10)
Surge um novo conceito de doença e de saúde


CONJUNTURA (pág. 13)
Identificação possível


SAÚDE NO MUNDO (pág. 14)
Saúde Global versus Saúde Internacional


DEBATE (pág. 17)
A qualidade das embalagens comercializadas no país


GIRAMUNDO (págs. 22/23)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e da atualidade


PONTO COM (pág. 24)
Acompanhe as novidades que agitam o mundo digital


EM FOCO (pág. 26)
Transtornos afetivos na infância


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 29)
Confira a indicação de leitura de Caio Rosenthal*


CULTURA (pág. 30)
José Marques Filho*


GOURMET (pág. 36)
Uma receita especial de Debora Handfas Gejer e Geni Worcman Beznos


TURISMO (pág. 40)
A "suíça brasileira" bem ali, na Serra da Mantiqueira...


CARTAS & NOTAS (pág. 47)
Diretores e conselheiros da terceira gestão 2008-2013


POESIA( pág. 48)
Mia Couto em “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”


GALERIA DE FOTOS


Edição 55 - Abril/Maio/Junho de 2011

TURISMO (pág. 40)

A "suíça brasileira" bem ali, na Serra da Mantiqueira...



Campos do Jordão

Natureza, arte, gastronomia e badalação

Araucárias imponentes, plátanos frondosos e floradas de hortências são praticamente típicos da paisagem de Campos do Jordão, assim como os chalés e casarões em estilo alpino. As araucárias são autóctones, já os plátanos, de belas folhagens que variam de cor com a mudança das estações, são originários do Hemisfério Norte e começaram a ser importados a partir da década de 1940. Foi nessa época que floresceu a arquitetura, também importada, dos Alpes da Europa – de telhado em ângulo agudo com a função original de evitar o acúmulo de neve sobre as casas –, que rendeu à cidade o título de “a suíça brasileira”.

Localizada na privilegiada Serra da Mantiqueira, a quase 1.700 metros de altitude, é a cidade mais alta do Brasil, de estações bem definidas, com temperaturas que podem ficar abaixo dos cinco graus no inverno e a 13 graus nas noites de verão. O desenvolvimento da região é marcado por três ciclos, o da exploração do ouro, entre 1703 e 1874; o dos sanatórios, entre 1874 e 1940 (veja box na pág. 46); e o do turismo, que começou em 1940 e dura até hoje. Passou a ser badalada no inverno, frequentada por gente que desfila elegantes casacos por ruazinhas que abrigam mais de 60 restaurantes de variados cardápios, além de vitrines com grandes marcas. Com a queda de preços das passagens aéreas internacionais nos últimos anos, essa cidade de 50 mil habitantes enfrenta concorrentes de peso como destino turístico de clima invernal. Ainda assim, chega a receber cerca 1,5 milhão de visitantes na alta temporada, nos meses de junho e julho. Isso porque tem opções de lazer e prazer para os mais variados gostos, com atrações culturais de alto nível, passeios ecológicos em meio à natureza e visões panorâmicas de cadeias de montanhas.

O Parque Estadual, ou Horto Florestal, preserva um dos últimos trechos de floresta de araucária do Estado. Logo na entrada, há uma área para piquenique e passeios leves, com jardins e bosques recortados por riachinhos, lagos, viveiro de mudas, restaurante e até uma capelinha rústica. É possível fazer passeios em meio ao horto – de trenzinho, bicicletas alugadas ali mesmo ou caminhadas por trilhas que levam a cachoeiras. Pelo caminho avista-se as maiores araucárias da região, árvores que podem chegar a 35 metros e produzem os pinhões, que alimentam pequenos mamíferos como os esquilos que habitam o parque. Entre as atrações para crianças há um circuito de arvorismo por pontes e tirolesas.


Casarão em estilo alpino no bairro de Capivari

Campos do Jordão não decepciona os apreciadores de arte. O Palácio Boa Vista, um castelo de influência gótica e neoclássica – que serve de residência de férias de governadores do Estado – possui um rico acervo de 1.600 peças de variados estilos como rococó, barroco, art noveau e modernista. Há de tudo um pouco, de objetos e móveis dos séculos 17 e 18 a obras de Tarsila do Amaral, Anita Malfati, Di Cavalcanti, Portinari, Victor Brecheret e Flávio de Carvalho. A Igreja de São Pedro, projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e construída anexa ao Palácio, é outro exemplar modernista do conjunto artístico. Faz parte desse acervo, o quadro Operários, de Tarsila do Amaral, que chegou a ser alvo de disputas entre a Pinacoteca do Estado e a comunidade de Campos do Jordão.


Arquitetura importada, em meio a pinheiros e araucárias, caracteriza a cidade

O Museu Felicia Leirner, um dos maiores ao ar livre da América Latina, tem cerca de 80 obras abstratas e figurativas, de bronze e concreto, distribuídas pelas paisagens de belos jardins em meio a espécimes raros da flora. Escultora de origem polonesa radicada no Brasil e reconhecida mundialmente, Felicia doou grande parte de suas obras a Campos do Jordão antes de falecer, em 1996. Do meio dos jardins de esculturas, emerge o Auditório Claudio Santoro, de linhas suaves e integrado à paisagem. Com cerca de 900 lugares, sedia o Festival de Inverno de Campos de Jordão, um dos mais importantes eventos brasileiros de música clássica, que recebe artistas de várias partes do mundo. A cidade também abriga o Museu Casa da Xilogravura, considerado o maior do gênero no país.


Charrete, um dos meios de locomoção para turistas


Palácio Boa Vista, que guarda valiosa coleção de arte




Nas fotos acima, riacho e hortências no Horto Florestal

Entre Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí está o Complexo do Baú, um conjunto de rochas muito apreciado para passeios e escaladas. A Pedra do Baú, a 1.950 metros, é a mais vistosa do conjunto. Sua base tem 540 metros de extensão. Ao seu lado estão a Pedra Ana Chata (a 1.670 m) e Pedra Bauzinho (a 1.760 m). O Pico do Itapeva, o quinto mais alto do país, a 2.030 metros, brinda o visitante com uma impressionante vista do Vale do Paraíba e de cidades da região. A estrada que leva ao Itapeva passa pelas Duchas de Prata, um conjunto de cachoeiras canalizadas que formam jatos d’água para banhos.
 
Campos do Jordão é um dos 12 municípios que detém o título de Estância Climática no Estado de São Paulo. Ao seu redor, há fazendas e propriedades privadas ou públicas com boa infraestrutura para pesca, caminhadas, cavalgadas, campo de golfe e muito mais. Passeios pelos mais diversos meios podem ser contratados ou alugados. Bicicletas, cavalos, charretes, pedalinhos, tirolesa, trem, bondinhos e guias para trilhas e alpinismo estão à disposição dos turistas. O teleférico que sai de Capivari e leva ao Morro do Elefante, a 1800 metros, é uma atração concorrida.


Estação de trem de Santo Antonio do Pinhal

Da estação de trem Emílio Ribas, um bondinho urbano percorre em 40 minutos os principais bairros da cidade – Capivari, Jaguaribe, Abernéssia e Parada de São Cristóvão. Da mesma estação sai um trem que leva ao município vizinho de Santo Antônio do Pinhal, sob o trecho ferroviário mais alto do país, acima dos 1.740 metros, oferecendo uma deslumbrante vista da região. Também merece uma visita a Fonte Água Santa, local de engarrafamento da água Minalba, a 1.350 metros de altitude.

Depois de um dia em meio à natureza, as noites sempre mais frias em Campos do Jordão ainda prometem muito. O clima é apropriado para apreciar seu diversificado roteiro gastronômico de nível internacional. Foundues e trutas são praticamente “típicos” da cidade, assim como  pratos à base de salmão, cordeiro e os da cozinha alemã. Completam esse ambiente as casas de deliciosos chocolates artesanais e as lojinhas de malhas e casacos espalhadas por pequenos shopping centers. O bairro de Capivari é o centro turístico da cidade e concentra o badalado ir e vir de pessoas.

Hospedagem


Portal de Campos do Jordão

Campos do Jordão conta com mais de 210 hotéis e pousadas, alguns têm vistas deslumbrantes das montanhas, outros permitem caminhadas e prática de esportes como equitação, tênis, futebol e piscinas aquecidas ao ar livre. Para quem viaja com criança, alguns hotéis oferecem equipes de animação. É uma importante sede brasileira de congressos e eventos. O município pleiteia ser uma das cidades subsedes da Copa de 2014, de apoio aos atletas que visitarão o Brasil, já que seu clima favorece o condicionamento físico.

Localização
Campos do Jordão está a 167 km da capital paulista, no alto da Serra da Mantiqueira, quase na divisa com o sul de Minas Gerais.


O ciclo da cura em Campos do Jordão

Médicos contribuíram para o desenvolvimento da região


Desativado em 1983, o Sanatório S. Cristóvão tornou-se colônia de férias

O sanitarista, historiador e empreendedor Domingos Jaguaribe foi um dos médicos que contribuí­ram para o desenvolvimento de Campos do Jordão como estância de cura. No final do século 19, ele adquiriu boa parte das terras de seu entorno para constituir a Companhia Brasileira de Colonização. Jaguaribe teria sido o primeiro a propagar o clima da região como propício à recuperação de doentes. No começo do século 20, no período pré-antibióticos, a tuberculose atingiu características de epidemia no Brasil, época em que surgiram as primeiras casas de saúde, em regime de semi-internato.

O médico Emílio Ribas, diretor do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo entre 1896 e 1917, foi decisivo para a consolidação do ciclo da cura em Campos do Jordão. Após uma viagem à Europa, em 1908, para estudar a profilaxia da tuberculose, ele recomendou a instalação de um sanatório especializado, não apenas por causa do clima propício, mas para afastar os enfermos dos grandes centros urbanos e reduzir a propagação da doença. Ribas foi o idealizador da Estrada de Ferro de Campos do Jordão, para transporte de doentes ao alto da serra, juntamente com o também sanitarista Victor Godinho. Os dois chegaram a projetar uma Vila Sanitária na região, que não saiu do papel.

A partir da instalação da ferrovia, os vilarejos da região tornaram-se importantes centros de tratamento de doenças pulmonares. Na década de 1940, Campos do Jordão chegou a possuir 14 sanatórios e dezenas de pensões exclusivas para doentes. Boa parte dos sanatórios era ligada a missões filantrópicas que cobravam dos que tinham posses, mas assistiam, em alas separadas, os que não podiam pagar. O hospital São Paulo, por exemplo, de acordo com ata de sua assembleia, de 25 de janeiro de 1934, teve 55,3% “indigentes” internados e 44,7% pacientes pagantes em 1933. Alguns sanatórios foram criados para a elite, como Sírio e Santa Cruz; e, outros, por coletivos de trabalhadores.

Já no final da década de 30, a cidade também começou a atrair turistas. O livro Campos do Jordão, publicado em 1940, de autoria de Mário Sampaio de Ferraz e distribuído gratuita¬mente, exaltava as belezas do local recomendando-o, tan¬to aos que precisavam de tratamento quanto àqueles que procuravam descanso longe da agitação urbana. A propaganda teria sido um pedido de Emílio Ribas ao autor. Um decreto de 1940 dividiu a cidade em duas zonas, reservando as vilas Jaguaribe e Capivari ao turismo e Abernéssia para tratamento. Na zona turística, os hotéis passaram a exigir atestado de saúde dos hóspedes, sendo que alguns deles possuíam aparelhos de Raio X. Com o surgimento de medicamentos para a tuberculose, muitos sanatórios foram desativados e outros transformados em hospital. O Sanatório 3 de Outubro, construído em 1952 por uma sociedade espírita, encerrou suas atividades em 1981 e, em 1983, foi transformado em hotel. Um dos últimos a ser fechado foi o Sanatório São Cristóvão, fundado em 1935 para atender à Associação dos Choferes do Estado de São Paulo. O São Cristóvão foi desativado em 1983 e, em 1985, passou a abrigar uma colônia de férias.

Fontes e referências bibliográficas AQUI.


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