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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág.1)
Renato Azevedo Júnior - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 4)
José Feliciano Delfino Filho


CRÔNICA (pág. 10)
Tufik Bauab*


EM FOCO (pág. 12)
Voluntários do Sertão


SINTONIA (pág. 15)
Emerson Elias Merhy*


DEBATE (pág. 18)
A relação médico-paciente e a internet


GIRAMUNDO (págs. 24 e 25)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e atualidade


SAÚDE NO MUNDO (pág. 26)
O sistema de saúde público no Japão


HISTÓRIA DA MEDICINA (pág. 30)
Epidemias: os grandes desafios permanecem


CARTAS & NOTAS (pág. 33)
Conexão com o usuário a um clique


HOBBY (pág. 34)
Alexandre Leite de Souza


PONTO COM (págs. 38/39)
Informações do mundo digital


CULTURA (pág. 40)
Imperdíveis exposições da Pinacoteca


TURISMO (pág. 42)
Das flores de Bali ao enxofre do Ijen


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 47)
Dica de leitura de Desiré Carlos Callegari *


FOTOPOESIA( pág. 48)
Adélia Prado


GALERIA DE FOTOS


Edição 58 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2012

TURISMO (pág. 42)

Das flores de Bali ao enxofre do Ijen

Duas das 14 mil ilhas que formam a Indonésia, Bali e Java são distintas, mas igualmente fascinantes

Por Rodrigo Magrini*

Nice to see you again, mr. Rodrigo! É impossível não se sentir feliz ao ser reconhecido nas ruas de um país distante. Foi exatamente isso que aconteceu enquanto eu andava pelas ruas de Ubud, em Bali. Mas não se espante, Bali é assim, leve, simpática, única! Uma das 14 mil ilhas que formam a Indonésia, destaca-se pela beleza e gentileza de seus habitantes, 93% dos quais professam o hinduísmo balinês. Basta acordar cedo com o ensurdecedor canto dos pássaros, ou abrir a porta para a rua e ver centenas de mulheres vestidas a caráter – carregando na cabeça as oferendas do dia – para perceber que é um lugar realmente exótico. Elas param e gesticulam delicadamente os dedos entremea¬dos com flores, enquanto se abaixam para depositar, em frente a uma casa, loja ou estátua, uma pequena cesta de fibra vegetal repleta de flores, arroz e incenso, apenas para agradecer mais um dia, impregnando as ruas com cheiros e aromas singulares. Pode existir melhor cenário para acordar do que esse?

Mas, dessa vez, retornei com outro objetivo, além de rever amigos e relaxar um pouco. Vim para Ubud me preparar para uma outra grande viagem, subir o vulcão Ijen, na ilha de Java. Para isso foi necessário muito planejamento, enfrentar alguns problemas, e muita, mas muita paciência mesmo. Ou vocês acreditam que alguém que mora em um paraíso, trabalha quando precisa e tem toda calma do mundo está preocupado com a logística de um turista? Mas senhor, por que quer subir em um vulcão? Esta semana vamos ter a Festa da Lua Cheia... E por aí vai... Declinando vários convites, fui fazendo os preparativos depois de ter encarado um longo caminho: São Paulo-EUA-Hong Kong-Cingapura-Denpasar. Precisei de uns três dias para me sentir pronto para a nova jornada, com banhos de cachoeira, caminhadas em campos de arroz, e horas de uma bela sova disfarçada de tradição milenar, que aqui recebe o delicado nome de massagem balinesa.


Chalé de hortelã


Trabalhador recolhendo enxofre


Mulher durante colheita de arroz 

Se Bali é internacional, algumas partes de Java são simplesmente rudimentares. Depois de seis horas de ônibus – já que carros alugados não podem transitar em Java – e uma balsa de Gilimanuk (Bali) até Ketapang, em Java, fui calorosamente recebido por dezenas de homens oferecendo de tudo para ganhar algum dinheiro: de frutas exóticas a pássaros, de macacos a morcegos, hotéis, telefones, transporte e – acreditem – para tirar uma foto comigo, também por dinheiro, claro. Nessas horas, você se arrepende de não ter estudado javanês, como dizia o amigo americano que me acompanhava: Oh, my god! E não pensem que me refiro a pessoas gentis e sorridentes, não! Eles vêm desesperados, pegam você pelos ombros, sacodem seus braços, tocam seu queixo e lhe fazem olhar para eles. Sentei, respirei fundo, abracei minha mochila velha de guerra e fiquei pensando no porquê de minha alma não ser feliz na Disney. Depois de 20 minutos, levantei os olhos e 70% dos gentis habitantes haviam ido embora, provavelmente por me acharem muito estranho.

A cidade nos pegou de surpresa, não havia nenhuma infraestrutura básica, fosse restaurante ou hotel. Decidimos ficar no meio da avenida principal e parar o maior número possível de carros, pronunciando pausadamente a palavra Banyuwangi, esperando que uma alma boa nos levasse até essa cidade, próxima ao vulcão Ijen. Pegamos um veículo que parecia uma Kombi anã, muito, mas muito velhinha, mesmo. Estava feliz e não me importei de ficar por cerca de 90 minutos respondendo às perguntas do motorista e seu assistente. Como, se eu não falo javanês? Aqui vai um truque de um grande viajante brasileiro: seja lá onde você estiver, independente da língua, sempre diga: Brazil, Ronaldinho, Kaká e Elano. Impressionante, sempre funciona! Cantar nosso Hino Nacional também, eles adoram o ritmo.

Da cidade de Banyuwangi para a vila, aos pés do vulcão, foi bem mais fácil, pois decidimos ir a pé. Suando em bicas, subimos até lá, dando tchau para as famílias e crianças, comendo frutas pelo caminho e, após uma hora, fomos recebidos pelos empregados do hotel.


Plantação de arroz


Oferenda de flores feita pelas mulheres de Bali para dar graças por mais um dia

Acordei de madrugada com o barulho de cerca de 12 mesquitas chamando seus fieis pelos alto-falantes, em alto e bom tom, para as orações muçulmanas. Nada mal para quem precisava acordar às 4h15 e iniciar a maratona do dia. Duas torradas, um café e “bora”. Em um minuto estávamos sacolejando rumo ao topo do Ijen, localizado na região do Plato, onde três vulcões disputam espaço, beleza e respeito nessa parte Leste da ilha de Java.

Logo após deixar o hotel, passamos no meio de uma plantação de cravo da Índia. Jamais imaginara a beleza e a altura dessas árvores. Já as estradas são o inferno, aliás nada melhor que elas para preparar os aventureiros a caminho dos 2.600 metros vulcão acima. Mas a beleza do lugar compensa. Depois, foi a vez dos cafezais abrirem passagem na paisagem. E assim fomos subindo, durante duas horas, cercados por uma floresta de samambaias gigantes e enormes árvores tropicais povoadas de pássaros e macacos, que cantavam ou riam de nós, enquanto passávamos por caminhos de pedras e corredeiras.

A certa altura, o jipe, já cansado, parou na entrada do Parque Nacional e, dali pra frente, fizemos a pé uma hora de aclives. Terminada a floresta de samambaias, o cenário muda novamente à medida que alcançamos altitudes maiores, passando de bosques de pinus a plantas rasteiras e, finalmente, à ausência total de vegetação perto do cume do vulcão.

O Ijen é o típico vulcão de desenhinho, um cone perfeito cuja cratera, com mais ou menos 2 km de diâmetro, estreita-se até findar em um lago esverdeado, com 1 km de diâmetro, águas quentes e um PH=3, o maior do mundo nessa categoria. Nas encostas da cratera, minas expelem enxofre na sua forma líquida, devido às altas temperaturas dentro do vulcão, que logo se solidifica. O que o torna especial – diferentemente do Monte Bromo, que visitei também em Java, em 2009 – é a presença humana. Diariamente, cerca de 60 homens descem os 200 metros de declive da cratera para coletar aproximadamente 60 quilos de enxofre, que carregam nas costas, de uma só vez, morro acima, para depois serem vendidos.

Ao chegar ao cume do vulcão, fiquei desapontado ao vê-lo coberto por uma nuvem densa. Mas, como experiência é algo que vale muito, lembrei-me do Monte Bromo, puxei uma pedra e me sentei enquanto via dezenas de trabalhadores surgirem por entre as nuvens carregando o fardo do dia. Como por milagre, as nuvens desapareceram rapidamente e, na mesma velocidade, iniciei os mais longos 200 metros da minha vida rumo ao lago e à mina de enxofre.

Se a estrada rumo ao vulcão foi uma visita ao Éden, a descida mostrou-se, literalmente, um inferno na Terra. O caminho, muito estreito, me levou muitas vezes a ficar espremido entre fendas de rochas e penhascos para dar passagem aos trabalhadores. Pedra por pedra, me segurando ou sendo segurado, cheguei ao centro da cratera, no olho do Ijen. Lá, deve-se ficar atento, pois, rapidamente, uma nuvem de gases de enxofre pode ser eliminada de dentro do vulcão. Quando isso acontece, todos devem fechar os olhos e respirar através de um pano úmido durante cerca de 30 segundos, esperando a nuvem baixar. O calor, o cheiro e o medo fazem esse momento parecer eterno. Fiquei uns 30 minutos à beira do lago, e presenciei quatro nuvens de enxofre. O medo me impediu de ficar mais tempo.

O centro do vulcão é um lugar ímpar em beleza. As rochas das encostas, de cor cinza, criam um contraste impressionante com o lago de cor esverdeada e as paredes impregnadas pelo amarelo do enxofre. As altas temperaturas da água do lago lançam um vapor constante, dando um ar pré-histórico ao local.

Ao chegar ao velho e bom jipe, olhei para cima e lembrei do meu juramento sobre as próximas viagens serem mais “light”, mas já me arrependi, cá entre nós, cheiro de enxofre vicia...



Habitantes de Java fotografados por Magrini


*Rodrigo Magrini é dermatologista em Bragança Paulista e possui um site de viagens:
www.rodrigomagrini.com.


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