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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág.1)
João Ladislau Rosa - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (págs. 4 a 9)
Marci L. Bowers e Ben Barres


CRÔNICA (págs. 10 a 11)
Marcelo Rubens Paiva*


SINTONIA (págs. 12 a 17)
Ciências humanas na prática médica


SUSTENTABILIDADE (págs. 17 a 20)
Água pode conter contaminantes endócrinos


ESPECIAL (págs. 21 a 27)
Conheça os processos de revalidação em outros países


MÉDICOS NO MUNDO (págs. 28 a 31)
Síria em guerra


GIRAMUNDO (págs. 32 a 33)
Curiosidades de ciência e tecnologia, história e atualidades


PONTO COM (págs. 34 a 35)
Informações do mundo digital


HOBBY (págs. 36 a 40)
Médico faz em média quatro grandes viagens por ano


CULTURA (págs. 41 a 43)
MIS - Museu da Imagem e do Som


GOURMET (págs. 44 a 47)
Médico prepara jambalaya creole


FOTOPOESIA (pág. 48)
Feliz 2014!


GALERIA DE FOTOS


Edição 65 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2013

HOBBY (págs. 36 a 40)

Médico faz em média quatro grandes viagens por ano

Turista, não, viajante!


Mulheres do grupo étnico vietnamita Hmong Flower

 

Viajar – e planejar as viagens – pelos lugares mais incríveis do mundo é o hobby do dermatologista Rodrigo Magrini


“Gosto de viajar para procurar a essência do ser humano, fugir do óbvio, do pausterizado; de seguir caminhos novos dentro dos países clássicos para turistas; de visitar aquela vilazinha no meio dos Pirineus, que produz um queijo singular; de trilhar por uma selva, durante três dias, e atravessar o Rio Mekong para conhecer os Hamong Flowers, na divisa do Laos com o Vietnã, e ver todo o intricado artesanato daquele povo; de escalar vulcões na ilha de Java e descobrir como o enxofre usado na indústria farmacêutica é produzido e extraído”

                    Magrini, ao centro da cratera do vulcão Ijen, em Java, na Indonésia

 

Difícil encontrar quem não goste de viajar como turista, conhecer outros lugares e culturas, mas fazer em média quatro grandes viagens por ano, longe dos roteiros comuns, é um hobby, ou, convenhamos, uma opção de vida. É o caso do dermatologista Rodrigo Magrini, que mora em Bragança Paulista, SP. Dono de um ótimo senso de humor, ele já escreveu algumas das melhores matérias de turismo da Ser Médico. Desta vez, no lugar de escrever, ele compartilha com os leitores sua vasta experiência mundo afora. E, surpresa: o seu hobby, na verdade, é planejar a viagem; estudar com antecedência, durante meses, tudo o que puder a respeito do próximo destino: roteiros, guias e livros de ficção cujas histórias se passam na região que visitará; e finalizar com a viagem, claro.

Tudo começou, relata, quando era criança. “Meus pais eram separados e em todas as férias eu visitava meu pai, que estava sempre pipocando por vários cantos do Brasil”, conta. Hoje, não sabe responder quantos países conhece. “Contar números acaba com a essência da viagem... Não tenho como competir com pacotes de sete países europeus em cinco dias! Viajar é vivenciar um lugar”, brinca o médico, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade São Francisco (USF), de Bragança Paulista, com residência no Hospital do Servidor Público Estadual. Antes, viajava sozinho, mas depois que conheceu seu amigo norte-americano, Paul, também viajante inveterado, passou a ter companhia.






Ao alto, turista iraniano faz pose em janela do Palácio Ishak Pasha, na Turquia. Na sequência, afrescos pintados em monastério na região de Bucovina, Romênia. Finalmente, acima, ruínas em Palmira, no deserto da Síria


A escolha do destino é feita de acordo com um conjunto de fatores. O site da Unesco é uma grande dica. “Os patrimônios da Humanidade estão lá, classificados por categorias e regiões. Faço uma seleção, escolho uns três ou quatro lugares, e depois inicio uma pesquisa para checar o clima deles em determinada época do ano. Resolvido isso, parto para os valores de passagem aérea, meios de transporte interno e, só depois – muitas vezes às cegas –, a hospedagem”. Magrini não se importa com hotéis estelares e chiques, pois optar por pequenos hotéis familiares e albergues – afirma – é um bom meio de garantir a próxima viagem.

Depois de conhecer tantos lugares e tantos povos, o médico teme ser injusto ao apontar aqueles que mais gostou. Mas decide tentar: “amo Bali, na Indonésia, mas não a Bali internacional dos hotéis milionários. Gosto das vilas no centro da ilha, mais especificamente Ubud, que fica aos pés de terraços suspensos de arroz, calma, tranquila e festiva. Também sou apaixonado pela Turquia, outro lugar que sempre volto feliz, mas fujo da maravilhosa Istambul. Hoje ‘baldeio’ do aeroporto direto para a região da Capadócia, onde tenho uma família de conhecidos em uma cidade bem pequena, que me aluga um quarto dentro daquelas famosas formações rochosas que tanto caracterizam o lugar. É especial!”. A Síria – continua – “é um dos lugares mais mágicos que conheci, com um povo amável e extremamente hospitaleiro, e me deixa muito triste o que está acontecendo lá”. Na cidade síria de Hama – recorda – há dezenas de rodas d’água gigantescas, que giram lentamente pelo Rio Orontes, provocando uma musicalidade nunca antes ouvida. “Um lugar pequeno, mas único na face da Terra”, assegura.

Magrini recomenda também a Romênia. “Ainda é a Europa camponesa, com cidades congeladas no tempo, comidas maravilhosas e uma história singular”. E – questiona – “como não gostar das pequenas cidades ‘perdidas’ na Califórnia? Acho o brasileiro extremamente preconceituoso em relação aos Estados Unidos, um país que tem muito a oferecer além do cartão de crédito. É uma pena a nossa visão capitalista sobre esse lugar”.

Indagado sobre os lugares mais exóticos que conheceu, ele responde: “Com todo respeito, tirando Coreia do Norte e Papua New Guine, posso dizer de boca cheia que não existem países ‘estranhos’”. Ele acredita que o diferente, atualmente, é redescobrir lugares dentro de um país ou região considerados comuns. Como exemplo, cita o enclave teocrático de Monte Athos, no Norte da Grécia. “Esse pequeno território é como se fosse o Vaticano da igreja Ortodoxa. O acesso a mulheres é proibido, e é preciso ter uma autorização solicitada com meses de antecedência ao governo desse lugar. Lá existem vários monastérios gigantescos e se pode ficar uma noite em cada um. Tem de acordar bem cedo para o serviço religioso e, depois do café da manhã, sair a pé, andar quilômetros e bater na porta de uma congregação para ver se é aceito. Aos que me julgam louco, lembro que esses monastérios têm, em média, mil anos, e suas igrejas são todas ornadas em prata e ouro, deixando muitas de nossas igrejas barrocas com complexo de capelinha! Os almoços são servidos em salões lotados de afrescos centenários, e suas enormes cozinhas são movidas a lenha, com os mesmos aparelhos de centenas de anos atrás. E as bibliotecas? Ahh... elas contêm originais preciosos, em grego, de evangelhos e outros clássicos”. Uma curiosidade – lembra – foi ter sido chamado no monastério de Simonopetra para assistir freis idosos com afecções dermatológicas. “Fui levado ao claustro, à noite, e fiquei aguardando um por um para ser examinado. O que me valeu aqui foi ter tido acesso à farmácia milenar, com todos os equipamentos centenários e aqueles incríveis potes de vidro contendo toda a sorte de remédios antigos. Foi uma incrível viagem médica no tempo”.

Sobre os muitos outros casos ou situações engraçadas pelos quais deve ter passado, Magrini brinca: “bom, quem me conhece sabe: se não tiver casos, eu os faço”. Dentre muitos deles, “desde os inevitáveis encontros com celebridades internacionais a atendimentos médicos nas alturas”, decide contar a respeito de quando estava com seu amigo norte-americano na capital síria, Damasco, visitando o bazar coberto. “Paul me pedia para não falar, de jeito nenhum, que ele é norte-americano, pois tinha receio da reação das pessoas. Até que, ao entrarmos em um comércio de especiarias, o dono veio todo simpático perguntar de onde éramos. Ele imediatamente respondeu: Canadá. Sorrindo, o comerciante lhe perguntou o nome da capital canadense. O pobre norte-americano gaguejou e, por fim, recebeu um forte abraço e ouviu um grande e sonoro: “You are my friend! Quem se odeia são os governantes, jamais os povos”.

Quanto a classificar quais os povos menos receptivos, ele reluta. Acha desleal estigmatizar um povo inteiro, ressalvando que, às vezes, fatores culturais e religiosos podem ser o motivo de acolhidas não muito calorosas. Para exemplificar, cita o Vietnã. “Os povos tribais do norte desse país são de uma amabilidade ímpar e, ao mesmo tempo, os habitantes da capital, Hanói, são de uma indiferença às vezes constrangedora, mas nunca grosseira. OK... um pouco!”, admite com humor.

Para conciliar as viagens com o exercício da Medicina, cada uma delas dura, no máximo, 20 dias, explica Magrini, sempre tentando aproveitar feriados, para não perder muitos dias de trabalho no consultório que mantém em Bragança Paulista. “Sou dermatologista, o que me dá uma liberdade maior no dia a dia”.

E qual a próxima viagem? Será – garante – “para onde a passagem estiver em promoção, o clima bacana na data escolhida, e o conjunto de todos os fatores me levarem para lá. Viajar quatro vezes ao ano é fruto de disciplina, planejamento e plasticidade”.

 



Dicas


Roda d'água no rio Orontes, na cidade de Hamas, Síria


“Primeiramente, lembre-se de que quanto mais velhos, com as pernas mais fracas e portador de necessidades especiais, a Europa estará sempre a nove horas daqui. De cadeira de rodas se vai facilmente à Europa, mas fica mais difícil viajar para a Ilha de Sulawesi, na Indonésia.

Se jovens, de corpo e/ou mente, coloque as mochilas nas costas, esqueça luxo, hotéis cinco estrelas e resorts. Abra o site da Unesco, escolha seu destino e, depois, procure promoções de passagem, sempre sendo fiel a uma única companhia aérea. Não tenha medo, mesmo que você não fale inglês. Muitas vezes, visitei lugares onde nem good morning parecia ter eco. Vá em frente. Seja um viajante e não um turista. Você sempre vai voltar diferente, com uma visão mais poética do mundo.

Mas se acha que tudo isso acima não é para você, que é bacana para ler, porém jamais se sujeitaria a ser parado – por exemplo, cinco vezes para ter todas suas malas revistadas à procura de armamento na fronteira da Turquia com a Armênia e o Irã, para visitar o Palácio de Ishak Pasha, em Dogubeyazi –, e que seu negócio, o que realmente o faz feliz, é Nova York, vá em frente e curta cada minuto. Descobrir lugares especiais em destinos tradicionais pode ser muito interessante. E, se lhe der prazer – por que não? –, faça como Fred Astaire e Puttin’ on the Ritz!”.

 


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