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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág.1)
Renato Azevedo Júnior - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág.4 a 9)
James Childress


CRÔNICA (págs.10 a 11)
Luis Fernando Veríssimo*


SINTONIA (págs.12 a 15)
Dimensão étnico-racial nos estudos sobre saúde


DEBATE (págs.16 a 21)
Hospitais devem receber investimentos externos?


CONJUNTURA (págs.22 a25)
Dilemas éticos no atendimento a presidiários


GIRAMUNDO (págs.26 a 27)
Curiosidades de ciência e tecnologia, história e atualidades


PONTO COM (págs.28 a 29)
Informações do mundo digital


EM FOCO (págs.30 a 32)
Paixão pelo futebol e pela Medicina


CULTURA (págs.33 a 35)
Loucura e Literatura


MAIS CULTURA (págs.36 a 37)
Mostra no MAC USP apresenta o artista como autor e editor


HOBBY (págs.38 a 41)
Médico fotógrafo


TURISMO (págs.42 a 46)
Carcassone: cidadela medieval


LIVRO DE CABECEIRA (pág.47)
Henri Beyle


FOTOPOESIA (pág.48)
Mário Quintana


GALERIA DE FOTOS


Edição 64 - Julho/Agosto/Setembro de 2013

EM FOCO (págs.30 a 32)

Paixão pelo futebol e pela Medicina

Prezado amigo Afonsinho

O ex-jogador de futebol, médico e ativista político, que hoje faz um trabalho de recuperação de doentes mentais, deixou um importante legado no esporte por meio da sua luta pela dignidade do atleta e pelo direito de gerenciar sua carreira com liberdade, em plena ditadura

José Marques Filho*


Médico, jogador de futebol profissional, ativista político, articulado e amigo de artistas, Afonsinho foi uma verdadeira lenda na década de 70, sendo eternizado pela famosa música Meio de campo, de seu amigo Gilberto Gil, gravada por Elis Regina.

Jogador profissional do Botafogo, de 1967 a 1970, foi “castigado” ao ser emprestado para o Olaria, no começo de 1970, devido a problemas de relacionamento com o treinador Zagallo e com a diretoria do clube. O Olaria fez um ótimo campeonato carioca, ganhando de diversos times grandes, inclusive da Seleção B do Brasil. E o destaque era o jovem meio-campista Afonsinho.

Nesse mesmo ano, permaneceu por meses na Europa, após curta excursão do Olaria pelo velho continente. Deslumbrado com a história e a cultura europeias, frequentou vários museus e entrou em contato com um intenso movimento político estudantil. Retornou, após alguns meses, com cabelos e barba compridos, ao Botafogo.

Em tempo de ditadura, barba e cabelos longos era um visual subversivo para as autoridades. Foi impedido de treinar no clube pelo técnico Zagallo e pela diretoria do Botafogo, que exigiam que ele os cortasse. Não foi aproveitado no Botafogo nem vendido a outro clube. Em uma manobra genial de seu advogado, entrou na Justiça pedindo passe livre, petição lastreada no fato de um trabalhador estar sendo impedido de exercer sua profissão.

No julgamento do Tribunal de Justiça da Federação carioca, perdeu. Apelou junto ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva, no qual venceu por unanimidade. Foi o primeiro jogador da história do futebol brasileiro a conquistar o passe livre. Em outras palavras, foi alforriado. Podia alugar seu passe a quem quisesse ou a quem o aceitasse com sua fama de “rebelde”. Apesar do conservadorismo dos dirigentes de futebol à época, choveram convites para contratar o jovem médico.

Foi perseguido pela ditadura e fichado no Sistema Nacional de Informações (SNI) como subversivo e comunista, mas nada o impediu de continuar sua luta por justiça e democracia. Para o jornalista Plínio Sgarbi, se o futebol teve um herói de esquerda, essa pessoa foi Afonsinho, o primeiro líder profissional das estrelas dos gramados a lutar pelos seus direitos, luta pela qual pagou um preço caro.

Como médico e jogador, rebelde para os padrões da época, carismático e, por vezes, com comportamento quase quixotesco, ocupou um lugar muito especial no imaginário coletivo do Brasil dos anos 70. Foi um dos grandes craques do futebol brasileiro. Um toque de bola refinado, uma visão de jogo incomparável e um potente arremate de meia distância eram suas características principais. Merecia ter sido convocado para a Seleção Brasileira e só não o foi devido à sua postura política e desafiadora em relação às autoridades da ditadura.

Talento
Afonso Celso Garcia Reis nasceu em São Paulo, em 3 de setembro de 1947, filho de José Reis, radiotelegrafista ferroviário, e de Isabel Garcia Reis, professora. Morou até os nove anos em Marília, São Paulo. A família mudou-se para Jaú, onde o jovem estudante fez o curso básico.

No esporte, jogou nas categorias de base e passou a frequentar a preparação do time principal do XV de Jaú, sendo aproveitado quando faltavam jogadores para completar o treino. Passou a atuar como amador no time do XV de Jaú, na segunda divisão do campeonato paulista.

Aos 17 anos, foi para o juvenil do Botafogo do Rio de Janeiro. Em pouco tempo, o jovem interiorano de São Paulo era titular dos juvenis e, com frequência, escalado no time principal. Passou a circular pelo Rio de Janeiro com a desenvoltura de um carioca da gema.

Além de jogar com Garrincha, no Botafogo, atuou também com Pelé, no Santos Futebol Clube. Alugou seu passe para diversos outros clubes brasileiros, como Vasco da Gama, Flamengo e Atlético Mineiro, XV de Jaú e Fluminense, onde encerrou a carreira, aos 35 anos de idade.

Uma de suas ideias mais geniais foi a criação de um time de futebol chamado Trem da Alegria, inspirado em Garrincha. A equipe, itinerante, era composta por ele e vários famosos jogadores em litígios com seus clubes. Era uma forma de resistência, que visava manter a atividade profissional e a forma física dos jogadores, além de garantir algum ganho para a sobrevivência. O nome, explicou o craque, vem de sua origem, uma família de ferroviário, e pelo fato de enxergar um time como uma trupe itinerante, como um trem ou um circo, também ícones da alegria.

O médico
Afonsinho iniciou o curso de Medicina em 1966, na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, onde se dividia entre as aulas, os movimentos estudantis, os plantões e sua atividade de jogador profissional do Botafogo. Após a formatura, fez especialização em Pediatria, mas a exerceu por pouco tempo. Concursado pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), passou a trabalhar no Centro de Reabilitação Profissional, na área de Fisiatria. Como jogador e como médico, jamais deixou de se empenhar pelas causas sociais.


Desenvolveu, ao longo de sua vida profissional na área da saúde, vários projetos de cunho social, utilizando toda a experiência que angariou como líder estudantil e quando lutava pela valorização do jogador brasileiro e pela liberdade do exercício da profissão.

Hoje, atua no Instituto Philippe Pinel, no Rio, onde realiza um trabalho de recuperação de doentes mentais utilizando o esporte e o lazer como complemento do tratamento psiquiátrico. Além disso, agora com raros fios de cabelos grisalhos e mantendo a barba crescida e bem aparada, comanda um projeto que promove a assistência a crianças carentes por meio do futebol, projeto batizado com o sugestivo nome de “Ex-cola”.


Meio de Campo
(Gilberto Gil)

Prezado Amigo Afonsinho
Eu continuo aqui mesmo
Aperfeiçoando o imperfeito
Dando um tempo, dando um jeito,
Desperezando a perfeição
E a perfeição é uma meta
Defendida pelo goleiro
Que joga na seleção
E eu não sou nem Pelé nem nada
Se muito for, eu sou Tostão


Referências
1. Souza, K. M. Prezado amigo Afonsinho. Método Editora, 1998.
2. Sgarbi, P. Prezado amigo Afonsinho. http://www.recantodasletras.com.br/biografias/63946.


*José Marques Filho é reumatologista e conselheiro do Cremesp.

 


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