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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág.1)
Renato Azevedo Júnior - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 4)
José Feliciano Delfino Filho


CRÔNICA (pág. 10)
Tufik Bauab*


EM FOCO (pág. 12)
Voluntários do Sertão


SINTONIA (pág. 15)
Emerson Elias Merhy*


DEBATE (pág. 18)
A relação médico-paciente e a internet


GIRAMUNDO (págs. 24 e 25)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e atualidade


SAÚDE NO MUNDO (pág. 26)
O sistema de saúde público no Japão


HISTÓRIA DA MEDICINA (pág. 30)
Epidemias: os grandes desafios permanecem


CARTAS & NOTAS (pág. 33)
Conexão com o usuário a um clique


HOBBY (pág. 34)
Alexandre Leite de Souza


PONTO COM (págs. 38/39)
Informações do mundo digital


CULTURA (pág. 40)
Imperdíveis exposições da Pinacoteca


TURISMO (pág. 42)
Das flores de Bali ao enxofre do Ijen


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 47)
Dica de leitura de Desiré Carlos Callegari *


FOTOPOESIA( pág. 48)
Adélia Prado


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Edição 58 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2012

HISTÓRIA DA MEDICINA (pág. 30)

Epidemias: os grandes desafios permanecem

As epidemias, como a Peste Negra ou a Gripe Espanhola, dizimaram parte significativa da humanidade, que ainda hoje enfrenta os grandes riscos das mutações virais


Pieter Brueghel, "O Velho" (1526-1530/1569)/O Triunfo da Morte (detalhe)/Wikimedia Commons/Museu do Prado, Espanha/Óleo sobre painel/117cm x 162cm.

Agentes infecciosos, de fácil propagação, mobilizam a humanidade constantemente, e de forma dramática. Em alguns casos, nem mesmo os números gigantescos dão conta do impacto das epidemias nos doentes e nas sociedades, alterando costumes e desagregando o tecido social. Não importa o alcance tecnológico atingido pelas diversas áreas do conhecimento, mesmo hoje a ciência e os responsáveis pela saúde estão sempre sujeitos a ter de lidar com mutações virais e seus grandes desafios. Por isso, a curiosidade pelas grandes patologias dizimadoras leva sempre à busca de explicações, além de trazer benefícios úteis para enfrentar o que pode estar por vir.

Uma das epidemias mais fatais da história, a Peste Bubônica ou Peste Negra, atingiu a Europa medieval, no século 14, entre os anos de 1347 a 1353. Segundo as versões mais conhecidas, foi trazida da Ásia por roedores que habitavam os porões dos navios utilizados nas transações comerciais. De acordo com dados da University College Cork, na Irlanda, a população mundial foi reduzida de 450 milhões para 350 milhões de pessoas naquele período. No meio urbano, a propagação da doen¬ça era fácil, pois as péssimas condições de higiene nas comunidades europeias favoreceram o aumento de ratos portadores da bactéria Pasteurella pestis. Esse organismo infectava os humanos, principalmente por meio da picada de pulgas, e o sofrimento das vítimas começava poucos dias depois de contraí-lo. A transmissão também acontecia de pessoa para pessoa, facilitada pelos conglomerados humanos.

Os sintomas gerais eram mal-estar, dores de cabeça e no corpo, falta de apetite, febre e a presença de bubões – inchaços capazes de aumentar o volume das células – que atacavam o sistema linfático e davam nome à doença. Já os pulmões e o sangue, quando diretamente afetados, desencadeavam letargia, diminuição da pressão arterial e sonolência, matando a vítima em apenas três dias. Tais ocorrências levavam à falta de oxigenação cutânea e deixavam a pele do enfermo com uma cor azulada que deu origem ao nome Peste Negra. A denominação remetia, também, ao medo que a enfermidade causou, apropriada pela Igreja para justificar a ira divina sobre os pecadores. Uma das medidas adotadas pela população foi o uso de vinagre no corpo para tentar afastar ratos e pulgas.

“Ela não foi contida ou erradicada por ação humana; a doença persistiu, como endemia, durante três séculos e houve surtos epidêmicos isolados até praticamente desaparecer da Europa Central no século 18”, explica Joffre Rezende, professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás e membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina. Um estudo recente, realizado pelo Instituto de Arqueologia Científica da Universidade de Tubingen, na Alemanha, e pela Universidade McMaster, no Canadá, afirmou que, apesar de ser menos devastadora e perigosa, a doença ainda existe. No entanto, houve mudanças no curso de sua evolução. “A bactéria causadora da peste continua existindo e pode infectar o homem, porém ela é sensível ao tratamento com antibióticos”, afirma Rezende.

A Peste, por Boccaccio

Dez anos depois de a peste ter assolado a cidade de Florença, o poeta e crítico literário italiano Giovanni Boccaccio descreveu-a em sua obra Decameron: “No ano de Nosso Senhor de 1348, em Florença, a cidade mais formosa da Itália, ocorreu a mais terrível epidemia: seja por influência dos planetas, seja porque Deus a tenha enviado como justo castigo por nossos pecados, irrompeu alguns anos antes no Oriente e depois saltou de lugar em lugar, levando a mais espantosa desolação por onde passava, até alcançar o Ocidente, onde, apesar de todas as tentativas que a arte e a previsão humana sugeriam, como manter a cidade limpa de lixo e expulsar todas as pessoas suspeitas (...) Apareciam tumorações nas virilhas ou nas axilas, do tamanho de uma maçã pequena, ou mesmo de um ovo, enquanto no Oriente ocorriam hemorragias nasais que pressagiavam um desenlace fatal. Depois, apareciam manchas purpúreas em quase todo o corpo... mensageiros habituais da morte. Nem o conhecimento médico, nem o poder dos medicamentos tinham qualquer efeito sobre essa doença, seja por ser fatal por si mesma, seja porque os médicos, cujo número se viu aumentado por charlatães e farsantes, não podiam descobrir nem a causa e nem o tratamento, e pouquíssimos escaparam. Morriam geralmente no terceiro dia e sem febre (...) A enfermidade crescia dia a dia, ao comunicar-se do enfermo até as fontes (...) Nem sequer havia necessidade de falar com o enfermo ou estar perto dele; bastava tocar suas roupas ou qualquer coisa que havia tocado (...) Estas ocorrências e outras semelhantes atemorizavam os sobreviventes, visto que tanto os enfermos como os que haviam tido contato com eles tinham o mesmo final, cruel e desumano (...) Alguns pensavam que o melhor era viver com moderação (...) porém outros defendiam uma vida livre, sem privar-se de nenhuma satisfação (...) e foi ignorada toda lei, tanto humana como divina (...)”.


Outras epidemias

Gripe Espanhola
Além das violentas disputas territoriais, a Primeira Guerra Mundial ficou marcada por uma enfermidade de âmbito mundial que contaminou 600 milhões de pessoas, dentre elas 20 milhões de vítimas fatais. A violenta gripe surgiu em 1918 e, rapidamente, alastrou-se pela Europa e pela América. Devido ao fato de o maior número de mortes ter ocorrido na Espanha, a doença recebeu o nome de Gripe Espanhola ou Influenza, como ficou conhecida no meio médico.

Os sintomas eram os mesmos de uma gripe dos dias atuais, mas muito mais intensos: febre, coriza, mal-estar e dores de cabeça e no corpo. Porém, a incapacidade de se descobrir o agente causador fazia muitas pessoas falecerem em curto prazo.

No Brasil, a Influenza chegou por meio dos navios europeus e atingiu diversos Estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul. No Estado paulista, onde havia o melhor serviço de saúde para atendimento aos pacientes, o número de óbitos estimado superou 12 mil.

Influenza A ou Gripe Suína
A Gripe Suína, nome popular da Influenza A, foi a demonstração mais recente dessas ocorrências virais. “A pandemia de Influenza, de 1918-1919, foi um evento marcante na história da saúde pública e seu legado continua de muitas formas. Os descendentes desse vírus têm circulado pelo mundo desde então”, afirma Anthony Fauci, diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (Niad), e colaboradores, em artigo publicado na edição on-line do New England Journal of Medicine, em 2009, quando o vírus H1N1 preocupou o mundo.

Tuberculose
Estudos apontam esqueletos humanos de 3.000 a.C., encontrados na Alemanha, como os primeiros portadores conhecidos de sinais de Tuberculose. A doença vem acompanhando o homem em sua existência, e teve um de seus ápices no século 18, quando a epidemia recebeu o nome de Peste Branca devido ao tom pálido que a pele adquire nos processos febris. Deixou um bilhão de mortos entre os anos de 1850 a 1950. Lesões causadas pela TB podem se suceder nos gânglios, rins e outros lugares do corpo, mas os pulmões são os alvos mais comuns. Os sintomas consistem em febre, suor, tosse persistente e perda de peso. A descoberta do primeiro antibiótico eficaz contra a doença, em 1944, aliada ao isolamento em sanatórios, mostrou-se eficaz.
No entanto, a tuberculose nunca deixou de ser um problema de saúde pública. Com as migrações, casos resistentes podem ser transmitidos para populações que apresentam vulnerabilidade. Situações de pobreza e tratamento inadequado também contribuem para fortalecer o bacilo. “A Organização Mundial de Saúde (OMS) está preocupada não só com a doença, mas com os casos resistentes. A vacina não é totalmente eficaz, não há um grande esforço para erradicar a enfermidade e as pessoas acham que a TB não existe mais”, afirma Laedi Alves Rodrigues dos Santos, médica do Centro de Vigilância Epidemiológica do Programa de Tuberculose em São Paulo.

Cólera
Começou na Ásia, no início do século 19, principalmente na Índia e em Bangladesh. Espalhou-se pelo mundo, em 1817, e chegou ao Brasil em 1885. Não há números precisos, mas calculam-se milhares de mortos à época. Até hoje, a cólera é ainda um problema em países subdesenvolvidos. Em setembro último, a OMS declarou o alastramento da doença na Somália, confirmando 181 vítimas até então.

Varíola
Desde a Antiguidade, a Varíola causa prejuízos humanos. Somente entre os anos de 1896 a 1980, provocou 300 milhões de mortes por “bexiga”, como era popularmente conhecida. No Brasil, apenas na cidade de Cuiabá, no Mato Grosso, mais de 3 mil habitantes faleceram em 1867. A doença só pode ser contida e erradicada graças às campanhas de vacinação realizadas a partir de 1980.
(Colaborou Tainá Grassi)


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